
A cinza é o que fica depois do fogo, outra maneira de dizer «palavra» ou «desenho»: «só os desenhos ficam numa pasta / à espera, à nossa espera / ninguém os poderá apagar /mesmo o vento se mostra silencioso / com as mãos ocultando o rosto.»
Na ironia do poema o autor convoca «Fra Angélico» (1395-1455) e chama «Fra angelo» a Ângelo de Sousa: «Fra angelo abandona a tela / ninguém se lhe assemelha / devagar, fecha a porta / e sai de casa / nunca mais o tornaremos a ver / nem à mulher.»
«O receio da morte é a fonte da arte» é um verso de Ruy Belo (1933-1978) que este belo livro de José Viale Moutinho confirma ao longo das suas 27 breves mas intensas páginas.
(Editora: Apenas Livros, Direcção: Luís Filipe Coelho, Arte final: Fernanda Frazão)





