Início Sociedade “Caldas permanece como um símbolo de coragem e de compromisso com a...

“Caldas permanece como um símbolo de coragem e de compromisso com a liberdade”

0
43
A cerimónia evocativa junto ao monumento

O 16 de Março de 1974 foi evocado junto ao monumento que o homenageia por cerca de meia centena de pessoas, entre eles alguns dos militares que participaram no chamado “Golpe das Caldas”.
A necessidade de afirmar esta data no contexto nacional e um convite a todos os militares envolvidos a participar nas comemorações foram alguns dos reptos deixados pelos autarcas

Os militares que saíram das Caldas rumo a Lisboa para “preparar o caminho para a democracia”, na madrugada de 16 de Março de 1974, voltaram a ser homenageados na tarde de segunda-feira (16 de março) junto ao monumento que lhes é dedicado, à entrada da cidade.

Na cerimónia evocativa, que contou com alguns dos protagonistas nos acontecimentos, os oradores foram unânimes quanto ao relevo desta data histórica e à importância de a assinalar, sobretudo nas Caldas.

- publicidade -

Pedro Brás, atual presidente da União de Freguesias das Caldas da Rainha, Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, tinha 11 anos quando a coluna de militares partiu das Caldas rumo a Lisboa com o objetivo de derrubar o regime em vigor. Juntamente com os amigos viu a chegada das tropas fiéis ao regime, vindas de Leiria e de Santarém, fazer o cerco aos “revoltosos” para que eles se rendessem, sem que tivesse a consciência do momento histórico que estava a presenciar.

“Apesar de ter sido rapidamente travada pelo regime, a ação do 16 de março teve um profundo significado político e moral, ao expor publicamente a insatisfação militar e ao testar a capacidade de mobilização do movimento”, lembrou o autarca, realçando que as Caldas da Rainha permanece como um símbolo de coragem e de compromisso com a liberdade. Para Pedro Brás, evocar esta data é reconhecer o papel das Caldas da Rainha na “história contemporânea e homenagear todos aqueles que, com sentido de dever e de esperança, num país mais livre, ajudaram a preparar o caminho para a democracia que hoje, mais do que nunca, devemos defender e preservar”.

Já o presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, dirigiu-se a cada um dos militares que participaram no 16 de Março de 1974, e que marcaram presença nesta cerimónia, agradecendo-lhes. “É natural que com a passagem dos anos, porque uns morrem e outros se vão esquecendo, que esta cerimónia não tenha nem a afluência nem a expressão que já teve noutros tempos”, disse, acrescentando que a ausência não é desculpável para os autarcas com responsabilidades nas Caldas. Fernando Costa lembrou que, na altura em que era presidente da Câmara e quis projetar as cerimónias do 16 de Março encontrou “alguma resistência de alguns setores”, mas que a história tem vindo a dissipar.

O autarca não tem dúvidas que o “25 de Abril tinha que acontecer a partir do momento em que a marcha das Caldas teve o impacto que teve a nível nacional e internacional. O regime tentou abafar isto como algo pouco importante ou sem significado, mas a imprensa internacional não mais deixou esquecer este acontecimento”, salientou. Fernando Costa deixou ainda uma proposta à Câmara para que, no próximo ano, se faça uma lista de todos os militares que participaram no 16 de Março e que estes sejam convidados pessoalmente para estarem presentes na cerimónia evocativa. “É de inteira justiça, porque eu sei que alguns não vêm ou não queriam vir por não terem tido um convite mais direto, mais pessoal”, especificou, exortando a autarquia a reivindicar para as Caldas a comemoração do 16 de Março ao nível das do 25 de Abril, ou numa cerimónia conjunta das duas efemérides.

Fernando Costa deixou ainda uma critica às comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril (que terminam no final deste ano) por considerar que o 16 de Março de 1974 “foi praticamente esquecido”. “Fala-se tanto e bem comemorar o 25 de Abril e o 25 de Novembro, mas esqueceram-se do 16 de Março, que é a origem, é a alma do 25 de Abril”, disse, pedindo uma maior dimensão para estas celebrações no próximo ano.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara, Vítor Marques enalteceu o acontecimento que “marca o início de um período de transição para a democracia” e que não é assinalado “como merece” a nível nacional. No entanto, acredita que a “história, com certeza, irá concretizar de uma forma mais efetiva a importância que teve o 16 de Março”. O autarca falou “da gratidão” que os caldenses têm para com os militares que participaram no Golpe das Caldas, que saíram do quartel (situado junto ao local da homenagem) “em plena ditadura do Estado Novo, e sabendo do risco e do que lhes poderia acontecer, caminharam em direção à democracia”, deixando a garantia de que estes continuarão a ser homenageados.

A cidade das Caldas Rainha comemora em 2027 os seus 100 anos. “Que cidade seria esta se não fosse o 16 de Março de 1974 e a liberdade”, questionou Vítor Marques, acrescentando que as Caldas é “o motor de uma região, uma centralidade definida e uma permanente conquista. Conquista essa que se confunde com a mesma vontade daqueles militares que partiram pelo portão aqui atrás na conquista de liberdade e de melhor qualidade de vida”, concretizou.

A cerimónia terminou com a deposição de uma coroa de flores em homenagem aos militares que protagonizaram a revolta das Caldas.

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.