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Este ano houve pouco Carnaval nas Caldas

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Dois balões de ar quente

O Carnaval deste ano foi diferente nas Caldas, sem os desfiles e os Bailes do Casino

Para a região Oeste, este foi um ano atípico no que ao Carnaval diz respeito. No caso do concelho das Caldas o prolongamento da situação de calamidade e os elevados prejuízos já registados levaram o município, em conjunto com as associações participantes, a decidir cancelar os corsos, bem como o Carnaval das Crianças e o dos Idosos. E, como não se realizam estas iniciativas, também não se irá enterrar o Entrudo.

Mas desengane-se quem pensa que não houve folia no concelho. Por exemplo, no Nadadouro, cujo Carnaval comemora no próximo ano 25 anos da sua criação (2002), a tradição manteve-se.

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Na noite de segunda-feira Rui Ventura, da organização, disse à Gazeta das Caldas que esta “foi uma pequena amostra das grandes noites de Carnaval” que aqui já se viveram. Este ano a aposta foi num programa diferente, num evento que durante 18 anos contou com a animação da banda Os Lords. “Esta banda [Linha d’Água] está a trabalhar em conjunto com o Nelson d’Os Lords e penso que estão cada vez melhores”, analisou.

Apesar da situação que se viveu na região, no Nadadouro optaram por manter o programa, até por “respeito pelas pessoas que estão a sofrer”. Sente que “não fazermos nada era levar isto a um extremo”. Esta coletividade já mostrou a sua disponibilidade para ceder as suas instalações a clubes do norte do distrito que ficaram com os pavilhões afetados pela intempérie. “Estamos cá para nos ajudar uns aos outros, mas para os ajudarmos temos que continuar a trabalhar”, frisa, notando a importância das receitas deste evento para a coletividade. “As pessoas também têm que se divertir e se animar, continuar a vida para a frente”, frisa.

Na sexta-feira a aposta foi nos DJ’s, mais virado para a juventude. A noite de sábado “correu muito bem e ontem [domingo] tivemos uma noite de memórias, com o Nelson d’Os Lords”. Já a segunda-feira é sempre “o melhor dia”.

Este ano a aposta foi um regresso às entradas livres e Rui Ventura estima que, ao longo dos quatro dias, tenham passado pelo Nadadouro mais de 4000 pessoas. Na organização trabalham diariamente mais de 20 pessoas nas várias áreas. Em março a associação irá dinamizar o almoço de cozido à portuguesa com o rancho, seguindo-se o Festival de Sopas, uma noite de fados e a participação nas tasquinhas, entre outras.

O facto de não haver desfiles “é capaz de afetar” a afluência, até porque havia muita gente que, depois de desfilar, ia ao baile no Nadadouro para continuar a diversão. Os concursos de máscaras continuam a ser uma interação com o público, premiando os melhores fatos com valores monetários, mas também, por exemplo, com senhas de bebidas para o bar.

No Nadadouro há muita gente que não falha um ano. No meio da pista, enquanto se dança o esquema, falamos com… dois animados balões de ar quente! Liliana Sábio e Tânia Martins são das Caldas e costumam vir a este Carnaval “há milhões de anos”, brincam. A festa este ano “está melhor do que no ano passado”, analisam, apontando ao facto de ter entradas livres, mas também ao cancelamento dos desfiles, que acreditam que pode até ter contribuído para trazer mais gente. Os fatos que trazem vestidos foram idealizados pelas próprias, há cerca de dois meses, passando depois o sábado a produzi-los. Além dos próprios balões e das cestas, trazem chapéus e óculos de aviadoras e cada uma com um farto bigode.

Do Nadadouro seguimos para a zona industrial, onde a Associação Cultural Desportiva e Recreativa Santo Onofre – Monte Olivett volta a dinamizar os seus bailes. João Pina disse que “correu bem” e explicou que, apesar de compreenderem a situação das pessoas no distrito, optaram por manter este evento. “A despesa estava feita e por morrer uma andorinha não acaba a primavera, as pessoas têm que se divertir”, refere, acrescentando que decidiram apostar “porque também precisamos deste evento para realizar fundos que são muito necessários”.

Na sua opinião o facto de não haver desfiles e Bailes do Casino não afetou a afluência. “Penso que as pessoas não vêm mais porque pensam que foi tudo cancelado”, apontou, estimando que ao longo dos três dias de festas tenham passado pelo pavilhão mais de 3000 pessoas.

Os lucros dos bailes revertem para a obra de construção da sede da associação, que atualmente está parada, dado que são necessários cerca de 200 mil euros para a cobertura. “Estamos a fazer estes bailes e outras festas, como o festival do frango assado, sopas e outros para conseguirmos angariar dinheiro”, explicou.

Também aqui há prémios para o melhor grupo e para o melhor mascarado. Os prémios são um almoço ou jantar no festival da sardinha ou nas tasquinhas.

Na organização também aqui trabalham diariamente 25 pessoas.

Esta associação enterra anualmente o Entrudo, mas este ano, como não houve Carnaval, também não haverá o enterro. “O morto vai esperar, está no frigorífico”, brincou, com o humor próprio do evento, notando que já no último ano não se realizou esta iniciativa, então devido à chuva.

A caldense Isabel Baptista, mascarada à Cigana, vem todos os anos e todos os dias a este local pela proximidade. “Como venho todos os anos sinto-me bem aqui, porque estão todas as pessoas que eu conheço e acaba por ser um Carnaval quase em família, é muito bom”.

Apesar de se assumir como amante do Carnaval e de todos os anos ir ver o desfile, “compreendo o motivo pelo qual desmarcaram e concordo que o tenham feito, mas é sempre uma pena”. Na sua opinião o adiamento não faria sentido.
Isabel realça ainda a importância dos bailes não terem sido cancelados, para proporcionar alguma oferta a quem se quer divertir. “O Carnaval das Caldas é um dos melhores aqui da zona”, afirma esta foliona, que este ano já foi abelha e tigresa, antes de ser Cigana.
As comemorações na região

No concelho de Óbidos os mais novos desfilaram nos complexos escolares dos Arcos, Furadouro e Alvito e os mais velhos na Usseira. Nas Gaeiras realizou-se apenas o desfile infantil, com cerca de 200 crianças, no pavilhão do Alvito, com animação com cinema e palhaços. O Carnaval nas Gaeiras foi adiado para os dias 16 e 17 de maio, com a chegada dos reis na sexta-feira e o corso no domingo, dia em que se realizará o enterro do Entrudo. Em Trás-do-Outeiro realizou-se o Carnaval Touteiro, no dia 13, numa iniciativa que incluía jantares e animação com os Cristais da Noite e que contou também com concurso de máscaras.

Já em Peniche, no domingo, “o equipamento de som destinado ao desfile foi alvo de atos de vandalismo”, informou a autarquia. Um incidente grave, mas a folia não parou e o desfile realizou-se na mesma. “Embora sejamos alheios ao sucedido, pedimos desculpa pelo inconveniente”, acrescenta a organização. No município da Nazaré o carnaval da Criança foi dedicado aos Descobrimentos e na noite de segunda-feira os Reis percorreram as salas de bailes. No Cadaval as comemorações decorreram com uma certa normalidade. Por sua vez, em Torres Vedras o programa foi cancelado, mas a folia não deixou de sair às ruas.

Carnaval rima com… centro comercial
No centro comercial La Vie realizaram-se ateliers de Carnaval dedicados às crianças entre os três e os 12 anos. Em quatro dias realizaram-se quatro diferentes oficinas, que permitiram aos mais novos criarem chapéus loucos e máscaras, mas também fazerem pinturas faciais e penteados. “O Carnaval é uma das épocas mais especiais para os mais novos e foi muito gratificante receber tantas famílias nestes dias”, afirma a administração do centro comercial La Vie, acrescentando que continuam “empenhados em criar experiências diferenciadoras que reforcem a ligação do centro comercial à comunidade”.

Com esta iniciativa, “o La Vie volta a apostar numa programação regular orientada para diferentes públicos, consolidando a sua estratégia de dinamização e valorização da experiência oferecida aos visitantes”.

Gabriela Lourenço veio com os dois filhos, de quatro e oito anos, para os ateliers. “Já vieram ontem fazer as pinturas faciais e os penteados e hoje vêm fazer uma máscara”, explicou. Apesar de gostarem muito do Carnaval e terem o hábito de ir ver o desfile, realça que compreendem a situação deste ano. “Esta possibilidade dos ateliers é uma boa iniciativa, os miúdos gostam e é uma maneira de não perderem o espírito do Carnaval e além disso, são atividades que gostam de fazer”, conta.

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