Lagoa de Óbidos integra agora a lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional, certificando a sua relevância ao nível da biodiversidade e atraindo atenção para a sua conservação. A cerimónia pública de celebração da atribuição realizou-se a 4 de dezembro, data em que se assinala o Dia Mundial da Conservação da Vida Selvagem
A Lagoa de Óbidos já é um Sítio Ramsar, mais concretamente o 32º classificado, a nível nacional e o 2580° a nível mundial. Uma classificação que mostra a importância daquela zona húmida e a necessidade da sua conservação, não apenas pela biodiversidade, como pela sua sustentabilidade a nível ambiental e económico.
A classificação, obtida a 2 de fevereiro e celebrada numa cerimónia pública, no passado dia 4 de dezembro, no Cais Palafítico do Nadadouro, resulta de uma candidatura da Associação PATO, a mesma que em 2005 elaborou um dossier para que a Lagoa de Óbidos fosse classificada de paisagem protegida de âmbito regional, mas que ainda não se veio a concretizar.
“Com esta classificação conseguimos chegar a mais pessoas e mostrar como é importante a conservação de mantermos este local”, salientou Liliana Ferreira, presidente da PATO, especificando que a distinção como Sítio Ramsar não implica restrições na Lagoa, mas que houve a necessidade de elaborar um plano de gestão de conservação do local e terá de ser feita a sua monitorização. “Tem de haver um equilíbrio, um compromisso entre a preservação e a utilização dos recursos da Lagoa”, sustenta.
Continuarão a ser desenvolvidas ações de sensibilização junto das escolas e comunidade e a PATO tem a decorrer os projetos CILO – Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos e o BioLagoa, numa parceria com os municípios das Caldas e de Óbidos. Ambos os projetos foram renovados e “são muito importantes”, destaca Liliana Ferreira, especificando que o CILO promove muitas atividades de valorização da Lagoa e da comunidade envolvente e que o Biolagoa contribui para o conhecimento e conservação da riqueza ornitológica daquele ecossistema. A equipa tem estudado as aves aquáticas, passeriformes e, com a renovação deste projeto, irá estender a investigação aos morcegos.
Presente na cerimónia, Carlos Albuquerque, diretor regional do ICNF de Lisboa a Vale do Tejo, realçou o vasto património natural que existe na região e, referindo-se à classificação como sítio Ramsar, realçou a importância das zonas húmidas como sumidouros de carbono por conta da sua enorme capacidade em absorvê-lo. Destacou que esta classificação não é “propriamente um travão ao desenvolvimento, mas é, sobretudo, para as autoridades nacionais e os poderes locais quando tomam decisões sobre o ordenamento e o desenvolvimento do território, tenham em conta que este é um valor único e insubstituível”.
Projetos de valorização
A valorização do património natural e ambiental, também enquanto promoção turística e atrativo para a captação de investimento deste território, foi realçada pelo presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel, que esteve recentemente na Qatar Travel Mart (QTM) 2025, uma importante feira turística internacional em Doha, no Catar, para promover o concelho como destino a nível internacional. O autarca falou ainda da “frustração” que sente com a morosidade dos processos, ao nível de autorizações e validações, por parte dos organismos públicos, dando o exemplo de um campo de golfe na Praia d’el Rei, que “está em risco”. Filipe Daniel corroborou da importância da sensibilização e educação ambiental nas escolas, junto dos mais novos, mas também de darem continuidade aos projetos de valorização da lagoa, destacando o empenho de autarcas e ex-autarcas na preservação e proteção do ecossistema.
Em Portugal estão classificadas 32 zonas húmidas de Ramsar, das quais duas ficam no concelho das Caldas: a Lagoa de Óbidos e o Paul de Tornada. O presidente da Câmara caldense, Vítor Marques, considera que esta distinção trará frutos ao nível do turismo internacional, pois já existem rotas específicas dos espaços Ramsar, mas também da sensibilização ambiental, com as atividades dinamizadas. O autarca destacou as parcerias entre municípios e associações locais e as instituições nacionais, e recordou que estão também a trabalhar na classificação da duna de Salir do Porto e do território envolvente.
A cerimónia terminou com uma pequena observação de aves no cais palafítico, numa altura em que a Lagoa recebe muitas aves invernantes (espécies que ali passam o Outono e Inverno), em especial os corvos marinhos e as garças.










