
A mostra é composta por 173 livros infantis ilustrados que promovem os 17 ODS
O livro “Cantos da Terra”, do escritor obidense Paulo Santos, integra a exposição “Turning the Page on Change: Children’s Books Inspiring Action for the Global Goals”, que se encontra patente na sede da ONU, em Nova Iorque. A mostra é composta por 173 livros infantis ilustrados que promovem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), destacando obras literárias que visam fomentar a empatia e a ação em jovens leitores em prol de um futuro sustentável.
Uma participação que tem para o autor um “significado simbólico importante”. Trata-se de um livro “escrito em português, a partir de Óbidos, um lugar específico do mundo, que dialoga agora com leitores e visitantes de muitos países. Isso revela como as preocupações inscritas nos ODS (cuidar da Terra, do outro e do futuro) são de facto verdadeiramente universais”, salienta.
O percurso internacional do livro Cantos da Terra começou em Bolonha, em 2025, onde foi selecionado no Bologna Ragazzi Awards e também integrou a seleção Amazing Bookshelf, dedicada a obras relacionadas com sustentabilidade. Terá sido, aliás, esta distinção que levou à oportunidade da editora participar na exposição da ONU.
A obra surgiu de um desafio lançado pela editora Studio Plural, para criar um texto poético para crianças sobre os 17 ODS. “O meu primeiro pensamento inspirou-se numa constatação simples, os grandes desafios do mundo não podem ser apresentados às crianças apenas como relatórios ou números, com uma linguagem fria, muitas vezes densa e desprovida de um apelo próximo, possíveis de serem alcançados”, recorda Paulo Santos, lembrando que os ODS são “fundamentais”, mas que a sua linguagem é “demasiado técnica e até distante da experiência quotidiana”. Já os recursos e a magia da poesia permitem fazer o movimento inverso, aproximando-os da vida e dos passos de cada um de nós. “No texto dos Cantos da Terra, cada poema procura transformar um princípio global num gesto humano, concreto e plausível”, explica o autor que, mais do que explicar os ODS às crianças, propôs-se a inquietar e despertar a consciência e a curiosidade.
“Os poemas do livro não são apenas uma tradução de uma linguagem política para uma linguagem poética, mas um convite à ação”, salienta Paulo Santos, especificando que “cada poema começa com um verbo que convoca à exigência da responsabilidade individual. O futuro do planeta alicerça-se em decisões pequenas e repetidas, na forma como cuidamos da natureza, dos recursos e das pessoas”, concretiza.
Paulo Santos está a escrever dois livros infantis e iniciou um novo romance. “Existe um novo projeto que surgiu de um convite para realizar a curadoria de um novo festival literário, em Portugal”, conta à Gazeta das Caldas o também curador do Folio Educa.








