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Óbidos tem um mercado biológico rodeado de livros

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O Mercado Biológico de Óbidos nasceu há seis anos junto à Porta da Vila e agora ocupa o edifício do antigo quartel dos bombeiros, na Rua Direita, recebendo diariamente os muitos visitantes da vila. E são cada vez mais os consumidores dos produtos biológicos, sobretudo estrangeiros e viver na região. Entre os habitantes locais também se começa a verificar uma maior procura, especialmente dos legumes e fruta, assim de pão feito com mistura de vários cereais.
“Da terra ao prato” é o mote deste mercado, essencialmente de proximidade, que agora também permite encomendas através da internet.Mais de um milhar de caixas de madeira que já carregaram fruta e agora albergam livros usados enchem as paredes de um edifício antigo que alberga agora um mercado e uma livraria. As bancas estão repletas de legumes, hortícolas, frutas, ervas aromáticas, chás e compotas numa combinação harmoniosa entre os produtos alimentares e culturais.
João Baptista, responsável pelo Mercado Biológico de Óbidos,  diz que “há uma linha comum” entre ambos pois está subjacente uma ideia de poupança de recursos e de segunda oportunidade dada aos produtos.
Diversos desperdícios vegetais e animais são aproveitados para compostagem, transformando-se em adubo orgânico para a criação de novos produtos.
Os morangos ali comercializados, por exemplo, são produzidos em cama de composto de cavalo, que leva depois um plástico a separar a planta da terra, para que o fruto fique mais limpo. Não são aplicados pesticidas ou herbicidas para evitar as pragas e as ervas são retiradas à mão. Quando aparecem alguns morangos mordidos pelas lesmas deixam-nas estar a comer esse fruto, pois assim não estragam os outros. “Negociamos com os animais e chega para todos”, diz o também produtor, que apenas aplica nos seus produtos um chorume de urtigas e um líquido feito à base de cinzas e borras de café, que vai funcionar para afastar os insectos ao mesmo tempo que alimenta a planta.
Actualmente o mercado biológico é abastecido por cinco produtores de Óbidos, Rio Maior, Lourinhã e S. Martinho do Porto que comercializam desde carne a hortaliças, passando pela fruta, mel, ervas aromáticas ou doces regionais.
“Tentamos vender o máximo possível e há produtos que vendemos mais barato do que se encontra nos supermercados”, explica João Baptista, acrescentando que está cada vez mais esbatida a margem de aumento do preço dos produtos biológicos em relação aos convencionais. E quando há excedente de produto ainda o vendem mais barato, possibilitando que mais pessoas possam ter acesso a alimentos com o seu sabor natural.

Estrangeiros residentes são os principais clientes

Estrangeiros a residir na região já são clientes fixos deste mercado, assim como algumas famílias locais, que apenas compram produtos biológicos. A colheita é feita à sexta-feira para o mercado de sábado, que é o dia mais forte de vendas. Algumas das encomendas, feitas semanalmente ou através da internet (em www.mercadobiologicodeobidos.com) são logo entregues na sexta-feira na casa dos clientes.
Os residentes em Óbidos, e também os visitantes de domingo à tarde que vêm nas excursões, consomem sobretudo o pão que é feito seguindo uma fórmula própria e que junta vários cereais. Os clientes de passagem procuram o azeite, vinagre, mel e até o vinho que é produzido em Alvorninha.
“Por vezes, os nossos clientes queriam levar mais produtos e não podem por causa dos aviões, que proíbem o transporte de líquidos”, conta João Baptista.
Apesar do número de agricultores a apostar no biológico estar a crescer, o técnico agrícola considera que ainda há espaço para muito mais produção. Há produtores a apostarem na pera e novas variedades de maçã e também em ameixa. “Queremos ter fruta, sobretudo peras e maçãs, o mais cedo possível e durante mais tempo, com o mínimo de refrigeração”, explica João Baptista.
Mas ainda há casos em que a produção nacional é deficitária e têm que importar, como é o caso da cenoura que, durante grande parte do ano vem da Holanda. Para diminuir esta dependência externa, o responsável deixa um desafio aos agricultores com terrenos algum tempo livre, ou mesmo reformados, para que possam fazer uns canteiros de cenoura, que depois poderá ser comercializada no mercado biológico. João Baptista adianta ainda que lhes disponibilizarão o acompanhamento técnico e garantem a certificação.
É que a importação tem também como aspecto negativo a quantidade de energia e recursos gastos até que o produto chegue ao seu destino, sendo por isso necessário que os alimentos consumidos sejam produzidos o mais próximo possível da distribuição. “Há que tentar um equilíbrio entre produzir para que todas as pessoas localmente possam comer bem e todos os produtos da época e o deslocar o menos possível porque, por vezes, isso é mais caro do que a produção”, concluiu.
O Mercado Biológico de Óbidos está aberto diariamente entre as 10h00 e as 19h00.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt

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