Ana Sofia Reboleira
Diretora convidada
Nada e criada, quem vos dirige esta edição da Gazeta é uma filha da terra. Às Caldas tornei, depois de muitos anos passados em instituições de ensino superior em vários cantos do mundo. Ao longo de todo o percurso sempre houve um prazer semanal raramente abdicado – ler a Gazeta! A imprensa local tem o dom da proximidade, e é esse o seu insubstituível valor, o de preservar a história recente de um território. Caldas deve a sua génese a uma Rainha e a uma falha. É a geodiversidade que fornece o substrato identitário da cidade, desde a falha geológica por onde emergem as águas termais, à abundância de argila que potenciou a cerâmica. O reconhecimento do território pela UNESCO como Geoparque e como Cidade Criativa do Artesanato e das Artes Populares, reverbera isso mesmo. A menos de uma hora da capital, Caldas brinda os seus habitantes com uma qualidade de vida singular, assente num território natural extraordinário, de clima ameno e paisagens deslumbrantes sobre o oceano. É berço de espécies únicas, que importa conservar, a par da fixação de polos de inovação de base tecnológica e científica, abrindo caminho ao desenvolvimento de um futuro mais sustentável e em maior harmonia com o meio que nos rodeia. Esta edição, para além do registo da atualidade local, procura também iluminar o valor natural, cultural e humano da nossa terra, uma ínfima parte daquele que a Gazeta tem sabido dignificar ao longo dos seus 100 anos de atividade. Obrigada a todos os que fizeram e fazem a Gazeta, parabéns pelo centenário.







