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Livro sobre MFA e 25 de Abril guarda memórias para o futuro

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Pedro Lauret, da Marinha, fez parte das operações do MFA. Vive no Cadaval e vem regularmente às Caldas

A 22 de maio foi apresentado no Café Central o livro “O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril: Liberdade – Democracia – Paz – Descolonização” (e não das FP25 como foi publicado por lapso no título da notícia da anterior edição) da autoria do capitão de mar e guerra, agora reformado, Pedro Lauret, numa iniciativa organizada pelo Núcleo das Caldas da Associação José Afonso.
O espaço encheu-se para conhecer esta obra que surgiu após a realização de uma exposição em que o autor foi curador e que foi apresentada na Gare Marítima de Alcântara, em abril de 2024 e que integrou o programa comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril.
“Hoje fala-se muito do 25 de Abril, mas os militares estão completamente esquecidos”, disse o autor de Lisboa mas que vive no Cadaval há vários anos. Como tal, “venho muitas vezes às Caldas da Rainha”, contou o autor que fez parte das operações do 25 de Abril, tendo inclusivamente feito parte da comissão que redigiu o programa do MFA.
O autor, também combatente na Guiné, recordou que a Guerra Colonial foi um dos principais motivos para que os militares tivessem derrubado o regime.
Pedro Lauret recordou que Portugal tinha três teatros de operações, todos a milhares de quilómetros de distância do seu território. “Cem mil homens eram portugueses e 50 mil eram autóctenes”, disse o convidado recordando que após a descolonização “houve represálias contra aqueles que integraram o exército português”.
Segundo este autor, da Guerra Colonial resultaram dez mil mortos e 16 mil militares com deficiência permanente. Neste número não estão contabilizados os militares “que sofreram de stress pós traumático nem os que sofrem de alcoolismo e de violência doméstica”.
Pedro Lauret explicou como evoluiu a própria guerra, e como os militares viram que a Guerra Colonial “tinha que acabar” pois a partir de 1973 agravavam-se os cenários de guerra “não só na Guiné como era também complexa a situação em Moçambique”.
Em dezembro de 1973 houve uma importante reunião de militares em Óbidos onde se lança a ideia de que “é necessária uma operação militar para derrubar o regime”. E no início do ano seguinte começa a ser delineada uma estratégia para neutralizar o regime.
À Gazeta das Caldas, Pedro Lauret afirmou que o 16 de março “foi um incidente que saiu da estrutura do MFA”. Acha que ainda hoje não há consenso sobre o sucedido. De qualquer modo para este autor, “os militares spinolistas decidiram avançar convencidos que as restantes unidades iriam atrás….O que acabou por não acontecer como sabemos”, disse o autor relembrando que nem sequer havia uma ordem de operações.
Esta foi a quarta apresentação deste livro que se dedica ao aparecimento do MFA, que teve um papel fulcral nas eleições para a Assembleia Constituinte.
“Foi um trabalho complexo pois no recenseamento eleitoral que existia havia um milhão e meio de votantes e com passaram ser 6,5 milhões”, informou o militar que teve como objetivo principal dar a conhecer o papel dos militares nas operações da Revolução.
Logo no ano seguinte, a 25 de Abril de 1975 realizaram-se as eleições mais concorridas de sempre em Portugal com uma adesão de 92% de afluência de votantes, tendo sido eleita uma assembleia constituinte. Já em 1976 há várias eleições, tudo organizado com auxílio dos militares.
Passados 52 anos, “toda a gente fala da Revolução do 25 de abril mas já são muito poucos os que sabem quem foram os militares que fizeram o 25 de Abril…”, disse o convidado. Naquele dia saíram dos quartéis 32 unidades militares” e neste livro de Pedro Lauret “constam os nomes de quem comandou aquelas unidades”, rematou.

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