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Bienal do Mar abraça Peniche à Economia Azul

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A vendedora de peixe Olívia Paleca a cortar a fita de inauguração de evento

A primeira edição da Bienal do Mar, que termina no domingo no Pavilhão Multiusos dos Bombeiros Voluntários de Peniche, procura aliar as diversas sinergias do concelho em torno da economia azul, da cultura marítima e da sustentabilidade oceânica, numa parceria entre o Município de Peniche e o Politécnico de Leiria, através da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar. O certame, que decorre ao longo de dez dias com entrada livre, é considerado um evento estratégico para toda a comunidade, desde as empresas ligadas ao mar, às associações que participam nas tasquinhas, em que o peixe assume a primazia nas ementas. Coube a duas pessoas com uma vida inteira ligada ao mar, a honra de cortar a fita da inauguração do evento: a vendedora de peixe Olívia Paleca e o pescador e atador de redes Fernando Correia.
A simbiose entre os responsáveis municipais e académicos na concretização desta Bienal do Mar ficou bem patente na sessão de abertura, um dia depois do anúncio, pelo Governo, da criação da elevação do Politécnico de Leiria a Universidade de Leiria e do Oeste. O arranque oficial do certame foi pontuado por discursos que uniram a valorização das tradições piscatórias à urgência da inovação tecnológica, ao qual se associou o secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território, Silvério Regalado.
Para o presidente da Câmara Municipal, o certame só foi possível pela cooperação direta entre a edilidade e a comunidade académica. “O mar é a nossa maior identidade e o nosso futuro”, destacou Filipe Sales, apostando num novo capítulo de afirmação territorial e desenvolvimento científico do concelho. O certame foi apontado como a rampa de lançamento para aumentar a fixação de talento e atrair investimento estratégico de escala europeia para a região Oeste. O edil assegurou que a Bienal do Mar não é apenas “uma mostra cultural temporária”, mas sim uma declaração de intenções sobre o rumo socioeconómico que o concelho pretende seguir, elogiando as sinergias encontradas que demonstram a capacidade de realização da comunidade penichense “quando focada num objetivo comum”. Filipe fales reiterou na ocasião o seu total compromisso em nutrir parcerias duradouras que gerem resultados reais na qualidade de vida, através da diplomacia económica do mar ao serviço da população.
O presidente do Politécnico de Leiria destacou a perspetiva profundamente ligada ao conhecimento, à retenção de quadros qualificados e à expansão do ensino superior na região. Carlos Rabadão sublinhou o enorme sentido de responsabilidade e o compromisso assumidos pela instituição ao associar-se à autarquia na organização da Bienal do Mar. O anúncio da criação da Universidade de Leiria e Oeste foi classificada como uma “decisão histórica” para a instituição e para todo o território. Esta nova estrutura universitária terá em Peniche, através da ESTM, um reforço da aposta no domínio da Economia Azul, criando uma plataforma avançada de ensino, investigação aplicada e transferência de tecnologia diretamente ligada ao mar. O responsável elogiou a ESTM pela dedicação e pelo trabalho colocado na preparação do evento, bem como na organização durante esta semana do encontro sobre inovação no âmbito da rede de Universidades Europeias RUN-EU. Segundo Carlos Rabadão, a simbiose entre o território e a academia é o único caminho viável para transformar ciência em impacto socioeconómico real, potenciando a biotecnologia marinha, o turismo sustentável e a competitividade das empresas da região.
O secretário de Estado Silvério Regalado destacou na ocasião que a Bienal do Mar ultrapassa em larga escala a dimensão local, alinhando-se com as políticas públicas nacionais para a sustentabilidade do oceano e para o crescimento económico sustentável, da qual será exemplo, este sábado, a realização do 5º Congresso da Pequena Pesca, numa organização da Docapesca, Câmara Municipal de Peniche e WWWF Portugal, escritório nacional da World Wide Fund for Nature, a maior organização global independente de conservação da natureza. O governante elogiou ainda o esforço conjunto entre a edilidade penichense e o IPLeiria como exemplo para o país sobre como estruturar projetos que fixam populações e valorizam o património natural.
Para este domingo, último dia do certame, está marcada a comemoração do Dia Nacional do Pescador, incluído no programa oficial da Bienal do Mar, com a sessão solene a realizar-se pelas 15h00 no Pavilhão Multiusos dos Bombeiros Voluntários. Na ocasião serão homenageadas as gentes do mar, numa tradição anual promovida pela autarquia e que, de manhã, contará com a eucaristia em ação de graças pelos pescadores na Igreja de São Pedro, da deposição de uma coroa de flores junto ao monumento de homenagem ao pescador no Largo da Ribeira e de um almoço convívio na cantina municipal.

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