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Mestre Ferreira da Silva “vive” na sua obra

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Os convidados da tertúlia estiveram entre o público

Evento de estudantes da ESAD.CR relembrou Ferreira da Silva. Autarquia compromete-se com a tão aguardada reabilitação do Jardim d’Água

Pedro Cardoso e Pedro Luz são alunos de mestrado da ESAD.CR. O primeiro de Design Gráfico, o segundo de Artes Plásticas e foram os mentores da iniciativa que quis dar a conhecer melhor quem foi Ferreira da Silva (1928-2016) .

Passados dez anos da sua morte, os estudantes decidiram convidar quem conheceu o artista e a sua obra, sobretudo o seu Jardim d´Água, intervenção que fica nas proximidades do hospital.

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O evento, que decorreu no sábado, 14 de março, serviu para dar a conhecer a investigação que têm feito sobre o autor e os trabalhos que fizeram inspirados no universo deste artista.

Ferreira da Silva, natural do Porto, viveu na região Oeste e, além da cerâmica, trabalhou o desenho, a gravura, a pintura e a escultura em vários materiais. E deixou várias obras de arte pública nas Caldas da Rainha.

O Jardim d’Água é uma das suas intervenções mais emblemáticas que foi iniciada em 1993 e que foi sendo construída até 2009.

Foi encomendada pelo Centro Hospitalar das Caldas, entidade que então administrava os hospitais e o respetivo património. Nunca foi alvo de uma intervenção de fundo e há muito que necessita de reabilitação.

A galeria do posto de Turismo esteve composta para ouvir falar desta obra que, segundo os estudantes, é hoje utilizado por skaters e praticantes de parkour, atividades que têm causado danos nalgumas áreas.

A falta de reabilitação é de tal ordem que as novas gerações se referem ao Jardim d´Água como “Ruína”.

Os convidados e investigadores que conhecem aquela obra há vários anos como Isabel Xavier, José Luís Almeida Silva e Cláudia Feio defenderam a necessidade de reabilitação e de preservação da obra que une cerâmica a outros materiais como o ferro.

A presidente do PH, Isabel Xavier contou como foram feitos vários esforços, junto da DGPC, para que a obra fosse classificada de Interesse Público. Tentativas que não foram bem sucedidas até à atualidade. Foram também anunciadas intervenções por parte da autarquia que depois não se concretizaram, deixando assim a obra ao abandono total.

A chuva inviabilizou a visita ao local mas foi feita uma visita digital à grande intervenção, alvo de estudo dos dois estudantes. “Pretendemos dar contributos para preservar a própria obra”, contaram os jovens que deixaram o alerta para o facto de, com a tempestade, terem “voado alguns elementos” com, por exemplo, tampas de manilhas. “A longo prazo gostaríamos que a obra fosse valorizada”, disseram os estudantes.

Os dois jovens têm produzido peças de cerâmica por causa desta investigação sobre Ferreira da Silva. “Pomos em prática algumas das técnicas artísticas que ele usou”, contaram Pedro Cardoso e Pedro Luz.

Ambos referiram que apesar de ter falecido há uma década “ele continua a ensinar-nos e a inspirar-nos”. Trabalham como o mestre, com óxidos de cobre, com pintura a óleo e ainda aprenderam a técnica do esgrafitado, amplamente usada na obra do artista plástico.

“Pretendemos alargar o grupo com pessoas que se interessem pela causa da valorização e reabilitação do Jardim D’Água. E comprometem-se em fazer mais iniciativas de reflexão sobre a sua obra e de levar eventos ao próprio espaço.

E algumas até já estão marcadas. A dia 18 de abril, os dois mentores estarão envolvidos na ação de limpeza que será coordenada pelo Museu do Hospital e “querem canalizar esforços e materiais para também limpar o Jardim d’Água”. Está igualmente previsto um concerto de um novo projeto, o Coro do Futuro, que ali atuará no próximo mês de maio.

Reabilitação antes do centenário
Segundo a vereadora da Cultura, Conceição Henriques, a autarquia das Caldas tem a intenção de intervir no Jardim de Água “pois é premente que se faça uma recuperação da obra”.

Segundo a autarca espera-se que possa haver a tão esperada intervenção antes das comemorações do centenário de nascimento do artista que será assinalada em 2028. Conceição Henriques recordou que a relação do artista plástico com a Câmara das Caldas (antes deste executivo) era de grande proximidade e que se traduziu na encomenda de obras de arte pública como o painel de grandes dimensões que se encontra na entrada dos Paços do Concelho.

“Pretendemos fazer eventos nos 100 anos do seu nascimento”, afirmou a vereadora acrescentando que este incluirá exposições, conferências e a reabilitação da intervenção Jardim d’Água. “Queremos também devolver à cidade as peças que temos do artista nas nossas coleções”, rematou.

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