
Os 150 anos de Zé Povinho assinalam-se em Lisboa e mostra inclui peças das Caldas, algumas das quais doadas ao Museu B. Pinheiro
Abriu ao público, a 11 de fevereiro, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, a exposição “Toma! 150 anos de Zés Povinhos”, comissariada pelo designer Jorge Silva e pelo diretor do Museu, João Alpuim Botelho. Este responsável afirmou à Gazeta que a exposição conta com várias doações, sendo que a mais importante a que foi feita por Isabel Castanheira, já que doou vários Zés Povinhos da sua coleção de cerâmica.
Alpuim Botelho acrescentou que esta mostra tem uma forte presença cerâmica e que esta conta com peças que foram emprestadas por outros colecionadores caldenses como da coleção de João Maria Ferreira e da Biblioteca Municipal ou ainda de Joaquim Saloio.
Segundo o diretor, a inauguração da mostra – que contou com a presença da vereadora da Cultura das Caldas, Conceição Henriques -, não poderia ter corrido melhor e até contou com a “presença” do próprio Zé Povinho.
O diretor do museu sublinhou o facto do sucesso do Zé Povinho não se medir apenas só pela sua longevidade, mas também pela multiplicidade de apropriações que dele fazem, pois este surge nos mais diversos formatos e materiais.
A mostra – que dá continuidade à que se realizou nas Caldas em junho – tem muitas peças de Bordalo mas um dos autores que se encontra mais representado são os irmãos Constantinos. Carlos Constantino, aliás, irá realizar uma peça cerâmica que terá o objetivo de assinalar os 150 anos daquela personagem que ainda hoje representa o povo português.
Como tal, as peças doadas por Isabel Castanheira, “ajudam a compôr o acervo do próprio museu no que diz respeito às versões contemporâneas desta personagem”, disse o diretor.
Isabel Castanheira continuará a doar
“As peças ganham valor pois no museu podem ser vistas por mais gente”. Palavras de Isabel Castanheira, a colecionadora caldense que fez uma doação para aquele espaço museológico.
“Vou continuar a doar peças e materiais gráficos ao museu”, disse a livreira que além de vários Zés Povinhos – criados por vários ceramistas caldenses como Constantino, Fernando Miguel, e outras feitas em Barcelos – também já ofereceu livros para a biblioteca do Museu Bordalo Pinheiro.
Isabel e o seu irmão, António Castanheira, fizeram recentemente outra doação de livros etnográficos sobre Angola que pertencera ao pai de ambos e que agora enriquecem a coleção do Museu de Etnografia.
“Sei que as peças serão muito vistas e bem tratadas e por isso estou satisfeita por ter doado”, referiu a colecionadora, acrescentando que a atividade, muito dinâmica, do Museu Bordalo Pinheiro “deveria ser replicada noutros espaços”. A livreira diz que continuará a doar parte do seu espólio bordaliano ao museu lisboeta “com a concordância total da minha família”. Fica assim enriquecida a exposição de Zé Povinho daquele museu, e também a coleção dedicada ao representante do povo bordaliano e que foi iniciada no museu em 2014.
“Toma! 150 anos de Zés Povinhos” está patente até setembro.













