
Empresa investiu em equipamento e novas instalações no Bombarral, mas tem planos para segunda fábrica
A Mistral, empresa de Vila Nova de Paiva (Viseu) que tem a sua fábrica no Bombarral, comemorou recentemente o seu 10º aniversário, numa festa com amigos, colaboradores, parceiros, clientes e fornecedores. A firma, que se dedica à produção e venda de casas em madeira (com o método construtivo wood frame), tem vindo a crescer e recentemente investiu mais de 350 mil euros numa nova máquina de CNC, de corte automático, e em novas instalações.
Este novo equipamento, que conforme explica o CEO Johnatan Francisco, aumenta “drasticamente a capacidade de resposta”, tem 30 metros de comprimento e foi adquirida no final de 2025, começando a laborar já este ano. Permite, em pleno, construir entre 30 e 40 casas anuais. “Tem uma corpulência enorme”, descreve, notando que obrigou a mudar de software para um mais avançado, que permite a “transferência de informação entre o projeto e a máquina”.
“A procura tem aumentado, o que nos obrigou a encontrar soluções”, explica o empresário. Com esta máquina de fabricação automática conseguem, além de aumentar a produção das estruturas de casas, “aumentar a qualidade de fabricação, com maior precisão, rigor e eficiência”. Mas este investimento levou à necessidade de mudar de instalações, para terem uma área maior, encontrando o espaço ideal, numa zona central do Bombarral, no antigo armazém Gustavo e Abreu. Fizeram obras e instalaram o novo equipamento, num espaço que por agora está arrendado, mas com opção de compra, que pretendem exercer. “Seria um erro instalar no antigo armazém”, aponta. O novo espaço tem 1300 metros quadrados de área coberta, que é um aumento face aos anteriores menos de mil. Acresce que agora têm um terreno com 8000 metros quadrados, que permite ampliar instalações com mais um pavilhão com 1200 metros quadrados.
Uma segunda fábrica
O próximo passo que querem dar é construir uma segunda unidade fabril, em Vila Nova de Paiva, com uma linha completa de montagem de casas, robotizada. Estão atualmente “a preparar o projeto de uma fábrica para construção modular”, que “permite ter maior rapidez”.Conseguirão construir entre 80 a 130 casas por ano, mas é um investimento a rondar os 2,5 milhões de euros. Esse sistema permite planear melhor e “utilizar ferramentas como o BIM” (Building Information Modelling, uma plataforma de partilha de informação do edifício que permite que diversas áreas trabalhem no projeto). A implementação de um software de digitalização da obra de forma numérica, “para ter controlo total, de forma precisa, de todos os componentes” é outro dos objetivos. Este é um “projeto mais arrojado”, sendo que “esta fábrica [no Bombarral] é o coração da empresa e vai-se manter”. A escolha de Vila Nova de Paiva, além de ser a sede, prende-se com dois fatores: a dificuldade em encontrar terreno com as dimensões necessárias – 20 mil metros quadrados com cinco mil metros quadrados de área coberta – e as diferenças em termos de apoios comunitários.
Uma das dificuldades que o empresário sente é a falta de mão de obra especializada, para dar resposta aos acabamentos, o que leva a criar e a procurar constantemente parcerias. Com nove funcionários, admite que necessitaria de imediato de duas ou três pessoas. Atualmente a empresa tem feito a adaptação de projetos em alvenaria que estão parados, também por falta de mão de obra, e garante apenas a construção da estrutura através deste método. Esta é uma solução que permite tirar mais partido da nova máquina. Dado o volume de procura, a Mistral está sem capacidade para aceitar mais projetos de moradia chave na mão, com seis moradias em curso na região. Também já têm planos para construir um loteamento nos arredores do Bombarral, com moradias com certificação Passive House, com “uma eficiência energética do melhor que pode haver e preços muito interessantes”.
A festa do 10º aniversário foi um momento de agradecimento a quem ajudou a empresa a chegar aqui, como clientes, fornecedores, colaboradores e parceiros. O empresário agradeceu ainda à AIRO que “foi muito importante para nós, a exposição na Expoeste foi uma alavanca”, recorda, acrescentando que “quando fizemos as Tasquinhas era só uma ideia de dez dias”, mas acabou por ficar mais de um ano e “foi fundamental”.












