O processo de decisão em que se sustentará a nossa decisão de voto no próximo dia 08
02-2026 não é complexo. – A escolha terá de assentar no pressuposto do que
efectivamente pretenderemos: se um Presidente da República (PR), talqualmente define,
em síntese, o artigo 120º da nossa, ainda vigente (sim, ainda vigente), Lei Fundamental
(representante da República Portuguesa, garante da independência nacional, da unidade
do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas e, por inerência,
Comandante Supremo das Forças Armadas); se um mero comentador futebolístico, que
dispensará definição, já que todos a conhecem e qualquer comum e mediano cidadão o
poderá ser.
António José Seguro nunca foi comentador de futebol; creio que jamais o víria a ser; e
muito menos tem o perfil exigido para esta função. Mas parece-me indiscutível a sua
capacidade para cumprir o desiderato ínsito à citada premissa Constitucional.
Contrariamente, o voto em André Ventura (AV) é, precisamente, um voto no comentador
futebolístico, que aquele actor da vida pública nunca deixou de ser. AV apenas mudou de
palco. O estilo e a matriz do método não têm diferenças substanciais: a algazarra, a
exaltação, a agressividade, a deturpação da realidade, as análises parcializadas, truncadas
e erráticas, e o ataque ao adversário (no limite do desvario, do desrespeito e da ofensa
pessoal) são os mesmos. A postura de AV (e da maioria daqueles que propendem para o
seguir) continua a ser a do fanático adepto de futebol, nenhuma distinção relevante – no
tom e no conteúdo –, existindo entre o AV que comentava os jogos e as diatribes do futebol
e o actual AV. O seu discurso é, transversalmente, superficial e apela à metáfora (muito
próprio, aliás, da “cartilha” futeboleira): as sucessivas e invariáveis candidaturas,
alternando entre o almejamento a Primeiro-Ministro e a PR, são o seu “mercado de
transferências”; os “foras de jogo” que criticava, foram substituídos pela temática da
imigração; a revolta sobre “penáltis” por assinalar, deram lugar à luta contra a corrupção;
as invectivas apontadas à formação das equipas são, agora, dirigidas às “elites instaladas”
e às “forças socialistas”; a superstição e o ritual que, em regra, antecede o início do jogo
também está presente na actuação de AV, com as suas idas dominicais à missa (e assim
foi na primeira parte do “jogo eleitoral” de 18-01).
A resposta à questão inicial, a concretizar, no dia 08-02-2026, é, portanto, simples…

Luís Costa

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