
Vivemos um tempo em que os jogadores de futebol parecem jogar por amor a tudo menos à camisola. A busca incessante de bons contratos e o sonho de singrar num mundo tão competitivo, e em que parece valer tudo para ganhar, levam a que haja cada vez menos jogadores que se tornam símbolos dos clubes. Há, até, atletas que conseguem trocar duas e três vezes de emblema numa só temporada desportiva e que, quando marcam um golo, até são capazes de beijar o emblema da camisola que envergam…
Por isso, Zé Povinho tira o chapéu a Thomas Militão, o grande capitão do Caldas, que acaba de atingir a incrível marca de 117 jogos completos e consecutivos pelo clube em partidas oficiais. Este é um caso raro de fidelidade a um emblema e que, por isso, merece ser ressalvado, pois quem joga ao nível de um Campeonato de Portugal só o pode fazer por paixão ao jogo e ao clube.
Este caldense, de 28 anos, já teve, certamente, propostas para seguir a carreira noutras paragens, mas o certo é que nunca conheceu outro clube e, a nível sénior, já fez mais de 250 partidas pelo Caldas, entre Campeonato de Portugal e Taça de Portugal. Se tudo correr como o previsto, Thomas Militão pode vir a tornar-se no jogador da história que mais vezes defendeu o pelicano dentro de um relvado e tornar-se, desse modo, num dos grandes símbolos do clube, provando assim que ainda há valores pelos quais é possível lutar no mundo do desporto, nomeadamente, como neste caso, o futebol, no qual temos assistido, nos últimos tempos, apenas maus exemplos, sobretudo relacionados com falta de cultura desportiva e fenómenos de violência.










