
Evento aposta cada vez mais na formação e afirmação a nível internacional
Cerca de 85 toneladas de chocolate estão em Óbidos, até 22 de março e podem ser apreciados nas suas mais diversas formas. A 22ª edição do Festival Internacional de Chocolate abriu portas no sábado, um dia depois do previsto devido às condições climatéricas adversas. Na visita inaugural o presidente da Câmara, Filipe Daniel, lançou o desafio para a criação de um bolo identitário de Óbidos, que obedeça a alguns requisitos: na sua composição tem de ter chocolate e ginja d’Óbidos, mas também poderá ter outros produtos identitários da região como a pera Rocha ou a maçã de Alcobaça. A sugestão foi dada na visita ao polo da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO) e a chef Tânia Duarte acedeu prontamente. “Vou tentar fazê-lo. Na pastelaria, apesar de tudo ter técnica e ser uma ciência, tudo está ligado à criatividade”, disse à Gazeta das Caldas a ex-aluna da escola, que promete “uma novidade” para a próxima edição.
Numa edição dedicada à arte, as esculturas de chocolate homenageiam a temática duplamente, desde logo pelo trabalho dos chocolateiros, mas também pelas peças apresentadas: um momento do bailado “Lago dos Cisnes” de Tchaikovski, as figuras do escritor Fernando Pessoa e da atriz Marilyn Monroe, ou ainda uma interpretação tridimensional da pintura “O Grito” de Edvard Munch, que estava a ser terminada, ao vivo, pelo chef Bruno Santos. Novidade nesta edição é o Museu de Arte em Chocolate, que expõe joias, esculturas e pinturas icónicas, como a Monalisa de Leonardo Da Vinci, ou uma tela de Josefa d’Óbidos, tudo em chocolate.
No recinto da cerca do castelo estão instalados dois palcos, onde mais de meia centena de mestres chocolateiros realizam showcookings e decorrem concursos e demonstrações. Há ainda ateliers que ligam o chocolate às mais variadas formas de arte, uma Enoteca e um espaço dedicado ao fado – a Casa da Mariquinhas.
A Costa do Marfim, maior produtor de cacau do mundo (responsável por cerca de 40% da oferta global), está este ano representada no festival e apresenta a sua herança cultural através das danças, gastronomia típica, atividades pedagógicas e conferências. Annick Bakou, embaixadora da República da Costa do Marfim, marcou presença no evento, destacando a importância de fazer a promoção do seu cacau no festival. “A Costa do Marfim está a fazer de tudo para transformar o cacau em chocolate, porque tem um maior valor agregado”, explicou. Também Lézié Zamblé, responsável pela representação da Costa do Marfim no festival, manifestou que este é o evento que ficará a constar do seu calendário, acrescentando que, para Óbidos não trouxeram apenas o fruto que produzem, mas também artesãos e a culinária deste país africano, onde o cacau é um ingrediente comum.
No jantar de abertura, que decorreu na sexta-feira à noite com a presença dos parceiros, o presidente da Óbidos Criativa, Pedro Rodrigues destacou que este festival “constrói-se em conjunto, agrega partes interessadas e funciona como um todo”.
Para Francisco Siopa, esta edição foi a “mais exigente” desde que é curador, mas também a “melhor” de sempre, caracterizou. Destaca o relevo dado à formação, num festival que “não quer agradar a todos”, mas antes “ser relevante” e uma lufada de ar fresco no panorama dos eventos gastronómicos em Portugal”, formando públicos e inspirando novos profissionais. “Quer elevar o chocolate a um lugar onde nunca foi verdadeiramente colocado em Portugal: ao centro da conversa cultural”, resumiu.
O festival, que se realiza há mais de duas décadas, tem crescido em dimensão, qualidade e notoriedade, assumiu o presidente da Câmara, Filipe Daniel, acrescentando que se tratou de uma “construção estratégica, consistente, muitas vezes exigente, feita com visão e com coragem”. Mas um crescimento que, para o autarca, não se mede apenas em números de visitantes (que nesta edição são esperados 120 mil), mas também pelas “oportunidades que gera” para empresas locais, para produtores, para o setor da restauração, para os institutos formativos e para os projetos académicos que se cruzam com o evento. Recordando as intempéries recentes, Filipe Daniel referiu que, ao contrário de alguns municípios que estão a desistir dos seus eventos, Óbidos pretende continuar a realizá-los porque “há toda uma economia, composta por produtores, empresas e particulares, que dependem da nossa dinâmica dos eventos”.










