
A obra de arte que homenageia filho da terra foi inaugurada, a 8 de março, com a presença do atual patriarca de Lisboa, Rui Valério
José Policarpo nasceu 26 de fevereiro de 1936, no Pego (Alvorninha) e, feita a escola primária acabou por ir para o seminário de Santarém. A 15 de Agosto de 1961 fez a sua ordenação sacerdotal e vai para o Externato de Penafirme, do qual chegou a ser diretor. Doutorou-se em Teologia em Roma e, anos depois, obtém a sagração episcopal. Foi reitor da Universidade Católica e também do Seminário dos Olivais anos antes, onde marcou várias gerações de padres. Tornou-se Patriarca de Lisboa em 1998 e, três anos depois, o Papa João Paulo II criou-o cardeal. Viria a falecer a 12 de março de 2014 devido a complicações surgidas com um aneurisma na aorta.
No domingo, a paróquia de Alvorninha prestou-lhe homenagem, com a inauguração de um memorial, cerimónia que decorreu após a missa presidida pelo Patriarca de Lisboa, Rui Valério.
O responsável pela Diocese de Lisboa referiu-se a José Policarpo como um homem de “profunda fé” e, ao mesmo tempo, de “profunda comunhão com o mundo”, destacando a sua atenção aos movimentos culturais, com os quais ele manteve sempre uma relação de proximidade. Por outro lado, “manteve sempre este cordão umbilical ligado a Alvorninha, nomeadamente à aldeia do Pego”, acrescentou, lembrando que ao domingo, depois dos compromissos pastorais, “ele “voava” imediatamente para a sua terra natal”. E esta ligação às suas raízes era de tal forma que, “fosse qual fosse a temática, só se fosse de todo impossível, inviável, é que ele não começava por fazer referência à sua terra”, recorda Rui Valério.
A homenagem agora feita tem, para o Patriarca de Lisboa, um duplo sentido. “Por um lado, é uma homenagem de memória, de evocar quem foi e o que fez, mas por outro lado, mostra como a sua mensagem e a sua ação não perdem validade com o passar do tempo, ele é um homem da atualidade”, salientou.
Da autoria do escultor Carlos Oliveira, o memorial é um alto relevo feito com base numa fotografia de D. José Policarpo, que a paróquia de Alvorninha selecionou. “Ele está, precisamente, com o olhar o mais longe possível, para o horizonte”, salientou o autor que, mais tarde, durante o almoço convívio, viria a partilhar um vídeo da elaboração da peça artística em pedra, tendo como parceira a empresa MVC – Mármores Vigário e Coelho, com quem Carlos Oliveira trabalha há cinco anos.
Preservar a memória
“É motivo de grande orgulho para todos nós saber que um homem com o seu percurso, a sua inteligência, a sua humanidade e o seu sentido de serviço tem raízes nesta terra”, começou por destacar o presidente da Junta de Alvorninha, Filipe Caetano, acrescentando que guardam essa “memória com carinho e com profundo respeito”. A homenagem agora levada a efeito é, também, “um gesto de gratidão” e o memorial uma forma de preservar a memória e transmiti-la às gerações futuras. Também o edil caldense destacou a “marca” deixada por José Policarpo e apelou à reflexão sobre o exemplo e a mensagem que transmitiu ao longo do seu percurso.
“E são estes momentos também que nos fazem pensar que quando nos juntamos num determinado propósito, ele consegue ser atingido”, realçou Vítor Marques, apelando à união para “fazer melhor pela nossa terra e pela nossa comunidade”.
Fernando Costa, atual presidente da Assembleia Municipal e ex-presidente da Câmara das Caldas, teve o “privilégio” de conviver de perto com José Policarpo, que caracterizou de um “homem intelectualmente superior, com uma vasta cultura, com um grande conhecimento da humanidade, das Caldas e da sua freguesia”, lembrando que havia, entre ambos, “uma simpatia recíproca”.
O antigo autarca lembrou a “ideia”, que não se viria a concretizar, de criar uma faculdade de Medicina da Universidade Católica (onde José Policarpo era reitor) para as Caldas, junto ao Hospital. No entanto, pouco tempo depois, o antigo externato Ramalho Ortigão viria a acolher a Escola Superior de Biotecnologia. “D. José não me convidava só para que a estrada do Pego fosse melhorada, ou para que tivesse abastecimento de água. Chegou lá a estrada, chegou lá a água, mas D. José era um homem interessado no desenvolvimento de Alvorninha e das Caldas”, acrescentou.
Organizada pela Paróquia da Alvorninha, e com um investimento global a rondar os 15 mil euros, a homenagem realizou-se a 8 de março, um domingo entre a data de nascimento (26 de fevereiro) e do falecimento (12 de março), explicou Virgílio Leal dos Santos, do conselho económico da Paróquia de Alvorninha.









