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Maçã de Alcobaça quer “ser a mais limpa do mundo”

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Produto tem sido associado a grandes valores, como a origem e o sabor garantidos

Este é o próximo desígnio deste fruto que está a celebrar um quarto de século e tem sabido evoluir ao ponto de se tornar uma marca regional

A Maçã de Alcobaça está a celebrar 25 anos da criação da marca coletiva. Antes, em 1994, havia sido criada Indicação de Geográfica Protegida. Um quarto de século depois da criação desta marca que é hoje um símbolo do território, recordamos com Jorge Soares, presidente da Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça, este marco, que uniu as dezenas de marcas que existiam, ganhando dimensão, acesso ao mercado e um associativismo empresarial que permitiu uma cooperação comercial, mas também promocional e até técnica. Até então existia competição, a partir daí parceria. E a evolução tem sido notória.

“A Maçã de Alcobaça, pelas características que tem, pela região onde é produzida e pelos fatores ambientais que lhe associamos, é um super-alimento”, afirma, notando que esta é “a única marca de frutas e legumes frescos que obriga a parâmetros de sabor. As normas portuguesas e europeias de classificação da fruta não vão ao sabor, é aspeto: tamanho, cor, defeitos, tem tudo a ver com aspeto. Nós, a nós próprios, obrigamos a que tenham sabor. Se não tiverem o mínimo de sabor, açúcar, acidez, crocância e suculência, não a vendemos como Maçã de Alcobaça”.

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Esse foi parte do caminho. Dado que era impossível competir pela quantidade, a aposta foi na diferenciação do produto, focada em crescer em termos de produção, mas tentando “sempre que as nossas maçãs não perdessem o perfil tradicional que tinham do ponto de vista do sabor”. O associar “o produto de grandes valores, com a origem garantida, sabor garantido e um sistema de produção ambiental garantido”, dado que para a Maçã de Alcobaça é obrigatório produzir segundo um sistema oficial certificado de produção integrado”, algo que é facultativo a nível nacional, também foi fundamental, “por um lado, para respeitarmos o ambiente, mas por outro, para produzirmos maçãs cada vez mais limpas”.

É que, atualmente, em “grande parte das nossas maçãs não são detetadas nenhumas substâncias farmacêuticas, apesar de se poderem usar para proteger as macieiras de algumas doenças, mas já conseguimos produzir e, no fim, as maçãs estão limpas, já as certificamos como maçãs de zero resíduos de produtos fitofarmacêuticos”, conta.

“Nos próximos 25 anos queremos ser a maçã mais limpa do mundo e a que produz mais serviços de natureza e de ecossistema”, aponta, explicando que começaram este caminho com o primeiro ecopomar, no Vimeiro, e que agora têm já 112 com pedidos de classificação.

Trata-se de uma “transformação e transição ecológica que nos vai permitir este ano produzirmos quase metade das nossas maçãs limpas e certificadas como maçãs com zero resíduos de produtos fitofarmacêuticos detetados”.

Cinco pontos estratégicos
Recentemente, a APMA apresentou o seu plano estratégico ao Ministro, ao secretário de Estado e ao presidente da APA. O foco é que este seja um sistema agrícola “mais ecológico” e que “irá produzir as melhores maçãs do mundo em termos de sabor, mas que queremos que produza as maçãs melhores do mundo em termos ambientais, não só por serem mais limpas, e até 2028 queremos ser reconhecidos e certificados como o primeiro sistema agrícola em Portugal como um sistema que restaura a natureza” e, dessa forma, demonstrar que “é possível fazer agricultura, criar riqueza, cuidar do espaço rural e produzir mais serviços de natureza do que muitas vezes um sistema abandonado”.

Hoje em dia estão “já a conseguir ter pomares em que, ao fim da vida, o solo é mais fértil do quando foi plantado”. Atualmente estão na fase de identificar e quantificar e depois pretendem certificar. “Quando tivermos estas três coisas feitas, que penso que vai acontecer no espaço de um ano, nós teremos os chamados créditos de natureza, que é uma coisa com muito mais valor do que um crédito de carbono”.

O documento apresenta um projeto de reservatórios de água feitos de forma pública, enquanto estão a “sensibilizar a comunidade a fazer charcas dentro das propriedades”. Estão atualmente “a fazer um estudo que vamos oferecer à OesteCIM até ao fim do ano em que identificamos um local por cada município, junto às linhas de água, onde fazer um grande reservatório com um mínimo de impacto para as populações”. Isto seria importante “numa região onde 3 a 4 meses do ano vivemos em seca”, sendo que “os ecopomares podiam produzir mais 10% se não vivessem em regime de seca e isso aumentava a nossa competitividade”. Acresce que na região, há uma “incompetência” dado que num, ano normal, “chovem 12 vezes mais do que o consumo de água na agricultura” e vai toda para o mar e causa estragos aos agricultores, às vilas, às cidades ribeirinhas.

Assim, “podíamos estar a poupar os aquíferos subterrâneos, que é do que vivemos”, uma vez que atualmente “cada agricultor tem que fazer um furo, ir buscar água a centenas de metros de profundidade com grandes custos de investimento e energéticos e cada vez mais com menos disponibilidade e com mais sais, ou seja, com menos qualidade”, sendo que “essa água podia servir de reserva estratégica, porque temos água de superfície e somos obrigados a deixá-la ir”.

Um outro projeto é a criação de espelhos de água, “porque as linhas de água não têm que estar secas três a quatro meses por ano e não têm que ser corredores de água e, por vezes, de esgotos, queremos que tenham água permanentemente e é possível” com a colocação de pequenos açudes.

Há ainda um foco no fruiturismo, com um programa como existe para o enoturismo ou para o olivoturismo, “mas infelizmente nunca houve um programa político de apoio e estímulo a esta atividade”, aponta, referindo que têm “mais de meia centena de fruticultores disponíveis para recuperar edificado ou fazer novo para criar espaços para receber as pessoas” e que isso “permitiria criar uma atividade complementar aos fruticultores”.

Há ainda uma preocupação com o facto de que a “região tem passado ao lado dos programas de apoio ao investimento”, lamenta, criticando os sistemas de pontos existentes que impedem a região de “competir e concorrer em igualdade de circunstâncias”, pelo que solicitaram que se acabe “com essa desigualdade e injustiça social”. Há municípios com mais de 100 projetos aprovados e no Oeste, que tem 12 municípios, são menos de 20.

A Festa da Maçã
Este ano a Feira de São Bernardo, que recebeu milhares de visitantes, dedicou uma atenção especial à Maçã de Alcobaça e o ministro da Agricultura e do Mar esteve presente na inauguração. À Gazeta das Caldas o presidente da Câmara, Hermínio Rodrigues, destacou o papel económico e social deste fruto.

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