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O 16 de Março e a revolução

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A conferência teve como oradora a comissária para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola

Conferência deu início às comemorações deste ano nas Caldas

O pretexto para sessão era a comemoração dos 52 anos do 16 de Março de 1974, mas a historiadora e comissária para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, propôs-se a falar de outras datas que, integradas no período da revolução, não integram a memória coletiva. “Não se percebe o que é a democracia sem o 25 de novembro e sem o 16 de março, mas [estas datas] precisam ser contextualizadas e inseridas num percurso para entender como foram, de facto, fundamentais”, salientou, no início da conferência “O 16 de Março e a construção da democracia portuguesa”, que decorreu na tarde de 14 de março, no CCC.

Começou por salientar que a ideia transmitida pelo antigo regime de que o 16 de Março foi “algo isolado e mal preparado” não é verdadeira. “O 16 de março é reflexo da sociedade e das forças armadas cansadas com aquela ditadura que durava há quase meio século. Mas é também a abertura de porta para o 25 de Abril e para a conquista da democracia”, salientou.

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Reconhecendo que há um consenso em relação à data – 25 de Abril de 1974 – como o acontecimento mais importante da nossa história, Maria Inácia Rezola fez uma contextualização do mundo nessa altura e dos 18 meses da revolução, que terminariam no golpe de 25 de novembro de 1975. Durante esse período houve dois presidentes da República (António de Spínola e Costa Gomes), seis governos provisórios e três tentativas de golpe de Estado, o 28 de setembro, o 11 de março e o 25 de novembro.

Entre o público presente, Jorge Sobral manifestou a admiração dos caldenses para com o 16 de Março, que considerou um “ato de grande dignificação da atividade revolucionária”, embora não tivesse obtido o resultado esperado. “Nós caldenses temos por essa data como que um estado de vida, algo que nos está a chamar a atenção de que se é capaz mesmo que as coisas possam não correr bem. Houve ousadia, honradez, heroicidade e nós não queremos que as Caldas perca isso”, manifestou.

Fernando Costa deixou, desde logo, o lamento por as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril terem deixado “o 16 de Março um pouco afastado, quando acho que este tinha de ser um ponto central nessas comemorações”. E, lembrando que o atual Presidente da República, António José Seguro, está ligado às Caldas, espera que a data lhe veja agora ser dada a “dimensão que merece”, pois é o precursor do 25 de Abril.

De acordo com Maria Inácia Rezola, a comissão associou-se às comemorações que estavam previstas para as Caldas da Rainha. Houve tentativas para que o Presidente da República estivesse presente, mas não foi possível, no entanto, a comissária esteve a assinalar a data nas Caldas, numa sessão com escolas e nas comemorações oficiais.

“O 16 de Março faz parte da conspiração dos capitães e é uma peça no processo que nos conduz ao 25 de Abril. Não era só Otelo Saraiva de Carvalho que estava presente como o MFA estava empenhado e tirou lições do que se tinha passado nas Caldas, e só isso tornou possível a forma exemplar dos preparativos para o 25 de Abril e as operações que foram levadas a cabo”, explicou a historiadora.

A vereadora Conceição Henriques destacou a importância de revisitar as várias datas associadas ao processo da revolução, algumas delas esquecidas no tempo.

Ainda no dia 14 de março foi inaugurada a exposição “25 de Novembro: um passo nos caminhos da Democracia”, no CCC, e que atualmente se encontra patente no átrio da Câmara das Caldas. A mostra, de entrada gratuita, estará patente ao público até ao próximo dia 30 de março, de segunda a sexta-feira, fazendo reflexão sobre o percurso da revolução, entre 1974 e 1976, através de documentos, imagens e narrativas.

A exposição que agora se encontra patente no átrio da Câmara
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