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Praça da Fruta é caso de estudo em projeto que envolve 10 países

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O workshop, que decorreu em inícios de junho, juntou vendedores, produtores, consumidores, técnicos e executivo da Câmara e representantes do setor alimentar da área envolvente à Praça da Fruta

Projeto europeu BLUMI-MED quer perceber como os mercados podem contribuir para sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos

A Praça da Fruta, juntamente com o Mercado Biológico do Campo Pequeno, são dois casos de estudo, em Portugal, do projeto europeu BLUMI-MED – Boosting Local Urban Markets in the Mediterranean. Com um orçamento superior a 4 milhões de euros, financiado pelo programa PRIMA (Partnership for Research and Innovation in the Mediterranean Area) da União Europeia, decorre entre 2025 e 2028 e envolve instituições de investigação e outras organizações de 10 países da região mediterrânica: Alemanha (país coordenador, sem casos de estudo), Argélia, Croácia, Espanha, França, Jordânia, Líbano, Portugal, Tunísia e Turquia.

Em Portugal, o projeto é liderado pela NOVA School of Science and Technology, da Universidade NOVA de Lisboa, através do CENSE – Center for Environmental and Sustainability Research, em colaboração com a AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, parceira do projeto, e com a Câmara das Caldas da Rainha, enquanto entidade colaboradora externa.

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Este projeto tem por objetivo compreender de que forma os mercados urbanos e periurbanos podem contribuir para sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos e, com base nesse conhecimento, desenvolver recomendações que apoiem a sua valorização e sustentabilidade. No total, serão estudados 16 mercados locais em oito países, permitindo comparar diferentes realidades e identificar fatores que favorecem a sustentabilidade e a resiliência dos mercados tradicionais. No caso português, o Mercado Biológico do Campo Pequeno, promovido pela AGROBIO, em Lisboa, e a Praça da Fruta, nas Caldas da Rainha. representam modelos distintos de comercialização de produtos locais, permitindo analisar diferentes desafios e oportunidades associados aos mercados de proximidade.

A Praça da Fruta foi selecionada por “constituir um mercado tradicional emblemático, com uma forte identidade local e um papel relevante na ligação entre produtores e consumidores, na valorização dos produtos e da cultura locais e na dinamização da economia regional”, explicou Jessica Loureiro, uma das investigadoras que participa no projeto. De acordo com a responsável, o estudo está a ser desenvolvido através de uma abordagem participativa, envolvendo vendedores, produtores, consumidores, entidades públicas e outras organizações locais. Numa primeira fase, foi realizada uma caracterização da Praça da Fruta através da recolha de informação, observação no terreno e breves entrevistas com diferentes intervenientes. Seguiu-se, em inícios de junho, um workshop onde participaram vendedores, produtores, consumidores, técnicos e executivo da Câmara e representantes do setor alimentar da área envolvente à Praça da Fruta, com o objetivo de identificar os principais desafios e oportunidades do mercado e discutir possíveis estratégias para reforçar a sua sustentabilidade. Recolhido um “conjunto diversificado” de perspetivas sobre o funcionamento da Praça da Fruta e os desafios que atualmente enfrenta, a equipa identificou algumas prioridades que considera fundamentais para o futuro do mercado. Entre os temas que “surgiram de forma mais consistente”, os investigadores destacam a preservação da identidade e do património cultural da Praça da Fruta, o reforço das relações entre produtores, vendedores, consumidores e entidades locais, a necessidade de assegurar a viabilidade económica do mercado e promover a renovação geracional de produtores e vendedores, bem como a valorização dos circuitos curtos de comercialização e da produção local. Foram também identificadas oportunidades de melhoria das infraestruturas, da acessibilidade e da atratividade do mercado, salvaguardando simultaneamente o seu carácter tradicional, concretizam.

A sessão que dinamizaram nas Caldas evidenciou igualmente a forte ligação dos participantes à Praça da Fruta, reconhecida não apenas como um espaço de comércio, mas também como um elemento da identidade e da coesão da comunidade local. “As discussões decorreram de forma construtiva e revelaram um compromisso partilhado com a preservação e valorização deste mercado tradicional”, explica Jessica Loureiro, dando nota de que vários participantes manifestaram interesse em continuar envolvidos nas próximas fases do projeto.

Estas conclusões “são ainda preliminares e integram um processo de investigação mais alargado, que continuará ao longo do projeto”, ressalva a investigadora. Os resultados obtidos serão complementados através de entrevistas, novas atividades participativas e outras análises destinadas a aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento, os desafios e as oportunidades associados à Praça da Fruta.

Numa fase posterior do projeto, os resultados dos diferentes mercados serão analisados de forma comparativa, permitindo identificar fatores comuns e especificidades dos mercados locais da região mediterrânica. Este trabalho “contribuirá para o desenvolvimento de recomendações destinadas a reforçar a sustentabilidade, a resiliência e o papel dos mercados locais na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos”, explicou Jessica Loureiro à Gazeta das Caldas.

Vários participantes manifestaram interesse em continuar envolvidos nas próximas fases do projeto
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