OesteCIM desafia AIRO e Nova IMS a criarem polo permanente na região
A apresentação do Polo de Inovação Digital AI4PA Portugal EDIH, da Nova IMS, que decorreu na manhã de terça-feira no auditório da Expoeste, reforçou a mensagem de que a transformação digital é hoje uma condição de competitividade incontornável para as pequenas e médias empresas. A inteligência artificial deixou de ser um luxo tecnológico para se converter numa ferramenta essencial de sobrevivência empresarial.
Jorge Barosa, presidente da AIRO, destacou que “vivemos um momento decisivo para as empresas portuguesas. A transformação digital deixou de ser uma tendência para passar a ser uma condição de competitividade”. As PMEs que adotam ferramentas digitais e inteligência artificial “não só trabalham no mercado, como trabalham de forma mais segura, mais rápida e mais orientada a resultados”, realçou.
O objetivo do programa é “desmistificar o digital, aproximar a inteligência social das empresas e mostrar que estas tecnologias não pertencem apenas às grandes organizações”, realçou.
Miguel de Castro Neto, Diretor da Nova IMS, explicou como a inteligência artificial e ciência dos dados podem impactar três áreas críticas: experiência do cliente, eficiência operacional e modelos de negócio.
Na experiência do cliente, é possível “ter uma relação de grande intimidade com o cliente” através de personalização e automação. “A resposta é dada em função daquele cliente em concreto, desde o momento em que ele manifesta interesse até o momento em que ele faz a compra e mesmo depois”, descreveu.
Na eficiência operacional, os ganhos concretos. “O processamento manual de faturas deixou de ser necessário porque eu posso ter um software de reconhecimento de caracteres e inteligência artificial”, apontou. Miguel de Castro Neto referiu o exemplo de uma seguradora portuguesa onde acidentes são registados automaticamente com localização, condições meteorológicas e descrição, acelerando todo o processamento.
Mas há um desafio fundacional que muitas empresas ainda ignoram, a governação de dados, que o diretor da Nova IMS disse serem ainda, “provavelmente, o maior calcanhar de Aquiles na maior parte das organizações”. “Os sistemas informáticos muitas vezes são escassos, quando existem, são ilhas, não estão interligadas uns com os outros”, disse. Isto significa que “não conseguem passar de estar rodeado de um cemitério de dados e não conseguem transformar numa mina de informação”.
“Não há nenhuma PME que possa não tirar partido da transformação digital à data de hoje. E portanto, temos de enfrentar isso como desafio ou como oportunidade, porque é incontornável”, acrescentou.
Paulo Simões, Secretário Executivo da OesteCIM, lançou um desafio formal à AIRO e à Nova IMS. “Nós estamos a caminhar para, eventualmente, termos aqui um polo ou alguma coisa mais material, da Nova IMS. E porque não fazemos algo de estruturante com as empresas, com a AIRO e com a CIM, para apoiar as empresas nesta transição digital”, sugeriu. O desafio inclui criar “uma estratégia consolidada, sólida para apoiar a transição digital das nossas empresas da região Oeste” através de protocolo formal entre Nova IMS, AIRO e a OesteCIM. “Os atores mais importantes do desenvolvimento do território são os empreendedores”, reforçou Simões.
Um elemento diferenciador do programa é a existência de financiamento concreto. “No contexto do AI4PA temos um fundo que pode financiar pilotos, pode financiar projetos, a fundo perdido, já com 60%”, revelou Miguel de Castro Neto. “Podemos fazer projetos piloto, algumas provas de conceito, alguma formação com base neste fundo”, completou. Recentemente foi divulgado ainda “o aviso de inteligência artificial para as PMEs” para colocar ao serviço das empresas os possíveis financiamentos que podem ajudar a promover esta transformação digital.
O diretor da Nova IMS reforçou que a transformação digital requer um caminho progressivo: primeiro, estabelecer governação de dados; depois, capacidades analíticas; finalmente, soluções de inteligência artificial. “Nós temos que olhar para este desafio, não como uma cereja no topo do bolo. Isto é uma receita e eu tenho que começar por fazer as fundações”, concluiu.







