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“Bons Reis Magos” no Avenal e Pereiro

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Ritual da pintura dos ‘Bons Reis Magos’ no Pereiro

Aldeias serranas do Cadaval celebram noite dentro ritual que atrai muitos forasteiros

Na freguesia do Vilar, a tradição voltou a cumprir-se nas aldeias serranas de Avenal e Pereiro, na noite de segunda para terça-feira, com a celebração dos ‘Bons Reis Magos’, em que a população veio mais uma vez para a rua e, em clima festivo, desejou aos moradores um bom ano e, nas fachadas das casas, uma pintura voltou a marcar a entrada de mais um ano. Simultaneamente, como tem sido ao longo de muitos anos, as portas das garagens e adegas abriram-se para que o povo pudesse entrar e servir-se de doces e bebidas em sinal de partilha e festa. Promovidas pelas associações culturais e recreativas das duas aldeias do concelho do Cadaval, são muitas as pessoas oriundas de outros lugares do município e também de concelhos vizinhos, como Bombarral e Lourinhã, que se associam às festividades.

Esta tradição tem também uma forte expressão no concelho de Alenquer, com o qual o Cadaval partilha o território da Serra do Montejunto, mas, de um lado e do outro, há as suas singularidades. Se nas aldeias serranas alenquerenses o ‘Pintar e Cantar dos Reis’ é promovido de uma forma mais discreta e tranquila, já pelas terras cadavalenses tem vindo a assumir um momento de festividade, com música e cânticos associados à pintura da simbologia nas paredes com a Estrela do Oriente e o B. R. M. (Bons Reis Magos), seguida do ano em questão. O ‘Pintar e Cantar os Reis’ é uma tradição com origens medievais cristãs, que conjuga influências árabes e cultos pagãos da época romana, estando associada à celebração da Epifania, do Presépio e dos Reis Magos, com a chegada dos monges Franciscanos a Alenquer, no século XIII, onde construíram o primeiro convento na Serra do Montejunto. Este ritual pretendia ser um voto de felicidade para o novo ano, que tinha início a 6 de janeiro no calendário romano.

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Depois de ouvido o rebentar de um foguete, o ponto de partida da Noite de Reis é feito na sede da Associação Cultural, Desportiva, Recreativa e de Melhoramentos do Pereiro, onde surge a primeira das cerca de duas dezenas de pinturas nas fachadas das casas da aldeia. Entoados os primeiros cânticos, o cortejo desce até à primeira casa da povoação e, pouco a pouco, volta a subir com as paragens ao longo da noite nas habitações previamente escolhidas. As portas dos donos das casas abrem-se a todos os visitantes, que dão a partilhar comida e bebida às centenas de pessoas que vão surgindo, madrugada adentro, para acompanhar o ritual. Depois da meia-noite há frango assado oferecido pela Junta de Freguesia do Vilar para todos os convivas e os festejos só terminam ao raiar do dia, junto ao moinho da aldeia, iluminado com luzes de Natal. A associação produz e vende para ajudar as despesas para a celebração deste ritual, uma pequena caneca de barro para os visitantes provarem o vinho que cada casa tem para oferecer. Um almoço na sede da associação, já na terça-feira, encerra mais uma edição dos ‘Bons Reis Magos’. Nem a chuva ou frio afastaram as gentes da serra e é garantido que para o ano há mais.

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