
Manuel Bandeira Duarte
Designer e artista
Iniciar um novo ano civil traz sempre consigo uma sensação de página em branco, uma página por desvendar e descobrir. Uma sensação agridoce com diversos sinónimos que denotam o tempo de balanço e, sobretudo, de projeção. Por cá, nas Caldas da Rainha, essa projeção deveria ser ponderada à luz da criatividade: um território fértil, acessível e com potencial para crescer de forma próspera… sabendo cuidar do que já temos e, em simultâneo, acreditar no que ainda está por vir.
A criatividade faz parte das nossas raízes, da nossa cidade e do nosso espírito. Está nas ruas, nas escolas, nos ateliês, nas associações, nos projetos independentes e nas pessoas que insistem (positivamente) em criar, mesmo quando os contextos não são fáceis. É urgente que continuemos a encarar estas áreas não como algo secundário, mas como um motor real de desenvolvimento, identidade e futuro. Um futuro que pode ser acessível se houver abertura, diálogo e investimento humano.
Talvez 2026 seja um bom ano para “beber” um pouco deste espírito criativo. Para o absorver com curiosidade e em preconceitos, permitindo que ele contamine positivamente e ainda mais o nosso quotidiano. A criatividade não pertence apenas aos artistas: ela vive nas ideias simples, nas soluções improvisadas, na valorização do trabalho, na forma como comunicamos, ouvimos e reagimos uns com os outros.
E aqui entra uma responsabilidade coletiva: cuidar mais do dia a dia, das palavras que escolhemos e da forma como as dizemos. Ser criativo também é ser consciente, atento e responsável. É saber quando falar, como falar e, tantas vezes, quando ouvir. Um futuro mais próspero constrói-se com respeito, atenção, empatia e intenção.
Que este novo ano traga um espírito forte de iniciativa, compreensão e criatividade.
Que saibamos valorizar os pequenos momentos, viver novas experiências e traçar metas possíveis e, de preferência, ambiciosas. Que haja espaço, tanto real como simbólico, para a arte, para os criadores e para todos os que dinamizam culturalmente a cidade – muitas vezes de forma invisível, mas essencial.
Acima de tudo, que sejamos mais empáticos. Que consigamos olhar o outro com mais humanidade, reconhecer fragilidades e celebrar conquistas, mesmo as mais discretas.
Porque uma cidade criativa não se mede apenas pelo que produz, mas pela forma como cuida das pessoas que a constroem todos os dias.
Que 2026 seja, para Caldas da Rainha e para os caldenses, um ano vivido com intenção, sensibilidade e coragem para criar.








