Vítor Ilharco
Personal Trainer
O excesso de peso e a obesidade são definidos pela acumulação excessiva de gordura corporal, associada a um aumento do risco para a saúde. Atualmente, este problema assume proporções epidémicas. Em 2022, estimava-se que 42% dos adultos no mundo apresentavam excesso de peso e 16% obesidade. Em Portugal, os dados são igualmente preocupantes: cerca de 62% da população adulta vive com excesso de peso ou obesidade.
A classificação mais utilizada é o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir do peso e da altura. Apesar de ser um indicador útil em termos populacionais, deve ser interpretado com cautela, uma vez que não distingue massa gorda de massa muscular nem reflete a sua distribuição. Nesse sentido, medidas como o perímetro da cintura são particularmente relevantes, já que a gordura abdominal está fortemente associada ao risco cardiovascular e metabólico.
A principal causa do excesso de peso e da obesidade é um balanço energético positivo persistente, em que o consumo calórico excede o dispêndio energético. Ou seja, diariamente, são ingeridas mais calorias do aquelas que são gastas. No entanto, reduzir este fenómeno a uma questão de força de vontade é uma simplificação excessiva. O peso corporal resulta da interação de múltiplos fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, ambientais, culturais e socioeconómicos, num contexto que favorece escolhas alimentares de elevada densidade calórica e estilos de vida cada vez mais sedentários.
As consequências são amplas. Em adultos, o excesso de peso é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, doenças musculoesqueléticas, respiratórias e problemas de saúde mental. Na infância, o impacto é ainda mais grave: crianças com obesidade apresentam maior probabilidade de se tornarem adultos obesos, com maior risco de doença, incapacidade e morte prematura, além de prejuízos no bem-estar psicológico e no rendimento escolar.
A atividade física assume um papel central na prevenção e controlo do peso. Existe evidência científica forte de que níveis elevados de atividade física ajudam a controlar o ganho de peso em adultos, sendo esta relação mais evidente quando o volume semanal ultrapassa os 150 minutos de intensidade moderada. Indivíduos fisicamente ativos apresentam menor incidência de obesidade e maior probabilidade de manter o IMC dentro de valores normais. Para além do gasto energético, o exercício melhora a regulação do apetite, preserva a massa muscular e reduz o risco cardiometabólico, mesmo quando a perda de peso é modesta.
Apesar da importância das escolhas individuais, o combate à obesidade exige também políticas públicas que promovam ambientes mais saudáveis, facilitem o acesso à alimentação equilibrada e incentivem a atividade física nos contextos escolar, laboral e comunitário.
Mais do que uma questão estética, o excesso de peso é um desafio de saúde pública, que requer intervenções sustentadas, baseadas na ciência e centradas nas pessoas.






