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Recordando caldenses que se destacaram

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Uma fotografia histórica com Francisco Elias e José Soares de Oliveira ao centro

Uma fotografia histórica faz recordar o caldense José Soares de Oliveira que foi mestre no trabalho com a madeira. Ao lado, está Francisco Elias, miniaturista excecional, discípulo de Bordalo

É uma fotografia antiga, tirada no Parque e ao centro está Francisco Elias (1869 – 1937). À sua direita está José Soares de Oliveira, fundador de uma empresa que se dedicava aos trabalhos em madeira, restaurando e também criando móveis de raiz.

Era ainda um jovem empresário quando construiu, totalmente em madeira, um espaço que serviu de ponto de venda a Francisco Elias.

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Provavelmente, este ponto de venda terá feito parte de alguma feira, no final dos anos 20 do século passado, e que teve lugar no Parque D. Carlos.

Trata-se de uma grande obra feita em madeira construída pelo avô de José Oliveira e alguns colaboradores.

Ao longe, nesta primeira fotografia, ainda é possível ver o último módulo dos Pavilhões do Parque e também alguns prédios da Rua que, mais tarde, viria a ficar com o nome de Rafael Bordalo Pinheiro.

O seu avô, que faleceu em 1975, surge ao lado de Francisco Elias. Nascido nas Caldas em 1869, este ceramista foi discípulo de Bordalo Pinheiro, tal como Avelino Belo. Iniciou a carreira artística em 1886 e acompanhou o mestre durante quase duas décadas e depois o seu filho, Manuel Gustavo, até 1918, altura em que passou a dedicar-se em exclusivo às suas miniaturas. Francisco Elias teve propostas de trabalho para ir para o estrangeiro mas optou por viver nas Caldas.

Empresa teve 70 funcionários
“A empresa que o meu avô criou foi fundada em 1927, quando ele veio da tropa”, disse o neto, José Heitor Oliveira, acrescentando que este descende de uma família ligada à olaria. José Soares de Oliveira teria 25 anos quando avançou na criação do seu próprio negócio.

O neto recorda que o avô viveu uma época de ouro nas Caldas, pois a sua marcenaria era frequentada por clientes que vinham a banhos à cidade termal e “que lhe pediam muitos trabalhos de restauro de mobiliário”.

José Soares de Oliveira teve cinco filhos e uma filha e três deles (e também o genro) trabalharam na sua empresa. O neto, que estudou Contabilidade, também acabou por trabalhar na firma.

“Ele fez de facto crescer a empresa pois chegámos a ter 70 funcionários”, contou José Oliveira, acrescentando que os clientes ficavam à espera dos trabalhos pelo menos um ano.

Já em 1969, o fundador deu sociedade da empresa aos seus filhos e, como tal, a empresa passa a designar-se José Soares de Oliveira & Filhos Lda.

Continuaram pois a trabalhar essencialmente com madeiras maciças e exóticas, tendo-se vivido anos prósperos nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado.

E há uma data que é sagrada e celebrada por todos os funcionários da firma: o 1º de Maio, celebrado por todos, com almoço convívio, nas margens da Lagoa.

José Oliveira também cresceu nos Móveis Oliveira e lembra-se de ouvir muitos clientes a dizer que vinham a dois locais nas Caldas: “ao Oliveira mandar fazer novos móveis, e lanchar à Pastelaria Machado”.

“Era um homem com umas mãos incríveis!”, recordou o neto que se orgulha do passado familiar pois “foram todos mestres de marcenaria”.

A empresa dos Móveis Oliveira, depois de tempos áureos e por causa de uma mudança de gostos, começou a preparar o seu encerramento já que as novas gerações não se interessam por mandar fazer móveis de raiz.

A firma Móveis Oliveira cessou a 31 de dezembro de 2025, com 98 anos. O neto lamenta que a empresa não tenha chegado ao centenário.

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