Terça-feira, 18 _ Agosto _ 2026, 16:00
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Obra de Manuel Martins apresentada nas Caldas

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Manuel Martins e Cândida Calado na apresentação do livro, na Biblioteca Municipal

Livro que resulta da tese de mestrado do jovem historiador foi apresentada pela professora do secundário

“Muito trabalhador, estudioso e competente”. Estes os adjetivos utilizados por Cândida Calado, professora de História aposentada, na apresentação do livro de Manuel Martins, “Depois de nós, o dilúvio – Portugal e a Bélgica nos finais do império (1945-1960), que decorreu na tarde de 31 de julho na Biblioteca Municipal das Caldas. “Orgulhosa” do percurso escolar do seu aluno no ensino secundário, altura em que “já era brilhante”, Cândida Calado falou da obra, que resulta da sua tese de mestrado e que aborda a forma como Portugal e a Bélgica se relacionaram no contexto pós-Segunda Guerra Mundial.

Para a elaboração da sua tese, Manuel Martins leu praticamente toda a correspondência que o embaixador de Portugal na Bélgica, Eduardo Vieira Leitão, enviou a Oliveira Salazar, entre 1945 e 1961, e a ideia que trespassa é que “se os europeus saírem de África eles não vão conseguir governar-se”. Os belgas acabariam por sair do Congo logo em 1961, enquanto que Portugal ainda manteve as suas colónias em África por mais 13 anos, o que acabaria “por desgastar o regime”, explicou.

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E porque é que a Bélgica tomou a decisão de sair (do Congo) e Portugal decidiu ficar em Angola durante mais de uma década? “A resposta continua a ser não sei porque investigação não deu para descobrir [no período estudado]”, disse o investigador que acredita que Salazar tinha a noção de que se a guerra colonial não tivesse acontecido, que o regime acabava. Socorrendo-se da História, lembrou que cada mudança de regime em Portugal teve como principal causa uma mudança do império colonial.

Com esta investigação Manuel Martins quis continuar o trabalho dos historiadores que têm vindo a “mostrar que em 1945 Portugal não estava tão sozinho como Salazar quis fazer parecer”, porque o país tinha ingressado na NATO, era aliado dos Estados Unidos, tinha relações com a Alemanha, França, Espanha e Bélgica, pelo menos até à saída deste país de África. Em segundo lugar, mostrar que o que acontecia em África tinha tanto impacto nas decisões para os Estados Unidos como vice-versa, “que era uma relação mútua”. Interessa-lhe ver como aquilo que acontece em Angola e no Congo tem impacto no que se decide em Portugal e na Bélgica, “e acaba por ter bastante”, concretiza.

Questionado se irá continuar a sua investigação, Manuel Martins respondeu que o Congo tem uma “história apaixonante” e que mesmo que ele não a investigue, espera que alguém o faça e que aprofunde as relações de Portugal com aquele país africano. Quer fazer o doutoramento, embora ainda não saiba quanto, até porque no próximo mês irá abraçar um novo desafio, ao avançar para uma licenciatura em Enfermagem.

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