
Pelicanos somam quarta de cinco vitórias em casa pelo mesmo resultado e com reviravolta e já estão no segundo lugar
Quando uma coisa acontece muitas vezes, deixa de ser coincidência e passa a ser “regra”, ou um hábito. Se o resultado que está na ficha do Caldas-Amora parece familiar ao leitor, é porque é mesmo. O Caldas tem cinco vitórias para a Liga 3 em casa, todos pela margem mínima. Mas há mais: quatro delas foram por este mesmo resultado (2-1), todas conseguidos com reviravolta consumada na segunda parte e com o golo decisivo apontado nos últimos minutos. O Campo da Mata, que é um anfiteatro, está, por isso, esta época transformado em palco de dramatismo para os adeptos alvinegros. Mas isso também é sinónimo de como a formação caldense resiste e prevalece perante a dificuldade.
O encontro de sábado teve uma carga emotiva logo à partida, com o plantel a prestar homenagem a Marco Cruz, adepto, sócio e membro da claque Sector 1916 (de regresso neste jogo para a homenagem) que faleceu após doença prolongada.
Após o apito inicial, a equipa de João Aguiar foi rapidamente à procura de um golo que invertesse esta tendência de sofrer primeiro em casa (só não aconteceu na vitória por 1-0 contra a Académica). A equipa alinhada num 4-2-3-1 a garantir muita profundidade e capacidade de pressão sobre o adversário, condicionando-o e remetendo-o ao seu último reduto.
Com uma asa esquerda particularmente ativa, com Farinha, Clemente e o apoio próximo de Filipe Oliveira, Gonçalo Barreiras teve duas boas oportunidades, uma devolvida pela barra, outra passou a rasar o poste.
O bom início durou cerca de 20 minutos. A partir daí o Amora conseguiu sacudir a pressão do Caldas e acabou por chegar ao golo ao minuto 25. Passividade do Caldas na zona de meio campo, bola para o corredor esquerdo, centro de Checkie a colocar a bola entre Duarte Maneta e Wilson e João Oliveira encostou para o golo.
A reação só veio na segunda parte, mas veio novamente com força. João Aguiar lançou Dani Fernandes e o jovem extremo rapidamente começou a sacudir o jogo e a trazer imprevisibilidade. O Caldas passou também de ter extremos a jogar com o pé exterior para pé interior (canhoto na direita e dextro na esquerda) e as entradas de Zé Gata e do reforço João Vieira aumentaram a capacidade ofensiva dos pelicanos. Zé Gata (70’), num belo movimento interior e remate colocado. Com o Caldas sempre em cima do Amora, foi Dani Fernandes que deu a vitória ao minuto 81, ao desviar de cabeça um livre cobrado por Zé Gata. Uma vitória sofrida, mas justa para os caldenses.
“Na Mata é até ao fim”
“Foi uma vitória à Caldas”, começou por afirmar o técnico, sublinhando a identidade competitiva da equipa quando atua no Campo da Mata. “Os adversários têm que saber que aqui é até ao fim. Já foi assim com o 1.º de Dezembro e voltou a ser agora”. Depois de uma boa entrada, “andámos ali um pouco perdidos e o Amora fez o golo. Ao intervalo disse aos jogadores que só conseguiríamos dar a volta fazendo aquilo que trabalhámos.” A resposta surgiu na segunda parte, com os jogadores saídos do banco a serem decisivos. João Aguiar destacou a importância da competitividade interna e da versatilidade tática. “Eles têm que estar preparados para jogar e para não jogar. A resposta tem sido muito boa. Trabalham muito durante a semana e quando entram dão tudo. Para mim é fundamental que o grupo todo se sinta importante.”










