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Caldas vence na Mata com duas ofertas

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Gonçalo Chaves voltou a ser determinante, com mais dois golos. Foto: Joel Ribeiro

Gonçalo Chaves bisou com “assistências” dos centrais do Sernache

O Caldas venceu pela primeira vez esta temporada no Campo da Mata, num triunfo difícil sobre o Vitória Sernache, conseguido com um bis de Gonçalo Chaves a aproveitar dois presentes dos centrais.

O Campo da Mata viu uma primeira parte equilibrada, aqui e ali com fases de maior controlo de uma e outra equipas. O Vitória Sernache começou por ter algum ascendente nos primeiros 25 minutos, a obrigar a defensiva caldense a manter-se organizada e coesa. A formação do distrito de Castelo Branco teve alguns pontapés de canto e cruzamentos que levaram sensação de perigo à área do Caldas, mas a defensiva alvinegra soube sempre resolver. A partir daí foi o Caldas que teve, no espaço de pouco mais de cinco minutos, três oportunidades para desfazer o nulo, as únicas verdadeiras ocasiões do primeiro tempo.

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Aos 27 minutos, depois de um dos cantos perigosos para o Sernache, contra-ataque do Caldas bem trabalhado na saída por Rodrigo Correia e Renato Alexandre; Gonças faz o cruzamento com qualidade para Guilherme Pio rematar de primeira ao ferro. Depois foi Chaves (27’) quem trabalhou bem a bola depois de passar um defensor contrário, o remate saiu bloqueado por Matias. Um minuto depois, cruzamento da esquerda para a cabeçada de Gonças ao lado.

Na segunda parte, continuou a toada equilibrada, até ao minuto 69. Após uma paragem para duas substituições no Caldas e três no Sernache, aconteceram os momentos do jogo. Primeiro, o Caldas recupera a bola na pressão ofensiva, Ricky coloca a bola na área, Matheus Matias tentou o corte, mas colocou a bola no coração da área, onde só estava Gonçalo Chaves e o avançado confirmou o excelente momento de forma, atirando a contar.

Dois minutos depois, foi a vez de Miguel Rosário errar um corte, de uma bola batida diretamente para o ataque por Duarte Almeida, Gonçalo Chaves, novamente no sítio certo, aproveitou a oferta para fazer o segundo golo, quarto na temporada.

O Caldas controlou até final e assegurou a segunda vitória consecutiva.

Ficha de jogo

Caldas 2-0 V. Sernache

Caldas: Duarte Almeida, Guilherme Lopes, Nando, Diogo Izata (83), Tiago Serrazina, Matheus Palmério, Rodrigo Correia (68), Renato Alexandre (58), Gonças (68), Gonçalo Chaves (C) e Guilherme Pio (58). Suplentes: Wilson Soares, Miguel Costa, Miguel Rodeia (83), Farinha, Clemente (68), Dani (68), Ricky (58), Edson Mucuana (58) e João Vieira. Treinador: João Aguiar.

V. Sernache: João Lucas, Tomás, Diego (68), Matias, Filipe (80), Bruno Souza (80), Roberto, Edgar (C), Alex (68), Henrique e André Dias. Suplentes: Lucas Bento, Paulinho (80), Miguel (68), Mauro (68), Juan Muriel, Hircano (68), Lucas Silva (80), Alvaro Pereira e Gustavo Barge. Treinador: Natan Costa.

Campo da Mata, Caldas da Rainha
Árbitro: Carlos Teixeira (AF Vila Real)
Assistentes: Artur Veiga e Márcio Ribeiro
Ao intervalo: 0-0
Marcadores: 1-0 Gonçalo Chaves (69), 2-0 Gonçalo Chaves (71)
Disciplina: amarelo a Bruno Souza (15), Rodrigo Correia (45+1), Matheus Palmério (50), Miguel (74) e Paulinho (90)

João Aguiar: “Quem aproveitasse as ocasiões estaria mais perto de ganhar”

João Aguiar considerou justa a vitória do Caldas sobre o Vitória de Sernache, num jogo que o treinador alvinegro classificou como “muito equilibrado” e no qual a eficácia acabou por fazer a diferença.

“Era uma equipa difícil, sabíamos disso à partida. Tínhamos a noção de que ia ser um jogo muito equilibrado e que quem aproveitasse as ocasiões estaria mais perto de ganhar”, explicou João Aguiar, que destacou as oportunidades criadas pelo Caldas na primeira parte, incluindo uma bola no poste e outra situação em que a equipa dispunha de superioridade numérica na área adversária.

Apesar do equilíbrio, o técnico considera que o Caldas teve maior capacidade para criar perigo. “O Sernache acabou por desmontar algumas vezes a nossa pressão, mas sem nunca criar grande perigo; nunca sentimos a nossa baliza verdadeiramente ameaçada”, afirmou.

Na segunda parte, João Aguiar sublinhou a entrada dos jogadores que estavam no banco e a estratégia definida para explorar a profundidade. “Os jogadores entraram muito bem, dando-nos aquilo de que precisávamos. Sabíamos que tínhamos de colocar a defesa do Sernache em sentido através de bolas na profundidade, explorando as debilidades deles. Foi isso que fizemos e foi dessa forma que construímos os dois golos”, explicou.

Com sete pontos somados após cinco jornadas, o treinador considera que a equipa começa a dar resposta depois de um início de campeonato complicado. “Houve uma mudança de paradigma no nosso clube, e todas as mudanças exigem fases de adaptação”, lembrou, destacando a juventude do plantel e as muitas estreias na Liga 3, a que se juntou um conjunto de lesões que afetou jogadores importantes.

“A equipa respondeu com muito trabalho e acreditando no processo, o que é fundamental. Sabíamos que, com a primeira vitória, a confiança iria aumentar”, referiu João Aguiar, acrescentando que o triunfo diante do Sernache mostrou evolução. “Hoje estivemos melhor do que na jornada anterior e voltámos a vencer.”

A melhoria defensiva é outro dos sinais positivos. Depois de ter sofrido sete golos nos encontros com Louletano e Sintrense, o Caldas manteve a baliza inviolada nas duas últimas jornadas. Para João Aguiar, “mantendo a baliza a zeros, estaremos sempre mais perto de vencer”. O treinador, contudo, recusa leituras extremadas sobre o desempenho da equipa. “Nem tudo está perfeito agora, da mesma forma que nem tudo estava errado quando sofremos quatro golos em casa com o Louletano e três com o Sintrense”, afirmou, lembrando que a instabilidade defensiva esteve também relacionada com as ausências.

Com três fins de semana de paragem pela frente, o Caldas terá agora oportunidade para recuperar jogadores e consolidar processos. “Trabalharemos forte nestas três semanas para recuperar jogadores e continuar a evoluir no nosso processo”, disse João Aguiar, que deixou ainda uma palavra aos adeptos pelo apoio demonstrado nos momentos mais difíceis. “O Caldas é isto: acreditar até ao fim para vencer os jogos”, concluiu.

Natan Costa: “Dois erros inacreditáveis tiram-nos da disputa da vitória”

Já Natan Costa considerou injusta a derrota do Sernache, sobretudo pela forma como os dois golos surgiram num curto espaço de tempo. O treinador considera que a sua equipa tinha o jogo controlado quando dois erros defensivos permitiram a Gonçalo Chaves bisar e decidir a partida.

“Sentimos que temos o jogo controlado”, começou por explicar Natan Costa, que viu a equipa tentar alterar o seu posicionamento através de mudanças mais ofensivas. Foi então que surgiu o primeiro erro. “Tem o lance controlado, demora a resolver o problema de forma prática e depois coloca a bola na entrada da área; infelizmente, foi parar ao pé do Gonçalo e ele faz um bom golo.”

O segundo golo surgiu apenas dois minutos depois, novamente na sequência de uma falha defensiva. “O nosso central só tem de deixar a bola passar, porque a bola é do Jota. Não deixa a bola passar, cabeceia, a bola fica ali e sobra para o Gonçalo novamente: 2-0”, relatou o técnico.

Para Natan Costa, não foi um caso isolado. O treinador lembrou que o Sernache tem sido sucessivamente penalizado por erros que considera pouco condizentes com aquilo que a equipa tem produzido. “São sempre golos muito esquisitos, e hoje foi igual”, afirmou.

Apesar do resultado, o treinador destacou a organização da equipa e a capacidade para pressionar o Caldas. “O que se viu foi uma equipa bem organizada, que tentou ser pressionante no campo todo”, disse, lamentando que as falhas tenham surgido precisamente numa fase em que procurava dar mais energia ao ataque. “Esta equipa merecia mais e estamos, naturalmente, muito tristes”, afirmou.

Natan Costa reconheceu também o impacto que a sequência de resultados negativos começa a ter no grupo. “Quando não se ganha consecutivamente, a parte anímica da equipa vai abaixo, e senti muito isso hoje”, admitiu. Ainda assim, considera que o Sernache tem argumentos para reagir: “Há aqui matéria-prima para fazer melhor.”

O treinador acredita, por isso, que a equipa terá de manter a serenidade para ultrapassar o momento difícil. “É preciso, dentro deste registo de várias derrotas consecutivas, tentar ter alguma serenidade e agregar o grupo”, concluiu.

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