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Região Oeste necessita de escala para poder crescer

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“Sinergias Regionais: O Oeste como Motor de Inovação” designou a iniciativa que teve lugar a 4 de julho, no auditório Feira de S. Pedro Caixa Agrícola de Torres Vedras numa iniciativa conjunta dos jornais oestinos Gazeta das Caldas, Badaladas e Alvorada.
A iniciativa – que foi realizada em parceria com a OesteCIM – teve como convidados Ricardo Cardoso, da Impactwave (Óbidos); Sérgio Félix, secretário geral da AIRO, Paulo Simões, responsável da Oeste CIM e Luís Góis, diretor geral das Óticas OCT, situadas em Torres Vedras.
Para Paulo Simões, da Oeste CIM, ou há cooperação intermunicipal ou não há desenvolvimento territorial”. E isto porque há neste território municípios “muito pequenos” e sobretudo “há falta de massa crítica” e de pensar o território de forma generalizada. Temos que obter mais escala – logo necessitamos de trabalhar em rede
O terceiro ponto prende-se com a utilização da IA para a alavancagem do território que deve ser encarada como “uma ferramenta de deve ser usada não só em todas as áreas de negócio como também no que diz respeito às políticas públicas”.
O convidado ainda acrescentou que alguém do MIT nos EUA afirmou que “quem não usa a IA já morreu e não foi notificado”. Na sua opinião, a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de produtividade.
Para o convidado, o Oeste tem vantagens competitivas nas fileiras agro-alimentar, da fruta, da hortícola e também do vinho. “Temos oportunidades de negócio com o Mercosul”, disse Paulo Simões, que ainda afirmou que há no Oeste empresas que se estão a afirmar na área dos drones e da tecnologia. No entanto “temos que conseguir atrair mais massa critica para a região e temos que trazer mais gente de Lisboa”, sublinhou, dando a conhecer que o Oeste já está próximo dos 400 mil habitantes.
“A mobilidade é um factor chave, ou seja, quanto custa e quanto tempo demora a chegar é algo central para atrair mais empresas para este território”, referiu. O convidado ainda disse que há 10 anos a Linha do Oeste poderia ter sido “perigosa” para esta região pois poderia ter contribuído para a massificação. Agora, na sua opinião, “é um factor chave”, assim como a rodovia “é igualmente importante”.
Para o responsável da OesteCIM também são importantes as academias e podem conviver várias na região, sobretudo pela necessidade de escala.
“O Oeste pode e deve liderar a LVT por ser a maior das Nuts3 e é também aquela que cria mais valor”, disse. Paulo Simões referiu ainda que o momento atual não é fácil para os empresários que têm que enfrentar longos processos burocráticos para ter acesso às linhas de financiamento. Comparado com outras sub-regiões do país, “nós temos conseguido pouco dinheiro para alavancar as nossas empresas”. “Há sobretudo falta de escala e é preciso criar plataformas de colaboração entre entidades e empresários”, concretizou.
Sérgio Félix, secretário geral da AIRO, sublinhou a importância do trabalho em rede e sobretudo a necessidade de uso da IA para o desenvolvimento das empresas e do território.
“A AIRO está a celebrar 45 anos e tem contribuído para o desenvolvimento de ecossistemas entre os municípios”, através da criação de networking entre as empresas desta zona, agora apelidada de “Norte de Lisboa”, que quer continuar a acolher gente de outras regiões oferecendo-lhes qualidade de vida.
Para tal, “teremos que continuar a inovar na indústria e a ter mais áreas de acolhimento empresarial”. Estas últimas são projetos que levam décadas, e por isso, “são impossíveis de concretizar no tempo de um mandato político”, referiu o convidado que acha que é preciso união entre empresários para se poder aceder às linhas de financiamento.
Sérgio Félix deu a conhecer o facto da Mercadona pretender ter um centro de logística nesta região. “Falámos com vários municípios e o que aconteceu foi que não existia em todo o Oeste um espaço como eles pretendiam”, disse, acrescentando que a firma acabou por construir na zona de Lisboa e Vale do Tejo, mas não no Oeste como pretendiam. “Queriam ficar junto aos produtores dos produtos agrícolas, do porto de pesca só que simplemente não existia nem o terreno nem a volumetria de construção”. “Temos vindo a falar com alguns municípios para aumentar as áreas empresariais”, disse o representante da AIRO, acrescentando que foram necessários vários anos para que a área de acolhimento empresarial da Benedita fosse uma realidade. “Está totalmente cheia e já se fala numa segunda fase que permita o seu alargamento”.

Universidade ou politécnico agrícola para o Oeste
Em relação às universidades, Sérgio Félix defendeu que o Oeste deveria ter um polo de uma universidade de agricultura devido ao facto de ser a região que “a nível de volume de negócios somos os que produzimos mais ao nível da fruticultura, horticultura e agora também no vinho”.
Luís Góis é diretor geral das Óticas OCT, situadas em Torres Vedras e que dirige desde 1999. O convidado referiu que há uma larga percentagem de microempresas no país que é preciso alavancar e transformar em médias empresas. “A renovação geracional é algo igualmente importante”, disse o empresário que tem grande amor aos números e que vê a contabilidade “como algo essencial”. na sua opinião, os financeiros deveriam ajudar os empresários a interpretar os números e a crescer”.
O empresário – que se orgulha do facto das suas óticas terem obtido o estatuto de PME Líder pelo nono ano consecutivo – pediu para que o Estado “nos deixe trabalhar” e “que nos possa apoiar quando queremos participar em eventos no estrangeiro”. Na sua opinião, o Estado “pode ainda auxiliar as micro, pequenas e médias empresas a fazer análise financeira séria”. O empresário deixou de novo o repto do “deixem-nos trabalhar!”.
Por seu lado, Ricardo Cardoso, é o CEO da Impact Wave que está instalada no Parque Tecnológico de Óbidos, uma empresa de software que investe em soluções próprias nas áreas da agricultura e da medicina.
O convidado louvou a iniciativa dos três jornais pois ao juntarem-se para fazer esta iniciativa e desta forma conseguirem ir mais longe“.
Sobre a sua empresa, Ricardo Cardoso explicou que a sua formação é em Design e na área das Engenharias. “Sou eternamente inquieto mas rapidamente percebi que nunca conseguia fazer tudo sozinho”, referiu o convidado que se queixou da morosidade dos processos burocráticos que são necessários para a obtenção dos financiamentos.
Para o CEO, “tudo tem uma solução é só uma questão de tempo e dinheiro”, referiu Ricardo Cardoso que deu a conhecer que a Impact Wave trabalha com IA desde 2013 e deu a conhecer que neste momento lidera uma equipa de 12 pessoas com as mais variadas formações desde programadores, aos matemáticos, analista de dados até aos engenheiros agrónomos.
“Fomos desafiados pelo município de Óbidos a desenvolver uma plataforma para os alunos estrangeiros que não falam português”, e o projeto Babel Classroom que já foi notícia na Gazeta das Caldas e que permite interação com o aluno, pois o sistema de reconhecimento da voz e de traducação para a língua mãe dos seus estudantes. “É um complemento ao que é ensinado nas aulas”, disse o CEO que fez uma apresentação sobre sistemas que estão a desenvolver na área da agricultura.
Ricardo Cardoso alertou para o facto de haver poucas empresas com centros de custos e por isso por vezes é difícil conseguir cumprir o que é necessário para corresponder às candidaturas aos financiamentos “Falta know-how especifico”, comentou o convidado. Já no que diz respeito à vertente política é preciso “deixar fazer” e deixou alertas para os pequenos poderes e “há municípios onde há gente eficiente e um processo que num município demora cinco anos e noutro cumpre-se em dois. Era bom que não houvesse excesso de zelo”.
Na sua opinião quando há um grande grupo que se quer instalar num território, este “não processo não pode ficar na mesma pilha do que um assunto doméstico. Simplesmente não pode!”, referiu o CEO acrescentando que quando os entraves são muitos “as empresas não ficam nesses territórios”. E o convidado diz que o processo já nem é apenas se fala de transferência para território europeu. “Já fomos assediados várias vezes pelos EUA”, contou Ricardo Cardoso que apela a um alívio nos processos burocráticos para que não aconteça o que sucedeu com várias empresas unicórnios que resolveram sair do país.
No final da sessão os empresários Ricardo Cardoso da Impact Wave e Luís Góis, diretor geral das Óticas OCT. ■
nnarciso@gazetadascaldas.pt

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