
“Olhar o Parque” é o título da mostra produzida por alunos do agrupamento de escolas Bordalo Pinheiro
Figuras de animais, em preto, colocadas em placas de madeira e com uns olhos que se destacam, dão nova vida ao foyer do CCC, desde o dia 5 de março. Trata-se da exposição “Olhar o Parque”, dos alunos do Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro e que integra o Plano Cultural de Escola no âmbito da II Bienal Cultura e Educação. A exposição partiu de “três perguntas simples e profundas”, explicam. Como nos vêem os animais? Como olhamos para eles? Cruzam-se olhares de medo?
A professora Susana Silva explicou que a mostra tem um lado mais artístico e expositivo, mas também tem uma componente pedagógica. Esta iniciativa teve o seu início na disciplina de Complemento à Educação Artística, quando os estudantes desenharam olhos humanos. Depois, surgiram os olhos animais, que causaram fascínio pelas características. No último ano, por sugestão de Célia Antunes, concorreram ao projeto GeraT, já com esta ideia dedicada aos animais do parque, feita pelos estudantes do 8º ano.
A ideia foi modelar os olhos em cerâmica e depois queriam enquadrar estes animais no próprio parque. Só que esta é uma disciplina com apenas dois tempos por semana e é semestral, pelo que não foi possível concluir o trabalho. Ainda assim, participaram na Mestra, onde o presidente da Câmara tomou contacto com a exposição e sugeriu que fosse mostrada noutro local. “Estamos aqui com uma ampliação desse projeto, dado que passou de um projeto meramente expositivo e artístico para um projeto mais pedagógico”, frisou. É nesse sentido que existem caixas sensoriais e puzzles.A professora Maria José destacou a coabitação entre espécies e explicou como tentam depois transportar estas questões para trabalhar conceitos como a cidadania. A docente fez notar que “a base inspiradora do projeto foi a cerâmica”, realçando que os olhos foram produzidos nesse material com tanta tradição na cidade. Referiu ainda a oferta do fotógrafo Pedro Olivença, com fotografias que foram utilizadas para – com recurso à tecnologia da escola, imprimindo e cortando a laser -, criar puzzles com os animais do parque. Já Maria João Dias, professora de Ciências, colocou a tónica na riqueza do parque, notando que existem mais espécies do que comummente se pensa. A docente destacou ainda a ligação entre a arte e as ciências neste projeto. Por sua vez, Carla Sousa Santos, bióloga da Câmara das Caldas, frisou a pertinência da escolha do 1º ciclo escolar como público-alvo da exposição e sugeriu que esta mostra pode ser o mote para levar as crianças a visitar o parque e a criar laços empáticos com os animais, que serão, depois, fundamentais, para a defesa da natureza.
Cecília Correia, coordenadora do Plano Nacional das Artes, agradeceu a iniciativa e salientou como este agrupamento está sempre aberto a ser um polo cultural. A mesma responsável falou da única bienal a nível mundial que tem como público crianças e jovens, na qual a exposição esteve presente.
Atualmente estão abertas inscrições para que estabelecimentos escolares do 1º ciclo possam visitar a mostra com os seus alunos e desenvolver atividades.
Jorge Pina, diretor do agrupamento de escolas Rafael Bordalo Pinheiro, e mostrou o seu orgulho nas iniciativas desenvolvidas pelos professores e alunos, agradecendo ao CCC a cedência do espaço. Este projeto visa “alertar para alguns habitantes da nossa cidade” e “está extremamente bem conseguido”.
O anfitrião, Mário Branquinho, diretor do CCC, referiu a abertura daquele espaço à comunidade e frisou que a mostra une a arte ao ambiente, criando um cenário interessante no foyer do CCC.











