

A discussão sobre o mercado fechado nas Caldas da Rainha perpassa muitas das páginas da Gazeta durante os últimos 95 anos, tendo havido a sensatez de nunca se ter caminhado nesse sentido. Se tal tivesse acontecido, provavelmente já hoje não existia o mercado das Caldas, como ex-libris e grande atracção e animador do comércio da cidade e da sua vida urbana.
Isto não significa que não se possam reivindicar melhores condições de funcionamento, a resolução do problema do estacionamento dos vendedores e clientes, a forma de montagem das bancas, organização do espaço, etc. Isto podia e já devia ter sido feito, aproveitando os financiamentos provenientes da Europa, podendo ter sido construído um silo no subsolo que serviriam para estacionamento e para funcionar o mercado em dias mais inclementes. Isto não é novidade e há países que seguiram por esta via.
Mas mesmo assim, Zé Povinho felicita a autarquia por ter finalmente decidido regressar ao sítio original, onde há mais de uma centena de anos o mercado se faz e que é conhecido em todo o país e mesmo por muitos estrangeiros, como uma marca nacional. Sabe a pouco porque não se percebe se se querem finalmente fazer alterações que possam melhorar a qualidade de vida dos vendedores e a acessibilidade dos compradores.

Posto isto, perante o espanto mundial e depois de violentas manifestações da população, o primeiro-ministro Hassan Diab demitiu-se em protesto com “corrupção endémica” que grassa o país que ele governa. Vários ministros do governo também se haviam demitido antes. “Declaro hoje a renúncia deste governo”, afirmou invocando ainda “que Deus proteja o Líbano”, e que tudo isto tinha como objectivo juntar-se ao povo para “ poder travar a luta pela mudança ao lado destes”.
Zé Povinho não acredita e só escolhe Hassan Diab, como imagem de toda a incompetência, imprevidência, incongruência que grassa em muitos governos e outros responsáveis deste mundo no séc. XXI, que se esperava ter hoje mais sensatez e razoabilidade dado os meios tecnológicos e do conhecimento que dispõem.









