A Semana do Zé Povinho | 06/04/2018

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Gazeta das Caldas
Tinta Ferreira

Zé Povinho felicita a posição clara que o Dr. Tinta Ferreira tomou sobre o presente envenenado da entrega do Museu da Cerâmica à autarquia com um pacote financeiro insuficiente e que parece mesmo uma piada de mau gosto. E aproveita para recordar a promessa feita às Caldas da Rainha, logo a seguir ao 25 de Abril, pelo secretário de Estado da Cultura, David Mourão Ferreira, quando foi decidida a criação do Museu da Cerâmica nas Caldas da Rainha.
A exemplo do que se passou com a criação do Museu de José Malhoa, que desde o início ficou sob a égide do Estado, inicialmente na Junta Provincial da Estremadura (extinta em 1960) e depois na secretaria de Estado da Cultura, também o da Cerâmica foi criado com a mesma intenção.
Ambos têm uma vocação nacional (e o da Cerâmica mesmo Internacional) e terão toda a vantagem de funcionar em paralelo com partilha de meios, evitando experimentações sem grande futuro, e que a prazo vão ter insucesso.
Faz bem o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, e todo o executivo em recusar a oferta do Estado, que se quiser ser solícito e grato para as Caldas com a entrega de Património Público o faça com outros valores, como por exemplo, o próprio Jardim d´Água do mestre Ferreira da Silva, ou o Palácio Real onde está o Museu do Hospital e da Cidade, que por razões pouco evidentes, ficaram sob a alçada do Ministério da Saúde que tanto se queixa de falta de recursos.
Zé Povinho apoia a posição da Câmara das Caldas e do seu presidente em relação ao Museu da Cerâmica (como por acréscimo ao Museu Malhoa, que mais tarde ou mais cedo viria a seguir as mesmas pisadas) e acha que Estado deve pensar mais estrategicamente os recursos que dispõe e como os deve gerir, promover e potenciar.

Gazeta das Caldas
Mariano Rajoy

Zé Povinho olha com inquietação para a deriva totalitária do chefe do governo do país vizinho, Mariano Rajoy, que pelos vistos está a querer tornar-se num pequeno Erdogan, ou quiçá num pequeno Putin, ou talvez até num não menos pequeno Trump.
Dois factos merecem alguma atenção. Um deles a judicialização da questão catalã que é um problema essencialmente político, mas que o presidente do governo espanhol prefere resolver (ou acreditar que resolve) com os tribunais a perseguirem e prenderem representantes do povo catalão, eleitos democraticamente, e que agora estão privados de liberdade por terem uma visão diferente (e pacífica) sobre o futuro de um território da Península Ibérica. Ou seja, na Espanha supostamente democrática do séc. XXI de uma Europa necessariamente democrática,  existem presos políticos.
Outro facto preocupante, para não dizer ridículo, foi a ideia peregrina de pôr as bandeiras de Espanha a meia haste em todos os quartéis espanhóis desde Quinta-feira Santa até às 00h01 do Domingo de Páscoa, assinalando assim a morte de Jesus. Isto apesar da Constituição daquele país considerar que a Espanha é um estado laico e que “nenhuma religião deve ter um carácter estatal”.
Estas questões não são simples pormenores e revelam uma deriva excessivamente conservadora e até populista do governo de Mariano Rajoy que parece ignorar a História do seu país.
Zé Povinho lamenta a falta de tacto e de sentido de equilíbrio deste governante. A menos que tudo isto seja propositado e nesse caso, tudo isto é ainda mais grave.