A singularidade da barbearia Varandas

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O barbeiro Tomás Varandas no seu espaço, onde alia o trabalho ao convívio

Projeto de jovem pretende afirmar-se como um espaço de eleição para o culto da imagem e do convívio

Ser barbeiro não foi o sonho de criança de Tomás Varandas, mas o gosto pelas tesouras, máquina de corte e a estética associada ao cabelo foram crescendo e levaram a que o estudante de Desporto trocasse o curso em Leiria por outro em Lisboa. Durante seis meses, viajou, uma vez por semana, rumo à capital, onde aprendeu a arte de tratar do cabelo e da barba, ao mesmo tempo que colocava os conhecimentos em prática numa barbearia nas Caldas, onde trabalhava. Mas o objetivo estava traçado: abrir um negócio, que concretizou no início do mês, com a abertura da Varandas – Barbearia & Companhia.
Nos 125 metros quadrados do nº 132 da Rua Capitão Filipe de Sousa, a decoração vintage salta à vista, assim como a mesa de snooker e o espaço lounge que permite aos clientes conviver enquanto esperam pela vez. E também podem beber uma ginja de Óbidos, uma cerveja artesanal ou um café do Pena, acompanhado por um lagarto, uma cavaca ou um beijinho, também provenientes desta loja caldense. Ali vende-se uma experiência, não apenas um corte de cabelo ou aparo da barba.

Entre os projetos estão a abertura de uma escola de barbearia nas Caldas

“Sempre quis abrir uma barbearia, ter uma marca própria e conceito diferenciado”, conta Tomás Varandas que, na criação do projeto, contou com o apoio do programa Ativa-te, do Espaço Ó, tanto no desenvolvimento da sua ideia, como em todo o apoio logístico necessário. A reabilitação do espaço foi feita por familiares e amigos.
O conhecimento do trabalho do barbeiro e a curiosidade em visitar o novo espaço têm fomentado as marcações. Na passada segunda-feira de manhã, a agenda já estava completa até ao próximo sábado, o que deixa Tomás Varandas otimista em relação à aposta. Também o horário pretende adequar-se o mais possível aos clientes. Às segundas, terças e quartas-feiras está aberto das 14h00 às 22h30, mas às quintas e sextas-feiras está aberto das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 20h00 e aos sábados das 9h00 às 18h00.
Por enquanto, trabalha sozinho, mas quer formar uma equipa. Entre os projetos estão a criação de uma escola de barbeiros, tendo em conta que não existe nenhuma fora dos grandes centros urbanos que permita a formação de jovens que queiram aprender o ofício ou de barbeiros que queiram aprofundar os seus conhecimentos na área.
“Hoje em dia, a barbearia já não é o local onde se vai só para cortar o cabelo ou aparar a barba, mas onde se estuda a harmonia do rosto e o couro cabeludo, para ajudar a estética da pessoa”, explica o profissional, de 21 anos, acrescentando que as suas sugestões são bem recebidas pelos clientes que colocam, literalmente, o cabelo nas suas mãos. Outra das apostas é a dinamização cultural do espaço, juntando artistas e grupos locais para concertos, instalações e exposições.