Há quatro tatuadoras a trabalhar nos Silos

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Sara Rodrigues, Juliana Rocha, Mónica Carrilho e Larissa Amaral

Edifício tem espaços com tatuadoras. Algumas já trabalham há alguns anos e outras dão agora os primeiros passos. Em conjunto, querem realizar eventos

Nem toda a gente aprecia tatuagens, mas a verdade é que o número de apaixonados por esta forma de arte aumenta a olhos vistos. No Silos Contentor Criativo, nas Caldas da Rainha, há quatro jovens que dão corpo à tendência e pretendem afirmar-se em conjunto.
Larissa Amaral é de Curitiba, no sul do Brasil. Veio para Portugal em fevereiro do ano passado, está há um mês nas Caldas e é tatuadora profissional desde 2017. Arquiteta de formação, também já foi chef de cozinha e agora dedica-se a tempo inteiro às tatuagens, com espaço próprio nos Silos.

“Queria trabalhar no lado mais artístico do que a arquitetura permitia”, contou a profissional, de 30 anos, que desenhava para outros tatuadores até que decidiu passar também à ação na pele.
A brasileira teve um estúdio de tatuagem em Vila Real, em Trás-os-Montes, tendo trabalhado também em Bragança. A tatuadora dedica-se ao estilo “fine line” e aprecia reproduzir elementos naturais como flores. Também tatua com base em fotografias.
Por seu lado, Sara Rodrigues, 29 anos, é da Madeira e veio para as Caldas para estudar na ESAD, onde tirou o curso de Artes Plásticas. Foi durante o ensino superior que se começou a interessar pela tatuagem. Depois, voltou à ilha, trabalhou numa galeria e seguiu para Lisboa, onde trabalhou num ateliê onde se produzia produtos em vinil. A empresa teve de fechar por causa da pandemia e, como tal, aproveitou o tempo para tirar formação on line. Começou por tatuar o próprio corpo e, depois, os de amigos próximos. Agora, vai abrir um espaço nos Silos. Entre os elementos que mais lhe pedem constam símbolos e personagens de videojogos e de Anime.

“Tive algumas clientes com mais de 40 anos que diziam
que não queriam morrer sem ter uma tatuagem!”

Larissa Amaral

“Há quem cobre por sessão e até por hora de trabalho para fazer as tatuagens”

Mónica Carrilho

Tal como Larissa, a fisioterapeuta Mónica Carrilho tem 34 anos e é natural de Curitiba. Depois de ter trabalhado na sua área profissional decidiu tirar um curso de design gráfico ainda no Brasil, tendo feito Erasmus em Portugal.
Prefere fazer tatuagens de traço grosso e já trabalhava na área do outro lado do Atlântico há alguns anos. A autora está nas Caldas há dois anos e meio e, depois de ter feito várias tatuagens na cliente Juliana Rocha, acabou por convidá-la para trabalharem em conjunto nos Silos. Agora, vai receber esta aprendiz com quem vai dividir um espaço nos Silos.
Juliana Rocha veio para as Caldas em 2019 para estudar Ilustração e Produção Gráfica na ESAD. Sempre gostou de desenhar e, por isso, tatuar foi o caminho natural para a jovem, de 21 anos.

Flash Tatoo quando for possível
As quatro tatuadoras defendem que é preciso ter o máximo respeito pelas regras de segurança dos clientes e defendem a esterilização de todos os instrumentos de trabalho. O preço inicial de uma tatuagem é de 40 euros e vai aumentando consoante a complexidade e a extensão do trabalho. “Há quem cobre por sessão e até por hora de trabalho”, contou Mónica Carrilho, que chamou a atenção para o facto de os clientes também terem de ter cuidados de manutenção com as tatuagens, sobretudo na fase de cicatrização.
De resto, as tatuagens também já não são apenas os jovens e rebeldes. Larissa Amaral conta que no seu estúdio em Trás-os-Montes tinha várias clientes senhoras, com mais de 40 anos, que lhe diziam que “não quero morrer sem fazer uma tatuagem!”. E tanto lhe pediam elementos florais como para tatuar o nome dos seus filhos ou netos.
“As pessoas estão a abrir-se a esta forma de arte”, contou a autora. A maioria “está a pedir tatuagens em locais bem visíveis do corpo”, assevera.
As tatuadoras estão a planear um evento nos Silos onde a tatuagem será um mote principal no. Designam-se Flash Tatoo e são iniciativas onde os tatuadores fazem pequenas tatuagens, rápidas e mais em conta. “No Caldas Late Night já se realizou um e várias pessoas aproveitaram para tatuar o símbolo do evento, uma pequena casa”, contou Mónica Carrilho, que já participou noutros e que “há sempre longas filas de interessados”. Nas Caldas, há cinco estúdios de tatuagem e mais duas raparigas a desenhar arte na pele.