
O maior evento do concelho riomaiorense envolve mais de mil voluntários na dinamização das 17 tasquinhas e tem recebido milhares de pessoas. Primeiro dia com prémio para melhor prato
As Tasquinhas de Rio Maior este ano “representam o início do regresso à normalidade, a bonança depois da tempestade, a confiança no futuro”, caracterizou o presidente da Câmara de Rio Maior, Luís Filipe Santana Dias, na inauguração do certame, na tarde de sexta-feira, 27 de fevereiro, apontando aos cerca de 10 milhões de euros de prejuízos estimados.
No lançamento desta edição fez questão de recordar quem lançou as tasquinhas e falou da “passagem de testemunho”, dado que deixou de ter o pelouro das feiras, que teve durante oito anos e que passou agora a ser da responsabilidade do vereador Miguel Santos.
Quarenta edições de Tasquinhas “são um símbolo, quatro décadas de história coletiva, milhares de horas de trabalho voluntário, são várias gerações que aqui serviram, cozinharam, organizaram, cantaram, dançaram e, acima de tudo, construíram comunidade”, disse, notando que, “ao longo destes 40 anos as Tasquinhas transformaram-se no maior evento do concelho de Rio Maior, mas mais importante do que a sua dimensão é a sua essência” e realçando que, além do papel como ponto de encontro, este é também “uma alavanca económica”.
No recinto encontramos 17 tasquinhas típicas, decoradas de forma alusiva aos lugares de onde vêm e onde é possível degustar iguarias tradicionais. Às tasquinhas dinamizadas por mais de um milhar de voluntários, juntam-se 120 expositores de artesanato, atividades económicas, doçaria e licores, um programa de animação com bandas itinerantes, mas também com DJ’s e ainda um espaço dedicado aos mais novos.
Ainda antes de abrirem as tasquinhas, falamos com David Inácio, do Alcobertas Futebol Clube, que nos conta que este ano, devido às tempestades, a organização teve menos tempo para se preparar. “Fomos sempre adiando até ao dia em que não chovesse”, porque a tasquinha é construída em madeira. Começaram há cerca de três semanas.
A cada ano estes voluntários servem milhares de refeições. Nas noites mais movimentadas enchem a tasquinha, com quase 160 lugares, três ou quatro vezes. A sua especialidade é a Papa Labeça, que é feita com farinha de milho, couve e feijão e que acompanha o bacalhau assado laminado. Este seria mesmo o vencedor do prémio para o melhor prato deste ano.
Já na Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Vale de Óbidos encontramos Maria Helena Carvalho, minhota que tem 70 anos e está há quase meio século nesta terra. “O meu marido era daqui”, conta. “Tenho muitos anos de Tasquinhas, no início era muito ruim, tínhamos que fazer milagres na cozinha, só havia um lava-louça, tínhamos que tratar primeiro das verduras todas, porque quando fosse preciso lavar louça já não se podia meter ali mais nada”, recorda. “Agora é muito melhor”, afirma, notando a própria evolução dos participantes. O que se mantém, considera, é o espírito de comunidade e de ajuda às coletividades e o que a deixa mais contente são os elogios dos clientes à comida.












