Quarta-feira, 26 _ Agosto _ 2026, 15:14
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Colheita de Pera Rocha do Oeste pode aumentar para 130 mil toneladas

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A colheita da pera rocha do Oeste deverá iniciar-se dentro de um mês

Apesar das contrariedades causadas pelo fogo bacteriano e estenfiliose, ANP está optimista

A colheita da pera Rocha do Oeste deverá iniciar-se dentro de um mês e deverá registar uma boa produção, comparada com os dois últimos anos, devendo atingir as 130 mil toneladas, mais 10% que em 2025. A projeção é da Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha (ANP), mas tudo vai depender se, até lá, não ocorrer nenhum fator climatérico adverso que possa comprometer o cenário traçado pelos técnicos. A apanha do fruto deve começar um pouco mais cedo que no ano passado, sobretudo devido à conjugação de diversos fatores que encurtaram ligeiramente o ciclo produtivo da árvore de fruto. De acordo com Filipe Ribeiro, presidente da ANP, perspetiva-se uma boa colheita nos pomares da região, que, paradoxalmente, têm menos árvores de fruto provocado pelo arranque para erradicar o fogo bacteriano, causado por uma bactéria e ainda sem cura. “Já sabemos que às vezes há umas surpresas, como a estenfiliose [causada por um fungo], mas se tudo correr bem acreditamos que a previsão se concretizará”, revelou à Gazeta das Caldas.

O avanço do fogo bacteriano estará, para já, estabilizado. Em média são cerca de 350 hectares de pomares por ano que são arrancados, mas o último inverno foi mais frio e pluvioso, pelo que não houve tanto espaço para a doença progredir.

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A campanha de sensibilização em torno das boas medidas fitossanitárias promovida no último ano pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária com a OesteCIM – Comunidade Intermunicipal do Oeste, à qual se associou a ANP, teve também um impacto positivo. “Os produtores têm agora mais algum cuidado ao nível da limpeza e desinfeção, pelo que se regista uma diminuição do inóculo, principalmente de um ciclo para o outro”, frisa Filipe Ribeiro.

Para a campanha que se avizinha, continua a ser preocupante encontrar mão-de-obra para assegurar a colheita, tendo os produtores que contratar imigrantes, cuja força laboral representa cerca de 70 a 80% das necessidades. Mas esbarram com a teia burocrática do Estado, causada pela legislação mais apertada, que está a provocar fortes constrangimentos. “Há um desfasamento grande entre as várias instituições públicas, onde nós depois temos que inscrever os trabalhadores. O processo é moroso e nada simples”, critica Filipe Ribeiro.

A exportação continua a ser o principal destino da produção de pera Rocha do Oeste, um fruto com o selo de Denominação de Origem Protegida da União Europeia desde 2003, que na campanha de 2025 subiu para 70%.A ANP participou, a 25 e 26 de junho, na última edição do Interpera (Congresso Internacional da Pera), que decorreu na cidade italiana de Ferrara, onde foi analisada a tendência do mercado para os próximos tempos. “Tudo indica que na Europa, por um lado nos países mais importantes de produção, a produção está estabilizada em relação ao ano passado, como é o caso da Bélgica. Em relação à Holanda é uma incógnita porque nunca dá prognósticos.

No que respeita aos restantes países, há um decréscimo em relação à produção do ano anterior”, explicou Filipe Ribeiro. Contudo, para o dirigente frutícola, há uma preocupação internacional que é transversal ao setor e que passa pela preferência dos consumidores. “O consumo da pera está-se a reduzir, principalmente nas camadas mais jovens, o que provoca algumas questões em relação à valorização do produto”, sublinha.

Brasil, Marrocos e Reino Unido – por esta ordem – são os países para onde vai a principal fatia da exportação. Mas agora surgem mais oportunidades de negócio com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que junta Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. “Acho que vai ajudar-nos a ser mais competitivos”, acredita o líder da ANP, com sede no Cadaval.

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