A constituição do novo governo é o tema em foco por esta semana na Gazeta das Caldas, num artigo assinado por António Avelãs. “Depois de uma longa expectativa, o País conhece finalmente o seu novo governo. O 2º governo provisório da II República. Esperemos confiantes que seja também o último governo provisório porque esse será o sinal de que o processo de democratização do país segue a passos seguros para a sua consolidação”, começa por referir a peça que prossegue: “o primeiro facto que me apraz registar é que, pela primeira vez, o nosso povo viveu intensamente a formação do seu governo. Através das constantes reportagens da Rádio e da TV o povo foi seguindo as tentativas, foi conhecendo as dificuldades e os progressos na formação do elenco governativo. Como parece longe a época do fascismo em que, de um momento para outro, sem que isso nos «dissesse» nada, desinteressadamente, ouvíamos na TV e na rádio anunciar que tinham saído «uns e iam entrar «outros». «Outros» exactamente iguais, regra geral, aos que saíam. Perante ambos, a indiferença de todo o país, ostensiva e deliberadamente afastado da vida política. Esse tempo passou: É PRECISO QUE NUNCA MAIS VOLTE!”.

Entre outras, aponta-se que “o MDP não faz parte do Governo” e que “esta foi realmente a grande e inesperada «novidade» do novo elenco governativo. Embora o major Vitor Alves fosse peremptório em afirmar que não houve atitude deliberada no afastamento do MDP, o facto é que esse afastamento é uma realidade. Estarão na base desse afastamento pressões e objecções postas pelo Partido Popular Democrático ou pelo Partido Socialista, que publicamente tem contestado o M.D.P.? Embora não pareça provável, a questão pode e deve pôr-se”.
Outra é a primeira mulher no cargo de ministro. “Não será talvez um facto politicamente relevante, mas não deixa de merecer uma simpática referência o facto de pela primeira vez em Portugal uma mulher ocupar um cargo de ministro. É um bom sinal; ou melhor: poderá ser um incentivo a uma maior participação das mulheres na vida política” do nosso país”, conclui o artigo.
Posições dos diferentes partidos

A situação na F. A. Caiado

O jornal esclarece que “a actual luta é desenvolvida, como prova de manifesta solidariedade para com Dário Manso companheiro de trabalho nessa empresa, e membro da Comissão de Trabalhadores, o qual sem justa causa se viu despedido, quando acabadas que foram as suas férias, se aprestava para retomar a sua actividade. Estamos pois em face de mais um despedimento sem justa causa. Estamos perante mais uma violência. Estamos perante mais uma forma de repressão do patronato”.

É pois, a Comissão dos Trabalhadores, representativa dos vários sectores da empresa. Quanto à administração poderemos dizer que aceitou a constituição da Comissão com um certo entusiasmo”.
O artigo foi dividido em duas edições, “por absoluta falta de espaço e tempo de composição”.
Prossegue com a comissão a explicar que, “de momento ainda não se verificou mais nenhum despedimento se bem que seja do nosso conhecimento, a existência de uma lista de empregados a despedir, num total de doze elementos. Justificou a administração este despedimento, como o «início do saneamento». Já estabelecemos os devidos contactos com o respectivo Sindicato e com o Ministério do Trabalho, que nos dão todo o apoio. Com o Movimento das Forças Armadas apenas contactamos para actuarem como moderadores. Desde a primeira hora que os trabalhadores da empresa puseram de parte a greve, dado que era bastante prejudicial para eles próprios. Mantendo esse propósito os trabalhadores perante a não readmissão do companheiro despedido, limitaram-se a permanecer nas instalações da empresa montando piquetes de vigilância. Simultaneamente tentavam-se continuar os contactos com a administração. Aliás a permanência nas instalações só se veio a verificar porque a nada conduziram os contactos com a administração. Essa mesma administração, reagiu, perante a permanência nas instalações, de forma brusca e brutal por palavras e actos, sem que tivessem tido qualquer resposta idêntica da parte dos trabalhadores.

Só que entre a primeira e a segunda edição a situação evoluiu. “Na tentativa de trazer até aos leitores informações tanto quanto possíveis exactas sobre a situação no F. A. Caiado, «Gazeta das Caldas» contactou o Sindicato (único existente nesta cidade que, embora dizendo-se dos empregados de escritório e caixeiros, serve de facto todos os trabalhadores). Desse contacto resultaram as seguintes informações: Na 5.ª feira passada: encontro da Administração com a Comissão de Trabalhadores, na presença de um representante das Forças Armadas; nesse encontro, ficou decidido que: A Administração faria um processo sobre a posição do empregado Dario Manso na empresa (actualmente suspenso). Esse processo deveria ter sido entregue na Marinha Grande segunda-feira passada. Este processo será facultado ao sr. Dario Manso, que poderá circular livremente na empresa para adquirir elementos para a sua “defesa”; Haverá em seguida uma reunião no R. I. 5, com: Presença do delegado do Ministério do Trabalho; – Presença de representantes da Intersindical; Presença de representantes das Forças Armadas; -Presença de representantes sindicais; – Presença da Comissão de Trabalhadores; -Presença da Administração. Esta reunião destina-se a analisar a situação do sr. Dario, e para análise dos pontos do caderno reivindicativo”.
Impugnação no Bombarral

“Conforme a Imprensa oportunamente noticiou, foi eleita em comício público, no dia 23 de Junho passado, com a presença de um oficial do Regimento de Infantaria 5, em representação do Movimento das Forças Armadas, a Comissão Administrativa destinada a gerir o município do Bombarral até à realização de eleições gerais municipais”. Só que “decorridos alguns dias, porém, uma comissão que a si própria se intitulava abusivamente Comissão do Povo do Concelho do Bombarral, do qual não havia recebido qualquer mandato e que, paradoxalmente, se veio a verificar não gozar de popularidade alguma, publicou um comunicado no qual punha em dúvida a legitimidade da eleição, insinuando, de forma capciosa, que, além de as pessoas indigitadas para a Comissão Administrativa não serem dignas de serem eleitas, também a missão do distinto oficial do Exército em cuja presença se realizou aquele acto eleitoral se não teria revestido da necessária legalidade. Anunciava, por outro lado, o panfleto a intenção da comissão que o mandara imprimir de promover um comício eleitoral. Obviamente, a Comissão Concelhia de Bombarral do Movimento Democrático Português/CDE difundiu, por sua vez, através de todo o Concelho a sua réplica àquele comunicado, denunciando-o como manobra da reacção fascista numa tentativa de assalto ao poder e convidou os membros da pretensa Comissão do Povo a identificarem-se uma vez que o comunicado desta não continha quaisquer assinaturas e a declararem o dia e o local em que tinha sido investida dos poderes que se arrogava. Todavia, a citada comissão não só não se identificou como também não respondeu às acusações formuladas no comunicado da C.D.E., de entre as quais constava a de que os seus membros estariam ligados a uma proeminente figura fortemente comprometida com o regime deposto em 25 de Abril, a qual teria inclusivamente prestado colaboração à extinta PIDE-D.G.S. É que, devido às frequentes reuniões privadas que a mesma comissão realizava, foi entretanto possível à C.D.E. identificar todos ou quase todos os seus membros. Isto porque eles próprios iam dando conhecimento a pessoas das suas relações das diligências que estavam efectuando, as quais porém não se coibiam de quebrar o sigilo que lhes fora solicitado, comprazendo-se até em fazer circular o rumor de que três componentes da comissão teriam sido recebidos por um membro da Junta de Salvação Nacional e de que a exposição que lhe tinham feito havia sido favoravelmente ouvida. Entretanto, as Comissões concelhias de Bombarral do Partido Popular Democrático, do Partido Socialista e do Partido Comunista foram, cada um sucessivamente, publicando manifestos apoiando a Comissão Administrativa eleita e em que repudiavam as afirmações contidas no comunicado da pseudo-Comissão do Povo”, conta a Gazeta.

Reunião de Agricultores

“A direcção do Caldas trabalha, não perdendo tempo, já começou a procurar reforços e já é certo que contratou para orientar a equipa, o nosso já conhecido António Pedro, sendo assim um grande obstáculo resolvido. Além do treinador, já conseguiu o concurso para a nova época do guarda-redes Rodrigues que na época anterior representou o Peniche. Cabe aqui também a nota de pedirmos a todos os Caldenses para não se esquecerem que todos nós temos que partilhar na difícil e árdua tarefa que a Direcção se propôs realizar em levar a equipa de todos nós ao plano que todos desejamos. Consócio: encarrega-te de fazer outro sócio. Assim esperamos”, termina a peça.
A Guerra Colonial em foco

Mas também está patente na promoção de um colóquio, por parte do Conjunto Cénico Caldense, “com quatro elementos das colónias, sobre o tema «O Neocolonialismo e vida nas zonas libertadas». Esta iniciativa insere-se na campanha de esclarecimento sobre as guerras em África, iniciada no dia 7-6-74 com a Exposição sobre os movimentos de libertação no Salão de Turismo. A entrada para o colóquio é livre”, lê-se.
“Meditando sobre 1974” é o título de um artigo, da autoria de José Luíz Almeida Silva, que aborda a questão das guerras, citando o Papa Paulo VI para defender que “a Paz é possível”.
Listando os custos de armamento de França e notando que “Portugal (gasta?) gastava quase 50% do seu orçamento em despesas de caractér de defesa (?) e segurança (…)!”, o autor deixa a “conclusão da meditação: “a paz é possível!!”
Os cartoons

Para a semana trazemos mais artigos escritos a chumbo. Até lá.















