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Mina a céu aberto na Serra d’el-Rei gera contestação

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Projeto com parecer desfavorável das Juntas e das Câmara de Peniche e Óbidos

Juntas de freguesia e Câmaras dão parecer desfarovável ao projeto

Está em consulta pública, até 1 de setembro, o projeto da concessão mineira C-185 “Royal China Clay”, na freguesia da Serra d’el-Rei, concelho de Peniche. Trata-se de uma exploração mineira a céu aberto, numa área de mais de 107 hectares, promovida pela Motamineral – Minerais Industriais, S.A.

Esta segunda-feira a Junta de Freguesia da Serra d’el-Rei informou a população de que o executivo aprovou por unanimidade uma manifestação de oposição à aprovação deste projeto e requer a emissão da Declaração de Impacte Ambiental desfavorável. Isto porque “nunca até hoje, este processo teve qualquer auscultação e informação prévia junto da Junta de Freguesia” e esta “só obteve conhecimento deste assunto no dia 19 de agosto, pelas 19:36, através de um e-mail enviado pela Câmara de Peniche”.

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Acresce que “este tipo de projetos só descaracterizam os territórios na medida em que são ambientalmente negativos para as populações, neste caso de Serra D’El-Rei, e freguesias adjacentes (poeiras, ruído, paisagem, solos, atividade agrícola e florestal)” e “a exploração de caulino a céu aberto, numa área total de 51,4 hectares ao longo de 20,5 anos, teria como consequência um aumento brutal no trânsito pesado nesta freguesia com a destruição da rede viária”, estimando-se “12 veículos pesados por hora”. O executivo, liderado por Jorge Amador, frisa ainda que o “estudo omite a existência de pessoas a viver na área territorial” e que “perante um projeto com tamanhas consequências negativas, evocar como factor positivo a criação de 12 postos de trabalho, é esquecer o impacto ambiental potencialmente desastroso”, mostrando ainda preocupação com o cumprimento da posterior recuperação do local.

Também a Câmara de Peniche informou que “já emitiu e comunicou o seu parecer desfavorável” à APA, notando que “não tem qualquer intervenção formal no processo de licenciamento”.

Já a Câmara de Óbidos, realça que os “efeitos não respeitam fronteiras administrativas e terão consequências muito negativas no concelho de Óbidos e na região”. A autarquia diz-se preocupada com “a delapidação cumulativa dos recursos naturais e territoriais: o elevado consumo de água nas operações industriais de lavagem, a remoção e degradação dos solos, a perda de flora, fauna e habitats, a alteração irreversível da paisagem e a descaracterização do modelo territorial sustentável que Óbidos e a Região Oeste têm vindo a construir”. A degradação das estradas, o aumento do risco rodoviário e a pressão continuada sobre as populações, decorrente do ruído, das vibrações, das poeiras e das partículas em suspensão são outros pontos focados. “A paisagem, a água, os solos, a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida são recursos coletivos”, realçam.

Quem também rejeitou, por unanimidade, esta ideia foi a Junta de Atouguia da Baleia.

O assunto já conta com quase 1500 participações públicas e no dia 31 de agosto vai realizar-se no Fórum da Serra uma reunião entre a Câmara e as Juntas do concelho.

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