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Quem são e que relação têm os vendedores e utilizadores com a Praça da Fruta

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Inquérito contou com a colaboração de mais de meio milhar de vendedores e utilizadores da praça

Melhores condições de proteção contra a chuva e o vento, incluindo uma solução de cobertura, estão no topo das prioridades dos vendedores da Praça. Mas, realçam, qualquer que seja a intervenção a fazer deverá respeitar a identidade, a autenticidade e a imagem histórica da Praça, mantendo-a no mesmo local e reforçando o seu papel como mercado tradicional, espaço de produto local e símbolo das Caldas. Por seu lado, os utilizadores valorizam sobretudo a sua identidade, autenticidade, localização e função de mercado tradicional diário. Os problemas de acesso, estacionamento, chuva, vento e conforto reúnem consenso, ao contrário da colocação de uma cobertura. A maioria não quer uma solução pesada ou que descaracterize o local, priorizando uma praça mais funcional, confortável e acessível, mas fiel ao que a torna um símbolo da cidade.
No que respeita à caracterização dos vendedores, dos 63 inquiridos, mais de metade (52%) vende ali há mais de duas décadas. São funcionais os principais problemas por eles identificados e prendem-se com a exposição à chuva e ao vento, falta de estacionamento, cargas e descargas e falta de abrigo/apoio. Estes problemas aparecem tanto nas perguntas fechadas como nas respostas abertas do inquérito.
A cobertura da Praça surge como tema central. À pergunta sobre se esta deve ser coberta, 89% dos 63 vendedores responderam favoravelmente, sendo que 79%, disseram “sim, claramente”. Apenas seis respostas (9,5%), foram contra, incluindo os que rejeitam claramente a cobertura e os que só a aceitariam numa solução muito excecional. A solução que foi mais acolhida foi a de uma cobertura total permanente, com 54% das respostas. No entanto, muitos vendedores valorizam a preservação da imagem histórica, a ventilação, a luz natural e a autenticidade da Praça, o que mostra que os inquiridos querem, sobretudo, melhores condições de trabalho e de compra, com uma solução arquitetónica cuidadosamente integrada naquela envolvente.
A principal prioridade apontada para melhorar a Praça é a melhoria do acesso e do estacionamento, com 59% das respostas, seguida de uma melhor proteção climática, com 41%, e de um maior conforto para vendedores, com 37%.
No total dos inquiridos, os vendedores caracterizam-se por ser na sua grande maioria (quase 80%) do sexo feminino, o que corresponde à imagem tradicional de forte presença de mulheres na venda na Praça da Fruta. Entre eles 79% tem mais de 45 anos e 60% possui mais de 55 anos. Apenas 7% tem menos de 35 anos. A Praça é maioritariamente abastecida por vendedores residentes nas Caldas da Rainha (65%), um número que ascende a 92% se juntarmos Caldas e Óbidos.
A maioria dos inquiridos (52%) vende na praça há mais de 20 anos, e 24% vende há menos de 5 anos, sendo que 41% vem várias vezes por semana, e 37% vem todos os dias. A fruta, legumes e hortícolas são os produtos mais vendidos (59%), seguindo-se as flores e plantas com 17%, ervas aromáticas com 14% e artesanato com 8%, Os produtos biológicos representam 2% das vendas na praça, confirmando que este se trata de um mercado alimentar de proximidade.
Relativamente à origem principal dos produtos vendidos, 59% são produção própria e 80% engloba produção própria e de terceiros, sendo que 49% dos produtos são oriundos do concelho das Caldas da Rainha, e 78% são das Caldas da Rainha e de Óbidos.
Quando questionados sobre a vivência e funcionamento diário da praça, a esmagadora maioria dos vendedores (90%) referiu que o sábado, seguido da sexta-feira, são os dias em que sentem maior movimento de clientes, ao contrário de segunda e quarta-feira. O verão é a época do ano em que sentem que há mais procura, seguido do inverno e primavera. O outono é o menos indicado. Mas há 16% dos inquiridos que referem que não há sazonalidade.
Comparando com há cinco anos, 29% sente que a realidade da praça está pior e outro tanto que está igual. No entanto, a maioria (46%) diz que está pior e muito pior, e apenas 8% reconhece melhorias. Uma maioria relativa (48%) considera que o número de clientes se tem mantido, mas há um grupo expressivo que sente diminuição (37%), enquanto que apenas 14% dá conta de um aumento.
manutenção com 37% a indicar diminuição e 14% a indicar aumento.

Utilizadores gostam da Praça, mas querem que funcione melhor
Os utilizadores têm uma relação muito afetiva e identitária com a Praça da Fruta, reconhecendo-a como símbolo das Caldas, mercado tradicional diário e espaço de autenticidade, produtos frescos, proximidade e ambiente humano. O inquérito aos utilizadores mostra que fazem uma boa avaliação global da experiência de compra/visita. Numa escala de 1 a 5, a qualidade global da experiência tem média de 4,02, e 79%, deram nota 4 ou 5. O ambiente humano/social, a oferta disponível, a atratividade estética e patrimonial, a organização do espaço e a limpeza também obtiveram nota positiva.
Mas também há problemas. O principal fator que afasta ou desmotiva os utilizadores é o acesso/estacionamento, referido por 56%, seguido da chuva, mencionado por 37%. Mais de metade dos inquiridos (55%) referiu que compra hoje menos do que gostaria, enquanto que 23%, revela que às vezes o faz. Ou seja, 78%, admitem comprar menos do que gostariam, pelo menos ocasionalmente, sobretudo devido ao acesso/estacionamento, estado do tempo e falta de tempo, apontam.
A questão da cobertura divide os utilizadores. À pergunta “A Praça da Fruta deve ser coberta?”, 46% responderam favoravelmente, somando “sim, claramente” e “sim, com reservas”. Em sentido contrário, 50%, responderam negativamente, somando “não, claramente” e “não, salvo solução muito excecional”. Há ainda 4%, que não tem opinião definida sobre o assunto.
Os resultados mostram que há duas preocupações essenciais: por um lado, a melhoria do conforto, proteção climática e funcionalidade; por outro, a importância de preservar a identidade, autenticidade, luz natural, ventilação, ambiente ao ar livre e valor patrimonial. Quando convidados a escolher apenas uma solução, os utilizadores preferem sobretudo “sem cobertura, mas com outras melhorias”, com 29%, e “cobertura amovível/retrátil”, com 29%. A cobertura total permanente é escolhida por apenas 13%.
Com um peso semelhante de ambos os sexos, foram essencialmente utilizadores das Caldas da Rainha (80%) e também de Óbidos (9%), que responderam ao inquérito. 49% são compradores habituais e 40% compradores ocasionais, sendo que 62% vão à Praça, pelo menos, uma vez por semana. A maioria (62%) escolhe aquele mercado para comprar produtos frescos, mas também a qualidade dos produtos, o ambiente, proximidade e tradição são tidos em conta na hora da escolha, mais do que o preço. Os utilizadores valorizam simultaneamente a qualidade dos produtos e elementos simbólicos como ambiente ao ar livre, identidade histórica, autenticidade e tradição. Por outro lado, o acesso/estacionamento (56%) e a chuva (37%) são o que mais os desmotiva a ir à praça, mas foram apontadas ainda outras razões, como a exposição da fruta e legumes ao sol durante horas, a venda de produtos não tradicionais, a falta de outros meios de pagamento que não dinheiro vivo, a impossibilidade de fazer pedidos online ou o excesso de tráfego.
A maioria dos inquiridos afirma que compra menos do que gostaria. Somando “sim” e “às vezes”, 78%, compram menos do que gostariam, pelo menos em algumas ocasiões e justificam-no com o acesso/estacionamento (54%), estado do tempo (29%) e falta de comodidade (17%).

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