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Seis meses depois continuam as marcas da tempestade nas estradas do concelho

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Obras em curso na EN360, entre o Carvalhal Benfeito e Trabalhias

Estradas que continuam sem circulação e trânsito condicionado em vários locais obrigando a fazer desvios alguns de quilómetros são ainda consequências da tempestade Kristin, que entrou em território continental pelas regiões do Oeste e Leiria, no dia 28 de janeiro, deixando um rasto de destruição também no concelho caldense.
A freguesia dos Vidais foi a mais afetada. Depois de garantir a segurança das pessoas e bens numa primeira fase, restava a intervenção nas 11 estradas que ficaram danificadas. E assim continua. “Estão a passar seis meses desde que ficaram destruídas e a intervenção foi zero”, reclama, revoltado o presidente da Junta de Freguesia, Rui Henriques, acrescentando que já lhes foi prometido que “iam começar as obras em junho, depois passou para julho e agora já para agosto”.
O autarca lembra que está quase a começar a época da colheita da fruta, em que camiões carregados com toneladas de fruta irão “passar por caminhos com muito risco”. Noutras, o trânsito é proibido, obrigando a fazer desvios, por vezes, de quilómetros.
Entre as vias cortadas estão a Rua João Paulo II, entre Cortém e Mosteiros, a Rua de Santa Bárbara, na Carrasqueira e a Rua Principal, na Rabaceira. O autarca reconhece que o período de inverno não permitia obras, mas que agora os seus fregueses não percebem porque estas ainda não começaram. “Já passou muito tempo e nada começou a ser feito”, reclama, fazendo eco das preocupações dos fregueses que “todas as quartas-feiras [no atendimento ao público da freguesia] nos têm abordado com este problema”.
Rui Henriques refere também a necessidade de intervenção em dois muros de habitações, “que se a Câmara quiser tem capacidade de o fazer rapidamente, e que já nos foi prometido”, mas ainda não foi concretizado e “os donos ligam-me diariamente a pedir uma intervenção”. Tem manifestado a sua “preocupação” nas assembleias municipais, tal como terá acontecido na de terça-feira (já depois do fecho da edição).
As informações que tem, por parte do presidente da Câmara, é de que “está para breve”, que algumas das intervenções estão a concurso, outras estão ainda em projeto. “Respeito [os prazos] e sei que vai demorar algum tempo a concretização, e as pessoas também são tolerantes em relação a isso, mas o problema é que não vêem nada a ser começado”, fazendo notar que há intervenções a decorrer noutras freguesias.
O presidente da Junta realça ainda que sempre procurou fazer parte da solução e que, no que respeita aos caminhos agrícolas, esta autarquia de base, com o apoio monetário da Câmara, arranjou-os na sua totalidade. “Não houve agricultor nenhum que, a partir do segundo ou terceiro mês da intempérie, estivesse sem acesso às suas terras”, referiu à Gazeta das Caldas.
Em Alvorninha estão atualmente quatro estradas arranjadas, o que se traduz em menos de 50% das vias danificadas pela intempérie. De acordo com o presidente da Junta de Freguesia, Filipe Caetano, ainda se encontram danificadas as estradas do Zambujal, do Pego, entre a Laranjeira e os Lobeiros, à entrada de Alvorninha, entre Vila Nova e o Casal da Achada, a da entrada dos Lobeiros e a que liga a Malasia à Moita. Situações que causam transtorno, porque por exemplo, a da entrada de Alvorninha, que está interdita a veículos pesados, obriga camiões e autocarros (como o da escola) a fazer um desvio.
“Neste momento ainda não há uma estimativa de quando as obras poderão estar todas concluídas, está entregue ao município”, refere Filipe Caetano, acrescentando que esta freguesia foi a que, no concelho, teve mais estradas danificadas. Das informações que possui, a obra na estrada do Zambujal já está entregue a uma empresa, devendo seguir-se intervenções na via que liga Vila Nova ao Casal da Achada e na do Pego. As intervenções nos caminhos agrícolas já estão concluídas.
Em A-dos-Francos foi reaberta, no final da semana passada, a Estrada dos Britões, após as obras de reparação devido à tempestade. De acordo com a junta de freguesia, “apesar de ainda existirem pequenas intervenções a fazer no local, esta foi já aberta para facilitar o trânsito local”.

Intervenção de 10 milhões
A tempestade destruiu 75 estradas no concelho das Caldas, que têm um custo de intervenção estimado em cerca de 10 milhões de euros. Destas, o presidente da Câmara, Vítor Marques, reconhece que ainda muita obra a fazer, mas estima que dentro de um ano possa estar tudo regularizado.
“É um processo complexo”, admite, fazendo notar que a prioridade foi dada à salvaguarda de pessoas e bens e garantia de intervenção em locais onde estava em causa a circulação. Há ainda intervenções que são mais demoradas porque necessitaram da contratação de projetista e da elaboração de um projeto. “Estradas mesmo fechadas são ainda quatro ou cinco, mas têm alternativas, e condicionadas também há algumas, mas há aqui uma lista significativa de intervenções a decorrer nas diversas freguesias”, salientou, acrescentando que há 2,3 milhões já adjudicados para obra, 1,3 em contratação e 1,046 milhões já intervencionado.
Algumas vias exigem investimentos avultados, como é o caso de uma estrada nos Vidais e duas em Cortém, cuja estimativa é de 625 mil euros.
Vítor Marques lembra que a Câmara fez um empréstimo de 4,6 milhões (já aprovado na Câmara e Assembleia Municipal), mas que este valor não comporta todas as intervenções. “Tem de haver um esforço do próprio município, de outras rubricas para suprir estas necessidades, pois até à data ainda não tivemos qualquer apoio por parte do Governo”, afirmou o autarca, reiterando que toda a intervenção, até à data, tem sido feita com financiamento próprio do município. Vítor Marques refere-se ao pacote de medidas aprovado pelo governo, no início de fevereiro, no valor de até 2,5 mil milhões de euros para acudir a pessoas, empresas, autarquias e infraestruturas.
O que a autarquia recebeu do Estado foi um “adiantamento para tesouraria”, duas verbas de 600 mil euros, que Vítor Marques realça que não adiantam nesta situação em concreto, pois esse dinheiro não pode ser utilizado em orçamento ou para contratações. “Esse era dinheiro que deveríamos receber durante o ano e que já estava alocado para funções determinadas”, explicou à Gazeta das Caldas.
O autarca reconhece a morosidade dos processos, mas também a dificuldade numa resposta célere dos empreiteiros.
Vítor Marques destaca, por outro lado, o trabalho executado pelas juntas de freguesia, com o apoio da autarquia. “Aumentámos cerca de 400 mil euros o apoio às juntas para que pudessem ser mais ágeis na contratação de máquinas e ter meios mais disponíveis”, explicou, acrescentando que foi esse coordenar de esforços que permitiu debelar muitas situações.
No âmbito das medidas excecionais de apoio acionadas na sequência da tempestade, a 30 de junho, tinham sido pagos 305,3 mil euros a 92 beneficiários das Caldas da Rainha. Já 109 candidaturas apresentadas por munícipes caldenses foram indeferidas.
Geridas pelas CCDR, neste caso de Lisboa e Vale do Tejo, estas candidaturas incluem apoios simplificados até 10 mil euros para habitação e recuperação das casas.

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