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Dulicy transforma chocolate e cortiça em experiências com identidade portuguesa

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Carlos Franco com três tipos de produto da Dulicy

No Alto do Veríssimo, em Peniche, o chocolate ganha uma dimensão que vai muito além do sabor. Na Dulicy, uma pequena empresa familiar, o chocolate, o design e a cortiça juntam-se para criar produtos com uma forte identidade portuguesa. Criada em 2012, a empresa mantém uma aposta crescente na personalização e no mercado empresarial, procurando transformar cada encomenda numa experiência diferenciadora.
“Foi o aproveitar da tendência que havia na altura, quando Portugal estava a dar os primeiros passos para se tornar num destino da moda”, explica Carlos Franco, CEO da Dulicy, sobre a origem do projeto. Com formação em Gestão Turística e Hoteleira e mestrado em Marketing, o responsável identificou no crescimento do turismo uma oportunidade para criar um produto que pudesse ser levado pelos visitantes para os seus países de origem.
A ideia passou inicialmente por juntar dois elementos associados a Portugal: chocolate e cortiça. “Quisemos juntar algo doce com algo que nós conseguíssemos criar com a nossa identidade, de modo a ter algo português e único”, resume.
A cortiça é um dos elementos mais distintivos da Dulicy. Para Carlos Franco, não se trata apenas de uma opção estética, mas de uma matéria-prima com uma forte ligação à sustentabilidade e à identidade nacional. “É um produto eco-friendly e que preserva a natureza”, afirma, lembrando que o sobreiro é descortiçado periodicamente de modo a manter a árvore saudável. A preocupação com a origem estende-se ao cacau utilizado na produção “Bean-to-Bar”. A Dulicy trabalha com um parceiro de São Tomé e Príncipe e procura garantir a rastreabilidade da matéria-prima, acompanhando a origem do cacau e o percurso realizado até chegar à empresa.
A esses dois produtos, juntou-se o design para oferecer um produto de excelência, numa embalagem diferenciada a partir de materiais premium e com um design que a torna num verdadeiro “souvenir” cheio de portugalidade, com elementos como os Descobrimentos, o Fado, o Galo de Barcelos, ou monumentos.
O resultado pretendido é um produto que combine sabor, apresentação e origem. “Queremos que as pessoas tenham uma experiência única, diferenciadora”, diz Carlos Franco. A embalagem assume, por isso, um papel que ultrapassa a proteção do chocolate. “Muitas vezes não querem abrir a embalagem. Vários parceiros nossos dizem-nos: ‘Os nossos clientes compram o chocolate, mas depois não querem abrir a embalagem porque têm pena de a destruírem”, relata o empresário.
O primeiro chocolate foi lançado em junho de 2012. Carlos Franco recorda as primeiras abordagens comerciais em Lisboa, feitas ainda no calor do verão, quando a empresa procurava colocar o produto nas primeiras lojas. A diferenciação acabou por ser uma das principais portas de entrada no mercado. “Como criámos um produto completamente diferenciador, novo no mercado na altura, foi fácil”, conta.
A Dulicy trabalha atualmente com duas vertentes de produção. Uma delas segue o conceito “Bean-to-Bar”, começando no próprio grão de cacau e controlando todo o processo de produção até à barra. A outra utiliza chocolate profissional adquirido a grandes produtores, posteriormente transformado através das receitas desenvolvidas pela empresa.
A lógica, em ambos os casos, é a mesma: criar um produto próprio e adaptável às necessidades de cada parceiro. É nessa capacidade de adaptação que a Dulicy procura encontrar uma das suas principais vantagens competitivas. Empresas, hotéis, entidades ligadas ao turismo ou clientes particulares podem apresentar uma ideia ou trabalhar a partir de uma proposta da própria empresa. A Dulicy desenvolve depois a receita e o conceito visual.
Chili, pistácio ou diferentes percentagens de cacau são algumas das possibilidades. Carlos Franco explica que a empresa pode trabalhar chocolates com 75%, 80%, 90% ou até 100% de cacau, dependendo do objetivo, mas também percentagens mais baixas, para um chocolate mais doce. “Nós temos esta abrangência”, salienta.
A personalização pode chegar a parcerias específicas, como é o caso de um chocolate desenvolvido para o alojamento local Paço 76, com embalagem e receita adaptadas à identidade do parceiro. Outro projeto junta chocolate e vinho do Porto, numa parceria com a Porto Cruz. Mais recentemente, a empresa desenvolveu também uma experiência com Aguardente da Lourinhã, em três percentagens de cacau (54%, 65% e 77%), pensadas para tirar o melhor proveito da degustação conjunta do chocolate com a aguardente.
É também através destas parcerias que a empresa procura crescer. Para Carlos Franco, a colaboração entre marcas permite criar produtos que nenhuma das empresas conseguiria apresentar isoladamente, “criando valor”, acrescenta.
Sem divulgar os dados económicos da empresa, Carlos Franco refere que a Dulicy tem mantido um percurso ascendente. Além da loja online (em Dulicy.com), os chocolates estão em algumas das lojas premium mais destacadas em Lisboa, no Porto, no Algarve e nos Açores, que permitem a quem nos visita levar um pedaço de Portugal para além-fronteiras.

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