
Susy Starlite vive na Foz e está a expor no Malaica. Preocupa-se com temas ligados às mulheres
Inspirada na roupa estendida nas varandas portuguesas, Susy Starlite está a expôr, no Malaica Social Art Club, a instalação “Raising a Nation” onde reflete sobre as mais variadas questões sobre a mulher. Por causa das roupas nos estendais, onde se revela a intimidade dos moradores, a autora decidiu imprimir imagens de rostos de mulheres, em grandes pares de cuecas de senhora.
A artista britânica, que é natural de Ross-on-Wye, é multi-instrumentista e possui com o seu marido Simon Campbell, um estúdio de gravação na Foz do Arelho. Para esta mostra reuniu muitas fotografias de corajosas mulheres, “que têm feito um pouco de tudo para conseguir criar os seus filhos”.
Estão igualmente impressos retratos da sua mãe (usando o vestido no dia do seu casamento) e também da sua avó fazendo o V de vitória para um projeto escolar de Susy Starlite. Há também fotografias de casais gays que já criaram sete filhos ou de uma antiga professora que deixou o ensino para criar o seu filho autista, tendo-se tornado numa especialista.
“Esta é uma celebração sobre a mulher. Somos de todas as cores, tamanhos e culturas”, disse a autora e que ainda incluiu uma instalação dedicada à amamentação.
“As mulheres carregam o poder ancestral da criação: o dom de gerar vida e de a alimentar através do leite materno, o único alimento com batida do coração”, disse a autora que também se interessou e trouxe para a sua exposição a antiga prática de lavar a roupa em comunidade e que se fazia em nesta região, nos lavadouros comunitários. Nesses tempos “era a internet da altura!”, disse a autora, acrescentando que era durante o tempo em que se lavava a roupa que se sabia o que se passava nas comunidades.
A mostra inclui retratos de mulheres que Susy Starlite conheceu em vários países e é com gosto que conta as suas histórias, muitas delas de superação.
Raising Nation também se propõe a celebrar o o espírito inabalável das mulheres, não só como mães ou madrastas, como também refere as mulheres que perderam os seus filhos, antes do nascimento em acidentes ou doenças.
“Há também um elemento que lembra que há sangue envolvido em vários processos”, disse a autora referindo-se desde o nascimento até ao período menstrual e por isso o sangue está também simbolicamente representado na exposição. Pedro Rolo, também artista, é o curador desta exposição e ficou igualmente surpreendido em conhecer a vertente da autora ligada às artes plásticas pois só a conhecia ligada à música. “Foi uma surpresa e aceitámos o seu desafio, abrindo o ciclo de exposições deste ano”. Patente até ao próximo dia 6 de março.











