
Três diretores culturais reuniram-se para debater o tema “Cultura é capital”, numa iniciativa do PH
Decorreu, a 19 de março, no Café do CCC, mais uma tertúlia, promovida pelo PH desta vez sobre o tema “Cultura é capital . A cidade vista e revista por quem lhe dá valor”. Os convidados foram Dóris Santos, diretora do Museu do Traje; Fernando Mora Ramos, diretor artístico, ator, encenador do Teatro da Rainha e Mário Branquinho diretor do CCC e a tertúlia foi moderada por Rita Saez, do PH.
A diretora do Museu nacional partilhou que desde criança acompanhava o pai, fotógrafo profissional, ao parque D. Carlos I, lugar onde viria a trabalhar pois fez parte da equipa do Museu Malhoa, onde viria a trabalhar. Também passou pelo Museu da Nazaré e é atualmente docente na ESAD CR.
A bombarralense destacou a conjuntura que envolveu a elevação das Caldas a cidade, em 1927, salientando a ação de António Montês na construção da identidade das Caldas enquanto cidade de cultura. Chamou ainda a atenção para a necessidade das entidades relacionadas com a cultura desenvolverem uma programação articulada, tornando em “valor” a sua ação.
Fernando Mora Ramos referiu os espaços urbanos onde residiu: Lisboa, Lourenço Marques, Évora e Caldas, comparando alguns dos seus espaços mais marcantes.
Em Évora, após o 25 de abril de 1974, o Teatro Garcia de Resende foi resgatado da situação de lixo e de abandono em que se encontrava. “Uma cidade faz-nos”, disse Mora Ramos, “no sentido em que não lhe escapamos”. Évora “está completamente diferente hoje em dia, devido ao crescente turismo”, disse.
Entre outras reflexões, o encenador afirmou que o equipamento do CCC “sofisticadíssimo, mas subaproveitado”.
Deu como exemplo de algo positivo em Portugal, a música, baseada numa rede de filarmónicas que que já funcionam há muitos anos e que formam músicos de grande qualidade, que vêm a integrar orquestras nacionais e estrangeiras.
No final da sua intervenção, proclamou: “Uma arte elitista para todos!”, em jeito de palavra de ordem.
Mário Branquinho afirmou que “uma cidade vale pelas pessoas que tem”. O diretor deu ainda a conhecer que a estratégia do CCC se insere numa óptica de ligação com instituições e associações da cidade e “é dessas parcerias que nascem novos públicos”.
Mário Branquinho congratulou-se com o facto de o CCC ter conseguido, pela primeira vez, obter um apoio da DGArtes para um período de quatro anos. Ao contrário de Fernando Mora Ramos, para o diretor geral e de programação do CCC os espetáculos mais comerciais, que classifica de entretenimento, também têm e devem ter o seu lugar no centro cultural das local.
Na sua opinião, o público do CCC é muito vasto, abrange toda a região e é cada vez mais frequentado por estrangeiros.










