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Nelson Santos levou o jetski freeride português ao palco mundial

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Nelson Santos realça as excelentes condições que a região tem para a prática desta modalidade e está a trabalhar para trazer de volta as provas ao Oeste

O piloto caldense chegou aos quartos de final da Copa do Mundo no Brasil, sem apoios e com uma máquina emprestada

Durante 15 minutos, frente a frente com outro piloto, cada decisão conta. Ler a onda certa, escolher o momento do salto, controlar a máquina no ar e voltar a pousar sem perder velocidade. No jetski freeride não há duas oportunidades iguais. E foi nesse cenário que Nelson Santos, caldense residente em Salir de Matos, somou mais uma participação internacional, ao participar na Copa do Mundo de Jet Ski Freeride que se realizou de 8 a 10 de maio na Praia de Guarajuba, na Bahia, Brasil.

A ida ao Brasil surgiu através de um convite que começou a ganhar forma meses antes, após uma prova realizada na Lourinhã. “Foi através de uma aproximação com o Bruno Jacob, piloto e presidente da Federação Baiana de Jet Ski. Começámos a falar sobre o futuro da modalidade e sobre a possibilidade de voltar a realizar provas em Portugal”, conta.

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Dessas conversas nasceu o convite para Nelson Santos competir no Brasil, numa das provas de maior dimensão da modalidade. Para Nelson Santos, mais do que uma participação internacional, tratou-se de um momento simbólico num percurso construído praticamente sem apoios.

O freeride aproxima-se do surf na lógica competitiva. Existem uma fase inicial de classificação e depois eliminatórias diretas até à final. Mas em vez de pranchas, entram em cena motos de água altamente modificadas. “O objetivo é aproveitar a onda durante uma bateria de 15 minutos. A pontuação divide-se entre o surf puro na onda e as manobras aéreas. São 50% para cada componente”, explica.
Na prática, exige muito mais do que técnica de condução. “Depende da adaptação à máquina e, acima de tudo, de saber ler o mar. Não há duas ondas iguais e o mar não perdoa. Não existe margem de erro”, realça.

No Brasil, Nelson chegou aos quartos de final. Um resultado que considera positivo, mas que acredita poder ter sido ainda melhor caso tivesse conseguido competir com o seu próprio equipamento. Nelson Santos competiu com um jetski emprestado, que teve problemas de desempenho ao longo da prova. “Facilitaria muito o trabalho e possivelmente teria tido um resultado melhor se tivesse competido com a minha máquina. Os custos de transporte são muito elevados e sem apoios financeiros é muito difícil”, contou.

Na categoria em que participou estavam cerca de duas dezenas de pilotos, muitos deles habituados ao circuito internacional e apoiados por estruturas profissionais.

“O vencedor é várias vezes campeão europeu e vice-campeão mundial. O segundo classificado já foi campeão do mundo. Eles têm anos de experiência e muito apoio de federações, patrocinadores e marcas”, diz.

Mesmo assim, Nelson acredita que havia margem para sonhar mais alto, com o equipamento ideal. “Pelas condições do mar e pela forma como a prova correu, acredito que poderia ter chegado às meias-finais. Um terceiro ou quarto lugar numa competição mundial, fora do nosso país, seria magnífico!”

Mas o percurso até ali começou muito longe das ondas. Há cerca de 13 anos, numa conversa informal com um amigo sobre comprar uma mota de água, decidiu procurar vídeos na internet. Descobriu o universo do jetski freestyle e percebeu rapidamente que não queria seguir o caminho mais convencional.

“Disseram-me que era muito difícil, um bicho-de-sete-cabeças. Como sou um bocadinho teimoso, avancei!”

Comprou um modelo antigo da Kawasaki, desmontado, e fez praticamente tudo sozinho. “Recuperei-o, fui alterando o casco, mudei os ângulos do fundo, a traseira e a largura da passadeira. Treinei com essa máquina durante nove anos”, conta.

Há dois anos adquiriu em França o jetski que utiliza atualmente, um modelo que diz ser único na Península Ibérica. “Comprei-o seminovo, mas sem motor. Tive de montar e adaptar todos os componentes”, refere.

Essa relação próxima com a mecânica acaba por ser natural. Antes do mar, o seu mundo já metia motores, mas em terra firme. “O meu passado era no motocross, motas de estrada e quads. Tudo o que envolva mecânica, motores e adrenalina sempre me atraiu”, conta.

Em Portugal, admite, praticar a modalidade continua longe de ser simples. As provas são poucas, o mercado é praticamente inexistente, assim como os apoios.

A última etapa do campeonato do mundo realizada em território nacional aconteceu há cerca de dez anos, na Praia da Areia Branca, na Lourinhã. Desde então, pilotos e entusiastas têm tentado recuperar espaço.

“Estamos a tentar trabalhar com autarquias para voltar a organizar provas. Neste momento aguardamos resposta da Câmara de Torres Vedras para tentar fazer algo na Praia de Santa Cruz.”

No Oeste não faltam condições naturais. Nelson destaca locais como Supertubos, Baleal, Nazaré, São Martinho do Porto e mesmo a Foz do Arelho, mas lembra que o mar exige respeito. “Na Nazaré é preciso muito cuidado. Numa prova há equipas de resgate. Num treino entre amigos o risco é outro. Fazer isto sozinho é impensável”, adverte.

Enquanto espera por novas oportunidades competitivas, o foco passa agora pela preparação. “Manutenção da máquina e preparação física e psicológica. Este desporto exige muito do corpo e da capacidade de manter a calma”, realça.

Em setembro quer regressar à competição em Montalivet, França. E continua determinado a abrir caminho para que Portugal volte a aparecer no mapa internacional do jetski freeride.

“Comecei do nada, sem apoios, quase como um sonhador. Os sonhos não param. Temos de ser ambiciosos, mas manter os pés na terra”, concluiu.

O piloto caldense executa uma manobra de backflip, um salto “mortal” invertido
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