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Universidade de Leiria e Oeste quer afirmar as potencialidades do território que abarca

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Governantes e responsáveis das várias escolas do IPL após a decisão da criação da nova Universidade de Leiria e Oeste

O Conselho de Ministros, reunido a 21 de maio na Câmara de Pombal, aprovou o decreto-lei que cria a Universidade de Leiria e do Oeste, “assegurando condições para as instituições aprofundarem a sua capacidade de investigação, expandirem a oferta de educação superior universitária, incluindo doutoramentos, e intensificarem a sua integração em redes nacionais e internacionais de investigação e inovação”. De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, esta decisão estratégica do Governo, visa “consolidar a rede de ensino superior, fortalecer o sistema científico e tecnológico nacional, reforçar a coesão territorial e consolidar um ensino superior público mais diversificado, competitivo e preparado para os desafios do futuro”.
Esta decisão, agora oficializada, é sequência da proposta de transformação formalmente submetida pelo Instituto Politécnico de Leiria ao Ministério Educação, Ciência e Inovação, em abril de 2025.
Na sessão, que decorreu pouco depois no Instituto Politécnico de Leiria (IPL), o primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou a criação da nova universidade como “um marco para o país” e para a região, sublinhando que a criação de universidades públicas não acontecia desde os anos 80. Já o presidente do IPL, Carlos Rabadão, disse tratar-se de “um dia verdadeiramente histórico” para aquela entidade, para Leiria e Oeste e, acredita, para Portugal. O responsável vê a criação desta universidade como o “reconhecimento de um percurso construído ao longo de 45 anos com trabalho, visão, capacidade de inovação e uma ligação profunda ao território, às empresas e às pessoas”. O IPL afirmou-se, ao longo das últimas décadas, como “uma das instituições de ensino superior mais dinâmicas e inovadoras do país”, realçou, dando nota da qualidade científica, oferta formativa diversificada, reforço na internacionalização e relação de proximidade com o tecido empresarial e social da região.
Carlos Rabadão lembrou o estudo “Prospetiva 2035 – Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste”, apresentado em abril de 2025 e que defendia que Leiria e o Oeste têm uma enorme capacidade produtiva, uma forte densidade industrial e uma extraordinária cultura empreendedora. Contudo, enfrentam um desafio estrutural: a região continua a crescer abaixo de outras zonas do litoral, gera menos valor por hora de trabalho e apresenta salários ainda abaixo da média nacional. Considera que o problema está na dificuldade em diversificar a base económica, aumentar a incorporação tecnológica e criar mais valor através do conhecimento e da inovação, que é missão desta nova universidade.
Garantiu que irão continuar a valorizar a componente “prática aplicada e próxima da realidade empresarial” que tem distinguido o IPL, mas agora também capacitando os alunos para saber criar, transformar, inovar e liderar. “Pessoas preparadas para atuar num contexto marcado pela inteligência artificial, pela digitalização, pela transformação industrial, pelas transições energética e climática e pelas profundas mudanças sociais e económicas que estamos a viver”, exemplificou.
De acordo com Carlos Rabadão, esta universidade distinguir-se-á pela sua natureza híbrida e integrada, que valoriza o legado do ensino superior politécnico, nomeadamente a sua forte orientação aplicada e a proximidade ao tecido empresarial, e o articula com uma ambição universitária reforçada, orientada para a produção científica de maior complexidade e para a afirmação internacional. “Queremos ser uma universidade diferente”, disse, assumindo uma ligação profunda ao território e, ao mesmo tempo, aberta ao mundo. “A Universidade de Leiria e Oeste será construída sobre um modelo inovador, capaz de integrar o melhor da tradição universitária com a forte componente aplicada e de proximidade que sempre caracterizou o Instituto Politécnico de Leiria”, salientou, garantindo a proximidade às empresas e a atenção às necessidades emergentes do território e empregabilidade dos estudantes. “Queremos afirmar-nos como um ecossistema integrado de ciência, tecnologia, inovação e qualificação avançada, capaz de posicionar a região e o país nas cadeias de valor de maior intensidade tecnológica e de maior valor acrescentado”, assumiu.

Potencializar os territórios
O modelo territorial e organizacional assenta numa lógica multicampi e em comunidades de inovação, de modo a potenciar as especificidades de cada território. A transformação institucional será desenvolvida através de uma metodologia baseada em Design Thinking, em que os diversos campus serão transformados em ecossistemas Knowledge and Innovation Communities (KIC), especializados em áreas de conhecimento, investigação e inovação, “fortemente articuladas” com os ecossistemas económicos, científicos e sociais da região. O Campus das Caldas da Rainha afirmará uma “vocação internacional nas áreas da criatividade, do design, dos media e das indústrias culturais, cruzando arte, técnica e indústria numa lógica contemporânea inspirada nos grandes modelos europeus de inovação criativa”, especificou. Já Peniche irá afirmar-se na economia azul, sustentabilidade marítima, tecnologias oceânicas e turismo sustentável, enquanto que Leiria reforçará áreas ligadas à transformação industrial, à inteligência artificial, às tecnologias emergentes, às ciências sociais e à inovação em saúde.
O presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, considera que a passagem do IPL a universidade é importante do ponto de vista do seu crescimento, mas também da sua “notoriedade e reconhecimento entre pares”. O autarca realça também que o facto de incluir Oestena nomenclatura valoriza esta região.
Vítor Marques destaca ainda a relação de parceria que a autarquia possui com o IPL, com a existência da ESAD.CR, mas recentemente também com a realização de TeSP na área do termalismo e bem-estar. Uma parceria que se está a consolidar com mais oferta ao nível de Cursos Técnicos Superiores Profissionais, no próximo ano letivo, nomeadamente de Estética e Cosmética e Bem-Estar, de Laboratório Forense e Criminal e de Alimentação Saudável, que estavam até agora a funcionar em Torres Vedras.
Estão também em fase de aprovação as licenciaturas, em Saúde Digital e Ciências Biomédicas Laboratoriais, previstas arrancar nas Caldas da Rainha no ano letivo de 2027-2028, no Externato Ramalho Ortigão, que já possui condições para o efeito, tendo em conta que já acolheu a Escola Superior de Biotecnologia.
Vítor Marques não esconde que gostaria que nas Caldas um polo ligado à saúde possa ganhar alguma dimensão, mas defende também a aposta noutras áreas, como as engenharias, “onde contamos vir a ter alguma empregabilidade nessas áreas”.

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