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“Queremos transformar talentos em oportunidades para o mundo do trabalho”

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Ana Elisa Santos assumiu a direção do CENCAL a 1 de maio

Ana Elisa Santos assumiu há um mês a direção do CENCAL – Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica. Com um percurso de mais de duas décadas ligado ao Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a nova responsável pretende reforçar a proximidade com empresas, escolas e autarquias, modernizar as infraestruturas e os equipamentos e consolidar o papel do centro como motor da qualificação e do desenvolvimento regional.
Natural de Leiria e conhecedora da realidade do CENCAL há vários anos, Ana Elisa Santos chegou ao cargo depois de ter desempenhado funções de vogal do conselho diretivo do IEFP, onde tinha sob a sua responsabilidade o pelouro da formação profissional. Antes disso passou por diversos cargos de direção no Instituto de Emprego e Formação Profissional, no Centro Protocolar da Justiça e em estruturas ligadas ao emprego e à formação.
A responsável refere que o primeiro mês foi dedicado sobretudo a ouvir os colaboradores e a conhecer melhor a realidade dos vários polos de formação. “Considerei muito importante perceber como estavam as pessoas da organização. Falei com as equipas, visitei os polos das Caldas da Rainha, Alcobaça e Marinha Grande e tentei perceber o que poderíamos melhorar para termos um serviço ainda melhor para as pessoas, para a região e para as empresas”, explica.
O objetivo foi traçar “uma estratégia para o novo ciclo do CENCAL, não esquecendo todo o historial e a referência que este centro de formação é para a região e não só, a nível nacional e também internacional”, afirmou à Gazeta das Caldas.
Para a nova diretora, um dos principais desafios passa por reforçar a ligação do centro de formação ao território. “É importante que esta instituição alargue a sua proximidade com a região, com a comunidade, com as autarquias, com as escolas e com as empresas”, sublinha.

Acompanhar a indústria
A estratégia passa igualmente por aproximar a oferta formativa das necessidades reais da indústria. “Uma das principais prioridades é promover e apoiar a formação profissional em articulação com as empresas, garantindo uma oferta muito mais próxima das suas necessidades. Temos de perceber exatamente aquilo que os setores da cerâmica e do vidro precisam”, explica.
Apesar de trabalhar em setores profundamente ligados à tradição industrial portuguesa, Ana Elisa Santos considera que o futuro do CENCAL passa inevitavelmente pela inovação tecnológica. “A indústria está a transformar-se rapidamente e, por isso, o CENCAL também tem de se transformar e acompanhar essa evolução”, afirma.
O objetivo passa por continuar a investir na atualização das oficinas, laboratórios e equipamentos. “Gostaria que os equipamentos estivessem todos alinhados com a Indústria 4.0. É o futuro”, sublinha.
A dirigente recorda que já foram realizados investimentos significativos através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas reconhece que existem ainda necessidades importantes ao nível das infraestruturas. Entre elas está a requalificação de espaços existentes e a eventual construção de um novo pavilhão destinado à formação.
“Tive oportunidade de transmitir ao secretário de Estado e ao presidente do IEFP que esta era uma necessidade premente. Precisamos de requalificar espaços e aumentar a nossa capacidade de formação”, explica. “Não foi possível ficarmos abrangidos com a questão da manutenção das infraestruturas [no projeto do PRR], mas pensamos que agora, quer com o investimento e com o apoio que o IEFP nos poderá dar, quer com o PTRR (Plano de Transformação e Resiliência Regional), porque infelizmente também fomos assolados pela tempestade Kristin, penso que poderemos fazer algumas melhorias a breve trecho”, adianta.

Formandos mais qualificados
Essa requalificação, além de contribuir para melhorar as condições de trabalho dos 35 profissionais do quadro da instituição, é também vista como necessária para aumentar a atratividade para os próprios formandos.
A diretora destaca uma evolução significativa no perfil dos formandos que procuram o CENCAL, que são cada vez mais pessoas altamente qualificadas que procuram especialização técnica. “Temos adultos de várias áreas, desde arquitetos a técnicos de multimédia, que procuram formação específica na cerâmica e no vidro”, refere.
Muitos dos formandos chegam mesmo do ensino superior, procurando complementar a formação académica. “Muitos jovens saem da ESAD.CR e sentem necessidade de adquirir uma componente mais prática. É muito interessante verificar essa procura”, revela.
Entre as prioridades da nova direção está também o reforço da articulação com instituições de ensino superior e entidades ligadas aos setores da cerâmica e do vidro. A proximidade à escola de artes caldense é vista como uma oportunidade estratégica. “É uma das reuniões prioritárias que tenho para breve”, revela.
Ana Elisa Santos considera essencial que as várias entidades trabalhem em conjunto e, nesse âmbito, admite a criação de novas ofertas formativas de nível pós-secundário em colaboração com o Politécnico de Leiria.
Ana Elisa Santos pretende ainda reforçar a dimensão internacional da instituição. Recentemente, o centro recebeu participantes de um projeto Erasmus+, iniciativa que considera relevante para aumentar a notoriedade do CENCAL além fronteiras. “É importante que estagiários e formandos de outros países venham até nós. Isso promove o centro e demonstra a qualidade do trabalho que aqui é desenvolvido”, considera.
O centro continua também a desempenhar um papel relevante na integração de cidadãos estrangeiros, através de cursos de Português Língua de Acolhimento e de outras ações formativas.
Outro dos eixos estratégicos passa pela comunicação. A diretora considera que o CENCAL deve tornar mais visível o impacto da sua atividade. “Temos de divulgar melhor aquilo que fazemos, os projetos que desenvolvemos e o impacto que geramos na vida das pessoas e das empresas.”
No seu mandato até setembro de 2029, Ana Elisa Santos aponta à ambição de “implementar um plano de formação completamente inovador, que fizesse a mudança e transformasse o CENCAL num centro de excelência”. “O futuro do CENCAL passa por quatro pilares fundamentais: as pessoas, a inovação, a sustentabilidade e a proximidade. Queremos um CENCAL mais aberto à comunidade, mais próximo das empresas, mais internacional e com capacidade de transformar talentos em oportunidades para o mundo do trabalho”, conclui.

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