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Críticas pela demolição da antiga casa de Vitorino Froes

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Demolição ocorreu no final de tarde e na noite de sábado, 8 de fevereiro

Em causa estava a segurança, dado o estado de degradação, mas a decisão não deixou de gerar críticas pela não preservação do imóvel

A demolição de um prédio antigo, na Rua Vitorino Fróis, na cidade das Caldas, ocorreu no final da tarde e noite de 7 de fevereiro.

Aquele era um imóvel degradado, há muitos anos identificado, mas sem qualquer intervenção. A última vez que algo tinha sido feito foi a colocação de uma vedação, que retirava área aos peões.

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Gazeta das Caldas confirmou, junto da família de Vitorino Froes, famoso cavaleiro que tinha uma relação de amizade com o Rei D. Carlos I, que este chegou mesmo a viver nesta habitação, embora não fosse proprietário do prédio.

Isabel Xavier, da Associação Património Histórico, lembra-se bem deste imóvel, dado que nasceu e cresceu na zona da Rainha. “Acho bem que se tenha demolido, pela segurança, mas era melhor que se tivesse preservado”, defende, recordando a degradação do imóvel ao longo dos anos. “É a história do facto consumado”, aponta. Mas ter sido a casa desta figura “é mais uma coisa que a valorizaria do ponto de vista histórico, é uma pessoa importante para as Caldas e deve ter sido por isso que deram o seu nome à rua”.

Já o arquiteto Jorge Mangorrinha diz que “esta demolição tornou-se uma fatalidade, face à informação da proteção civil e da Divisão de Infraestruturas Municipal de que estava em perigo de derrocada. Porém, o problema vem de trás”. É que “o edifício esteve décadas ao abandono” e “nem os proprietários se interessaram pela sua recuperação nem a Câmara Municipal fez as diligências legais de tomada de posse administrativa e conservação”.

O mesmo explica que este “era um exemplo da arquitetura civil privada, mais enobrecida do que as construções vulgares da época” e afirma que “a cidade perde uma parte de si quando morre mais um prédio que tem história”, notando que “Caldas da Rainha tem perdido muito património histórico e não tem obras contemporânea relevantes”. Aponta ainda que “o que se construiu nos últimos cinquenta anos foi maioritariamente construção e não arquitetura, e muito menos com bases urbanísticas”.

Jorge Mangorrinha salienta que “nem sempre mora na autarquia quem tenha conhecimento e sensibilidade para os assuntos do foro do património cultural e da estética” e que “se continuarmos a ter aversão ao planeamento, à arquitetura e ao bem construir, bem como pactuar com o engano, a cidade perde o seu encanto e os recursos próprios de captação de visitantes”.

Questionado pela Gazeta das Caldas, o presidente da Câmara, Vítor Marques, lembrou que, ao longo do tempo, este imóvel “foi sendo monitorizado pela fiscalização da Câmara, acompanhado com visitas regulares para ver o estado de degradação do mesmo” e a decisão da demolição deu-se quando já “estava em perigo de derrocada eminente”. Aí, “na salvaguarda, essencialmente, não do bem, porque o bem estava muito deteriorado, mas das pessoas e dos bens contíguos”, dado que com a cércea que tinha “caíria para cima do prédio do lado, da Santa Casa da Misericórdia”.

O edil caldense frisa ainda que as “paredes de adobe estavam muito fragilizadas” e conclui que “da nossa parte, a decisão foi a acertada”, ainda que admita que “claro que haverá outras vozes e outras opiniões, mas coube-nos, pela responsabilidade que temos na Proteção Civil, tomar essa decisão e tomámo-la em consciência, com os devidos pareceres técnicos da Câmara Municipal”.

Vítor Marques lembra ainda que já no seu mandato e até no do anterior presidente da Câmara “houve várias interações com o proprietário no sentido de corrigir aquela situação”. Conta que, quer o próprio, quer o vice-presidente, tiveram “várias reuniões no sentido de sensibilizar os proprietários para fazer algo”. Dado o facto de não existirem soluções da parte do privado, “e dado o interesse da localização e algum interesse histórico do imóvel, estabelecemos alguns contactos no sentido de o poder vir a comprar”, esclareceu. Só que “o valor que era pedido era muito acima do valor de avaliação e, portanto, nunca chegámos a acordo, mas chegámos a fazer esse caminho”.

O presidente da Câmara das Caldas refere ainda que “também temos tomado outras decisões de demolições neste espaço de tempo em todo o concelho”, como ocorreu num imóvel junto à Avenida, na Rua da Caridade, mas também noutro junto ao estacionamento do Montepio. Atrás dos antigos Móveis KOL foi demolido um muro que estava em perigo de derrocada. “Nestas alturas críticas, com as devidas informações bem avalizadas pelos técnicos, pela Proteção Civil e pelos engenheiros da Câmara Municipal, vamos tomando as decisões que são necessárias para não pôr em causa a segurança de pessoas e bens”, explicou.

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