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Seguro fez história nas Caldas. O candidato mais votado de sempre

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António José Seguro com a família, entoando o hino nacional, após a declaração de vitória ao país

“Sem amarras” mas “exigente” e “vigilante”. É desta forma que António José Seguro pretende exercer o cargo de Presidente da República. No discurso de vitória, disse que quer ser o Presidente de “todos os portugueses” e estabeleceu como prioridade acompanhar a resposta eficaz do Estado às tempestades e aos incêndios

A candidatura de António José Seguro terminou, na noite de domingo, como começou, com o CCC lotado com apoiantes e amigos do agora novo Presidente da República, o primeiro a residir nas Caldas da Rainha. A noite eleitoral também, com o candidato eleito a regressar a casa, com a família, a poucas centenas de metros do centro cultural, de onde tinha saído, num aparato mediático, três horas antes para reunir naquele espaço e, por fim, fazer o discurso da vitória onde assumiu que será o presidente de “todos, todos, todos os portugueses”. Seguro, já o tinha manifestado antes, pretende continuar a residir nas Caldas da Rainha onde a mulher, a caldense Margarida Maldonado Freitas é empresária.

O candidato mais votado de sempre numas eleições presidenciais (que nas Caldas obteve mais de 72% dos votos), começou por lembrar as vítimas da catástrofe que assolou a região centro e comprometeu-se a garantir que os apoios prometidos pelo Estado irão chegar às pessoas. “Há muito trabalho a fazer. Precisamos de um país preparado, não de um país surpreendido”, disse, defendendo um melhor planeamento dos recursos para que haja a capacidade de resposta atempada às vítimas e consequências dos fenómenos atmosféricos severos que serão cada vez mais frequentes.

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“Cheio de gratidão”, “emoção” e “responsabilidade”, António José Seguro lembrou as suas origens e, manifestando ser “um de vós”, dedicou a vitória a quem acredita e tem esperança num país melhor, “um país que avança sem deixar ninguém para trás”. O candidato, que desde o início da campanha manifestou ser livre e viver “sem amarras” comprometeu-se a agir da mesma forma durante os cinco anos de mandato, manifestando lealdade à Constituição, tratando por igual todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais e promovendo a cooperação institucional com o Governo. “Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados”, disse, defendendo a estabilidade política como “um meio para garantir condições de governabilidade”, mas “nunca um fim para manter tudo na mesma”. António José Seguro considera que estão reunidas as condições para que se encontrem “soluções duradouras” para resolver os problemas ao nível da saúde, acesso à habitação, criação de oportunidades para os jovens, combate à desigualdade entre homens e mulheres, diminuição da pobreza, e melhores condições de vida para todos.

Estabelecendo como prioritária a resposta do Estado às tempestades e aos incêndios, garante que estará vigilante e exigirá as respostas que o país precisa. “A palavra do Presidente terá peso e consequência”, garantiu o novo inquilino do Palácio de Belém, que quer mudar Portugal. No entanto, e apesar da urgência com que quer ver apoiadas as vítimas da intempérie, António José Seguro, que tomará posse a 9 de março, garante que respeitará o Presidente da República em funções até ao último dia. A sua primeira reunião do Conselho de Estado, que ocorrerá durante esse mês, será dedicada à defesa e à segurança.

Saído de uma segunda volta, que o opôs ao candidato do Chega, André Ventura, com uma legitimidade eleitoral reforçada, António José Seguro compromete-se a usar essa força para garantir a existência de uma “cultura de compromisso” fora dos ciclos eleitorais, “que seja concretizada em soluções de políticas públicas duradouras” que resolvam os problemas das pessoas. Questionado se, como anteriores Presidentes da República, iria entregar o seu cartão de militante do PS, Seguro lembrou que há 11 anos que não tem atividade partidária e que sempre afirmou a sua independência, mas sem que o tenha que fazer.
Europeísta convicto, manifestou também que, em coordenação com o Governo, tudo fará para que Portugal afirme a integração política da União Europeia e possa “contribuir significativamente para aumentar a autonomia estratégica em setores tão relevantes como o da Defesa”.

A opinião dos caldenses
Caldas da Rainha foi um dos grandes centros das eleições do passado domingo. A escolha de António José Seguro em votar e reagir aos resultados a partir da cidade onde reside deu palco às Caldas, trazendo toda a imprensa nacional, mas também internacional, como foi o caso da estação pública espanhola, a TVE, e agências internacionais, como a Reuters. Um mediatismo que se pode prolongar no tempo com o Presidente da República eleito a manter residência na cidade termal.

Entre os caldenses são muitos os que o conhecem, ou conhecem a família da mulher, os Maldonado Freitas. E se há alguns que consideram que o facto do novo Presidente da República residir nas Caldas é um motivo de “orgulho” e de valorização territorial, outros há que consideram que é indiferente.

“É o Presidente de todos os portugueses, não interessa o local onde reside. Exerce o cargo mais alto do país e tem de pugnar pelo bem-estar de todos os portugueses”, entende Fernando Coutinho, que conhece bem a família Maldonado Freitas. Caldense e emigrado em Nova Iorque (Estados Unidos da América) há 45 anos, votou nas Caldas no passado domingo, tal como já o tinha feito na primeira volta, explicou o cidadão que possui dupla nacionalidade.

“Acho que será importante para as Caldas pois como reside cá acaba por estar mais ciente do que acontece e poderá agir. Claro que não lhe cabe defender apenas os interesses das Caldas, mas de todo o país, no entanto conhece a nossa realidade e está mais desperto para os nossos problemas”, considera Joana Rocha. Natural de Aveiro e a residir nas Caldas, a jovem votou antecipadamente nestas eleições presidenciais.

António José Seguro “é uma pessoa tão isenta, tão séria… Conheço-o há muitos anos e acho que o facto de residir nas Caldas não irá interferir nada com o seu mandato como Presidente da República”, diz Alice Gonçalves. Já para Joaquim Martins é um reconhecimento. “É uma valorização para a cidade e um estímulo para as pessoas que cá vivem”, considera. Sobre o novo Presidente, acredita que trará “a estabilidade que precisamos”.

Na opinião de António Barros as Caldas tem sido “um bocado abandonada” no que respeita a grandes projetos, como é o caso da construção do novo hospital do Oeste, que “se deseja e espera há muitos anos”. Aguarda que, com a eleição de António José Seguro como Presidente da República, “ele venha a ter influência nessa decisão”, que António Barros anseia que seja favorável para as Caldas. Por outro lado, espera que, depois de eleito, António José Seguro possa “cá aparecer de vez em quando, para que o possamos voltar a ver”.

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