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As flores são o “mundo” de Margarida

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Margarida Silva Marques na estufa de plantas ornamentais com dois dos seus três funcionários

Quase um terço das mulheres no mundo trabalha na agricultura. A ONU declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, com o objetivo de destacar o seu papel

Margarida Silva Marques assume-se como produtora agrícola. É proprietária da Vidais Planta, uma empresa que se dedica à produção e comercialização de plantas ornamentais, que criou há 30 anos e que atualmente comercializa para todo o país.

Filha de um engenheiro agrónomo de Tondela, que veio para o Cadaval fazer o cadastro vitícola e nesta região acabaria por conhecer a esposa, Margarida desde cedo acompanhou o pai e o gosto pelo ar livre e um trabalho “mais desprendido”, acabaria por ditar a sua opção quando decidiu ingressar no ensino superior: Engenharia Agro-Pecuária na Escola Superior Agrária de Coimbra, que terminaria em meados da década de 90.

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A falta de oportunidades profissionais levou-a a dedicar-se à formação na área agrícola nos primeiros dois anos e começa a pensar em criar o seu próprio emprego. Nessa altura o avô materno, João Artur Botelho Moniz (que foi diretor da Gazeta das Caldas por duas vezes durante o Estado Novo), já tinha falecido e a mãe tinha herdado a quinta da família, nos Vidais. A neta, que nasceu nesta localidade, mas que depois foi viver com os pais para Monte Real e Montemor o Velho, regressaria às origens para cuidar dos terrenos e começar o seu projeto de vida ligado à agricultura, lançando a semente da Vidais Planta.

E porquê estufas de plantas ornamentais? “Por gosto pessoal, algum conhecimento e porque na altura era uma coisa diferente, ainda havia poucos viveiros de plantas”, explica Margarida, que começou a comercializar as primeiras plantas em 1996, tinha ela 27 anos.

O projeto “foi muito bem acolhido, mais do que agora, pois existe muita concorrência”, conta, lembrando que começou devagar, com uma área menor, de duas estufas, onde plantava plantas ornamentais como sardinheiras, cravinas, entre outras. A produtora agrícola recorda que, no início, a sua concorrência mais direta era uma associação que, além de vender as plantas mais baratas, estava isenta do pagamento de IVA. “Eu vendia cada vaso de sardinheira por 140 escudos (cerca de 70 cêntimos) e eles vendiam por 120 escudos (cerca de 60 cêntimos), mas nunca baixei o preço e os clientes acabaram por vir pela qualidade e foram passando a palavra”, conta, acrescentando que, “devagarinho, fui conquistando o mercado”.

Um trabalho 365 dias por ano
Atualmente nas estufas da Vidais Planta são produzidas, em diversas épocas do ano, mais de meia centena de variedades de plantas ornamentais como sardinheiras, cravinas, amores perfeitos, petúnias, begónias, entre muitas outras, que são depois vendidas, maioritariamente, para profissionais do setor desta região, mas também recebe encomendas de vários pontos do país. Fornece ainda entidades públicas, como a Câmara das Caldas, sendo frequente ver os espaços verdes mais emblemáticos da cidade embelezados com as suas plantas.

A trabalhar nas estufas estão três funcionários, mas Margarida tem contado sempre com a “ajuda preciosa” da sua mãe. Reconhece que este não é um trabalho fácil, pois obriga a fazer esforço físico, a estar exposto ao calor ou ao frio, consoante a época do ano. E, apesar de não praticar uma agricultura convencional, Margarida considera-se agricultora. Não trabalha diretamente a terra, mas utiliza o substrato com que cria as plantas e, tal como na agricultura convencional, também nos viveiros o cuidado que é necessário ter com as plantas não permite fins de semana ou “direito” a férias. “Temos sempre que abrir e fechar as estufas, tomar conta da rega”, exemplifica Margarida, reconhecendo que, por vezes é bastante cansativo, mas que gosta muito do que faz.

Nas intempéries de finais de janeiro sofreu apenas pequenos danos numa estufa, mas já houve casos em o vento danificou o plástico das estufas e que as fortes chuvadas arrastaram as plantas. Mas, “recomeça-se e continua-se, com força!”, assume.

As modas e tendências
Tal como nas outras áreas, também nas plantas ornamentais há modas e preferências. Por exemplo, os jovens procuram sobretudo plantas que sejam resistentes e que não necessitem de muito cuidado, como as suculentas, salienta. Também as alterações climáticas obrigam a apostar em determinados tipos de plantas, levando a modificações no setor. Esse foi, aliás, um dos temas em destaque na edição deste ano da Lusoflora – Feira Profissional de Plantas, Flores e Tecnologia, que decorreu em Santarém a 26 e 27 de fevereiro e que visitou. “Mesmo nos catálogos dos nossos fornecedores já começa a aparecer uma parte só dedicada às plantas mais resistentes à seca e ao calor, tendo em conta as preferências dos clientes”, complementa.

As mulheres ainda são uma minoria no comando dos negócios agrícolas, mas Margarida conta que nunca sentiu um tratamento diferenciado por esse facto, “Quanto comecei era muito jovem, tinha muita vontade de fazer e as pessoas até achavam graça a isso”, remata.

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