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Câmara das Caldas quer ter regulamento da Praça concluído antes da próxima hasta pública

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O sábado é o dia mais forte de mercado

O processo já começou, com reuniões com os vendedores, e deverá estar concluído até julho de 2027. Autarquia aposta em aportar conhecimento e candidaturas através de associação internacional e “avalia” a possibilidade de colocar uma cobertura durante o período do Natal

Com 113 vendedores registados a Praça da Fruta tem ao sábado o seu expoente máximo de vendas, com praticamente a totalidade dos lugares ocupados. As sextas-feiras e domingos também são dias fortes de mercado, com a presença de cerca de 60 vendedores.

Por contraponto, no início da semana, apenas cerca de 40 vendedores vão à praça. Dos 113 vendedores, cerca de 75% dedica-se ao comércio de frutas e legumes, seguindo-se a venda de artesanato, flores e bolos.

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Trata-se de um “número significativo” que acaba por praticamente lotar o tabuleiro da praça, revela o presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques. Também exemplo da dinâmica daquele que é um dos raros mercados de ar livre no país, são os leilões para a aquisição dos lugares de venda que, por vezes, chegam a ascender a milhares de euros. A próxima hasta pública está marcada para 25 de julho de 2027 (dentro de um ano) e, até lá, a autarquia pretende ter concluída a revisão do regulamento da Praça da Fruta. “Já ouvimos os vendedores em reunião, recebemos os seus contributos e compilámos essa informação”, explicou o autarca, acrescentando que para setembro, outubro, está prevista a realização de um novo encontro com todos os vendedores para mostrar as conclusões e receber mais contributos.

Entre as preocupações manifestadas na primeira reunião estiveram, sobretudo, a existência de novos vendedores na praça, muitos deles migrantes e com culturas diferentes, mas que o autarca considera que se “têm dissipado”. Por outro lado, defenderam como critério de valorização a antiguidade (os anos de vendedor na praça), a par dos produtos regionais. Há também que “afinar” a tipologia dos produtos que podem ser comercializados, tendo em conta que o regulamento atual é muito abrangente, e qual a forma de se “arrumarem”, a par da sua divulgação e comunicação.

“Hoje, apesar de falarmos de mercados tradicionais, as novas tecnologias têm de estar integradas”, explica Vítor Marques, fazendo notar que terão de ser disponibilizados mais locais de acesso à energia.

A autarquia está também empenhada em trabalhar a relação entre mercados, fazendo a ligação do da fruta ao do peixe, para dar “mais corpo” à oferta existente. Passa pela dinamização de iniciativas e também pelo projeto do encerramento ao trânsito da rua que liga os dois mercados.

Estudo de caso
A Universidade Nova de Lisboa estudou a Praça da Fruta. Neste estudo de caso identificou um conjunto de desafios considerados críticos, como foi o caso das infraestruturas inadequadas, a falta de estacionamento, a ausência da eletricidade, a gestão deficiente dos lugares, a concorrência dos supermercados, a diminuição do número de clientes durante o inverno e o envelhecimento dos vendedores e produtores. E, entre as conclusões, os académicos destacam a necessidade de haver maior transparência relativamente à origem e qualidade dos produtos, a criação de sistemas de certificação e investimento na digitalização, promoção de iniciativas de economia circular, como a compostagem. Por outro lado, destaca o que diferencia este mercado: a sua identidade, autenticidade, a relação com os clientes e a proximidade.

Entre os desafios que se colocam estão a necessidade de infraestruturas adequadas para proteger vendedores da chuva e do vento, referindo mesmo a “ausência de melhorias significativas no mercado ao longo dos últimos 40 anos”.

O estudo faz ainda referência às condições de trabalho, nomeadamente com a montagem e desmontagem das bancas, que agora são garantidas por uma empresa contratada pela autarquia, que investe 80 mil euros por ano nesse serviço diário.

Vítor Marques destaca a importância de se conhecer a realidade, tanto a nível local, como externa, para melhor se poder intervir e conseguir captar apoios comunitários. A autarquia já integra a SIMAB – Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores e prepara a candidatura para ingressar na Associação Internacional de Mercados Históricos, que tem entre os seus dinamizadores principais os mercados de Florença e de La Boqueria (Barcelona). “Dar melhores condições de trabalho e também aos visitantes é o objetivo de todas estas dinâmicas que estamos a desenvolver”, referiu o autarca, acrescentando que uma das discussões a ter será sobre a colocação, ou não de uma cobertura. Vítor Marques quer “perceber a sensibilidade das pessoas” relativamente ao assunto, mas vê com bons olhos a possibilidade de uma cobertura artística, diferenciadora, “que fosse tão atrativa quanto o é a Praça da Fruta e que também trouxesse as pessoas às Caldas para verem a obra de arte”.

Desde há dois anos que a autarquia tem vindo, em conjunto com a ACCCRO, a “ponderar” ter uma cobertura na praça da fruta durante o período do Natal. Tem sido um “processo difícil” pela dimensão do espaço, pelas árvores e a envolvente. “Não há certezas de que se consiga fazer, mas estamos a avaliar essa possibilidade” para o próximo Natal, explicou à Gazeta das Caldas. O objetivo passa também por alargar o período em que esta estrutura estaria colocada, entre início de novembro a finais de janeiro, permitindo ter a praça coberta pelo menos nesses meses. Seria também uma “oportunidade de experimentar uma cobertura na praça”, reconhece Vítor Marques, especificando que esta permitiria albergar a animação de Natal, dinamizando aquela zona.

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