Quarta-feira, 5 _ Agosto _ 2026, 22:00
Início Sociedade Que futuro para a Praça da Fruta? A voz aos vendedores e...

Que futuro para a Praça da Fruta? A voz aos vendedores e utilizadores

0
185

A Praça da Fruta é um símbolo identitário das Caldas e deve permanecer onde está, manifesta a maioria dos vendedores e consumidores. Há, contudo, problemas a resolver. O acesso e estacionamento reúne unanimidade ao passo que os vendedores defendem, na sua maioria, a colocação de uma cobertura, dando-lhes melhores condições de conforto, e os utilizadores são mais cautelosos, realçando a preservação da sua identidade.
Esta iniciativa da Gazeta das Caldas, que se iniciou com inquéritos efetuados a vendedores e utilizadores, divulga agora algumas das principais conclusões, dando assim a conhecer qual o sentir, as preocupações e contributos para um local que, muito mais do que mercado, assume uma dimensão social, cultural e turística muito relevante.

Maioria dos vendedores quer praça modernizada e com cobertura na Praça da República

Os vendedores querem a Praça modernizada e mais confortável, mas no mesmo local e sem perder identidade. A maioria é favorável à sua cobertura e, entre eles colhe maior simpatia a cobertura total permanente e as soluções parciais e amovíveis dividem os restantes inquiridos. Opiniões que serão discutidas no debate que se realizará amanhã, pelas 18h00, no átrio do Posto de Turismo

- publicidade -

A permanência da Praça da Fruta na Praça da República, a autenticidade e tradição aliada aos produtos locais e regionais, a par da relação de proximidade com os clientes, deverão manter-se. Esta a opinião da esmagadora dos vendedores da Praça, em resposta ao inquérito elaborado pela Gazeta das Caldas.

Por outro lado, a questão da sua cobertura surge como tema central. À pergunta sobre se a Praça deve ser coberta, 56 dos 63 vendedores que responderam ao inquérito (89%), responderam favoravelmente, sendo que 50, (79%), disseram “sim, claramente”. Apenas seis respostas (10%), manifestaram-se contra, incluindo os que rejeitam liminarmente a cobertura e os que só a aceitariam em solução muito excecional.

A solução mais consensual foi a cobertura total permanente, com 34 respostas (54%). No entanto, muitos dos vendedores valorizam a preservação da imagem histórica, a ventilação, a luz natural e a autenticidade da Praça. O resultado não resume apenas a um pedido de cobertura, mas abarca o desejo de melhores condições de trabalho e de compra, com uma solução arquitetónica cuidadosamente integrada.

Melhor acesso e estacionamento foi apontada como a principal prioridade para melhorar, com 37 respostas (59%), seguida de uma melhor proteção climática, com 26 respostas (41%), e de um maior conforto para vendedores, com 23 respostas (37%). Ou seja, os principais problemas identificados pelos vendedores são, sobretudo, de funcionamento do mercado: a exposição à chuva, e ao vento, a falta de abrigos e apoio, assim como a falta de estacionamento, a dificuldade nas cargas e descargas.

O universo das respostas
O inquérito dirigido especificamente aos vendedores da praça, com recolha presencial dos dados entre 13 de abril a 7 de maio, conta com 63 respostas válidas, representando 93 bancas de um universo de referência de 120 bancas numeradas (o que constitui uma amostra “muito robusta” para um inquérito de proximidade). O questionário está estruturado com 25 perguntas (fechadas, escalas de concordância/importância e perguntas abertas), mais identificação de banca.

A maioria dos participantes tem uma ligação prolongada à Praça. Dos 63 vendedores, 33 (52%), vendem ali há mais de 20 anos, o que nos indica que a amostra é composta por pessoas com experiência direta e continuada do funcionamento diário do mercado. De acordo com os dados obtidos, 60% dos vendedores têm 55 ou mais anos, é uma população envelhecida, ao passo que apenas 5% dos vendedores têm entre 25 e 34 anos. A maioria é proveniente do concelho das Caldas (41), seguido de Óbidos (17), mas é possível também encontrar vendedores de Alcobaça, Peniche, Cadaval e Rio Maior.

Relativamente à regularidade, 78% dos vendedores respondeu que vende na praça com “grande frequência”. A maior parte vai ao mercado várias vezes por semana outros todos os dias úteis.

A fruta e os legumes/hortícolas são os produtos mais vendidos (57% cada), seguidos de flores/plantas (17%), ervas aromáticas (14%), o artesanato e a doçaria (8% cada). Em 37 dos casos (59%) a origem dos produtos é produção própria enquanto que 13 dos inquiridos compra a terceiros para revenda e outros 13 fazem uma mistura de ambas.

Relativamente à perceção da evolução da praça, a opinião não é animadora. Entre os vendedores, 46% considera que a praça piorou (pior + muito pior) nos últimos cinco anos, contra apenas 8% que considera que melhorou. 37% considera que a clientela tem vindo a diminuir ou a diminuir muito, enquanto que apenas 14 % sente crescimento no número de clientes.

Utilizadores desejam uma praça melhorada, mas sem perder a sua identidade

Vista como símbolo identitário para a grande maioria dos utilizadores, a Praça deve manter-se como mercado tradicional diário. O inquérito, respondido por 544 pessoas, mostra que o principal problema é o acesso/estacionamento, ao passo que a colocação de uma cobertura divide opiniões

A compra de produtos frescos e a qualidade dos produtos são a razão principal da visita à Praça da Fruta para a maioria dos inquiridos. Responderam ao questionário elaborado pela Gazeta das Caldas um total de 544 utilizadores, dos quais 276 mulheres (51%) e 264 homens (49%), a sua maioria compradores habituais e ocasionais (89%) residentes no concelho caldense. De destacar a presença regular, tendo em conta que 61,8% dos inquiridos vai à praça, pelo menos, uma vez por semana.

A qualidade dos produtos ali comercializados, aliado ao ambiente de ar livre e identidade histórica são os aspetos que mais valorizam neste mercado que remonta ao século XV e um dos raros de ar livre em Portugal. Por outro lado, o acesso e as dificuldades ao nível do estacionamento (56%), a chuva (37%) e a falta de conforto (10%) são o que afasta os utilizadores e limita as suas compras na praça. Estes reconhecem, na sua maioria (78%), que compra hoje menos do que gostaria de comprar.

Tal como nos vendedores, a rejeição à mudança de local da praça é praticamente unânime, e o valor identitário e patrimonial reúne o maior consenso de todo o inquérito (4,82 em 5). Em contraponto, a resposta à questão: deve a praça ser coberta? mostra uma divisão de opiniões, com 46% a favor (com ou sem reservas) e 50% contra (claramente ou salvo exceção). Estes valores contrastam fortemente com os vendedores, dos quais 89% é favorável à cobertura. Também quanto ao tipo de cobertura, a ordem das respostas é quase invertida face aos vendedores, com os utilizadores a considerar que a cobertura total permanente é a opção menos favorável de todas (2,09), preferindo soluções leves, transparentes ou amovíveis. As alternativas «sem cobertura, com outras melhorias» e «cobertura amovível/retrátil» somam 57% das preferências, e a cobertura total permanente foi escolhida apenas por 13% dos inquiridos.

Mais do que uma divisão entre “cobrir” e “não cobrir”, os resultados mostram uma tensão entre duas preocupações legítimas: por um lado, melhorar conforto, proteção climática e funcionalidade; por outro, preservar identidade, autenticidade. Os utilizadores gostam da Praça como ela é na sua essência, mas querem que funcione melhor. A melhoria do acesso e estacionamento, mais conforto, proteção climática e condições de uso, sem descaracterizar o espaço estão entre as prioridades para a sua melhoria.
Indicador da relação forte, afetiva e identitária com a Praça da Fruta é que 97% dos inquiridos a recomendaria (certamente ou provavelmente) a alguém de fora das Caldas.

Questionados sobre como imaginam a praça dentro de uma década, a maioria dos utilizadores responde que será igual, enquanto que outros gostariam que estivesse melhor, com mais estacionamento, fechada, na mesma localização, mas modernizada, ou coberta e moderna sem deixar de ser tradicional. De realçar, no entanto, que a esmagadora maioria, defende a permanência na Praça da República. Há quem a queira ver com poucas alterações, por forma a manter a sua valorização patrimonial, protegida do mau tempo, com mais produtos biológicos e a oferta de mais produtos regionais. A existência de estacionamento subterrâneo e cobertura amovível para proteção da chuva também é uma sugestão para a praça no futuro, a par da existência de carrinhas – loja para proteção dos vendedores e a existência de mais atividades no tabuleiro fora do período de funcionamento do mercado. Entre os inquiridos há ainda quem sugira que esta mude de local, para um novo edifício, com estacionamento e condições adequadas para vendedores e clientes.
No comentário que fazem sobre a Praça, os utilizadores reforçam a necessidade da sua defesa como património das Caldas, manifestam a sua preocupação com a descaracterização e a necessidade de melhorar estacionamento e acessibilidade. Nota de realce também para a defesa de produtores locais e regras de qualidade, a rejeição de soluções pesadas ou artificializadas no local e para a sua preocupação com o futuro da Praça enquanto mercado vivo.

 

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.